Capítulo 18: O Refúgio do Clã

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A noite avançava enquanto Aria, Jonathan, Ethan, Mirra e o restante do grupo chegavam a um imponente palacete no meio do território neutro. O ar estava frio, mas a presença maciça do edifício emanava uma sensação de segurança temporária. Sabiam que estavam se aproximando de seus aliados e que, antes do amanhecer, precisavam encontrar um lugar seguro para repousar.

O palacete pertencia ao clã de Alastair, um vampiro antigo e de influência considerável, que há séculos mantinha sua neutralidade nas guerras e disputas políticas entre os vampiros. Ao chegarem aos portões, foram recebidos por vampiros que pareciam desconfiados, mas disciplinados, prontos para seguir as ordens de seu mestre.

"Sejam bem-vindos," Alastair os cumprimentou assim que entraram no salão principal. Seu porte era austero, e seus olhos observadores transmitiam experiência e sagacidade. "Ouvi sobre sua rebelião contra Vanger. Vocês podem descansar aqui até o próximo pôr do sol."

Aria sentiu um alívio momentâneo. Eles precisavam daquela trégua, mesmo que temporária, após tantas noites de batalhas e fugas. O grupo foi conduzido a quartos individuais, onde poderiam repousar até a noite seguinte. Jonathan, no entanto, a acompanhou até o quarto que seria o deles.

Assim que entraram, o peso das últimas lutas pareceu desvanecer. Jonathan, com um sorriso leve, a puxou para mais perto. "Parece que finalmente teremos um pouco de paz", ele murmurou.

Ela riu suavemente, seus dedos traçando linhas no rosto dele. "Só por uma noite."

Jonathan a beijou com uma doçura que contrastava com a intensidade de tudo que haviam vivido. A conexão entre os dois se aprofundava cada vez mais, e naquela noite, enquanto o mundo continuava girando do lado de fora, eles se entregaram à intimidade e ao carinho que os unia, esquecendo por algumas horas o caos que os aguardava.

Enquanto isso, Ethan e Mirra relaxavam em outro quarto do palacete, onde o clima era mais leve. Ethan, sempre brincalhão, tentou animar a situação com suas histórias habituais.

"Você sabia que uma vez me apaixonei por um humano?" Ethan contou, seus olhos brilhando de diversão. "Ele era lindo, forte... mas estava, claro, caçando vampiros."

Mirra, sempre séria, soltou um suspiro, mas não pôde evitar um sorriso discreto. "E como isso terminou?"

"Ah, ele tentou me matar. Romance trágico e típico." Ethan riu, claramente mais à vontade no refúgio temporário. "Mas eu soube lidar com isso. E você? Alguma história de amor ou desastre oculto?"

Mirra balançou a cabeça, sem dar muitos detalhes. "Nada que se compare às suas aventuras, Ethan. Mas é bom estarmos todos juntos... mesmo que por enquanto."

No início da noite seguinte, após descansarem, Aria e seu grupo se reuniram com Alastair no grande salão do palacete. A lua ainda não havia aparecido completamente, mas a escuridão já começava a dominar o céu. Eles sabiam que precisavam convencer Alastair a se unir a eles, ou pelo menos garantir que ele não se opusesse ao movimento de rebelião contra Vanger.

"Você é forte, Aria," Alastair começou, sua voz profunda e cheia de conhecimento. "E admiro sua coragem em desafiar Vanger. No entanto, o meu clã sempre se manteve neutro. Não vamos nos aliar a você. Mas também não lutaremos por Vanger."

Jonathan apertou a mão de Aria suavemente, apoiando-a, enquanto ela ponderava a situação. Embora Alastair não fosse se juntar à luta, saber que não se oporia já era um avanço.

"Obrigada pela hospitalidade e pela neutralidade," disse Aria, sua voz firme. "Nós respeitamos sua posição e não o forçaremos a tomar partido. Só pedimos que, quando a batalha vier, você e seu clã não interfiram."

Alastair assentiu. "Vocês têm minha palavra. Façam o que for necessário. Apenas lembrem-se: a neutralidade tem seu preço. Espero que possam sobreviver à tempestade que está por vir."

Com a despedida acertada, o grupo de Aria se preparou para partir. Eles sabiam que o tempo de descanso estava acabando e que logo enfrentariam novos desafios, mas havia uma sensação de que, com Jonathan ao seu lado, e a amizade crescente entre seus companheiros, estavam prontos para o que viesse.

Após saírem do palacete de Alastair, Aria e seu grupo continuaram sua jornada, viajando por diferentes territórios em busca de aliados para a luta contra Vanger. Muitos clãs os receberam com educação, mas também com reservas. Os vampiros, cautelosos com a força de Vanger, preferiam não arriscar suas posições de poder ou a segurança de seus próprios territórios.

Alguns clãs, como o de Alastair, permaneceram neutros. Outros, mais conservadores, negaram-se completamente a se envolver, alegando que a luta contra Vanger seria inútil e que Aria estava se lançando em uma guerra impossível de vencer. Em cada palacete ou refúgio, Aria insistia, mas as respostas eram sempre as mesmas: "Não nos arriscaremos por um levante que, para nós, não tem esperança."

No entanto, houve aqueles que decidiram se unir à causa de Aria. O clã de Evelyne, uma vampira líder de um pequeno grupo rebelde, foi o primeiro a prometer seu apoio. Evelyne, uma guerreira feroz e estrategista astuta, via em Aria uma chance real de mudar o equilíbrio de poder entre os vampiros. Outro clã, liderado por Nikolai, um vampiro mais jovem, mas igualmente visionário, também decidiu se aliar. Ele via o reinado de Vanger como um peso que precisava ser derrubado para que as novas gerações pudessem prosperar.

Durante as viagens, o grupo enfrentava as dificuldades da estrada – o isolamento, o cansaço, e a constante sensação de que poderiam ser emboscados a qualquer momento pelos agentes de Vanger. Durante uma dessas longas noites de viagem, Ethan e Jonathan cavalgaram juntos, e a conversa se desviou para algo mais pessoal.

"Você está quieto esta noite", comentou Ethan, quebrando o silêncio. "Pensando em algo em especial?"

Jonathan sorriu de leve, mas seus olhos estavam fixos na estrada à frente. "Estou sempre pensando. São tempos difíceis, Ethan. E isso me preocupa."

"Você sabe que pode confiar em mim, certo? Estou aqui, por você, por Aria, pelo grupo", Ethan disse, tentando abrir espaço para uma conversa mais íntima. "Falando em Aria... o que exatamente você sente por ela?"

Jonathan suspirou e sorriu, mas havia uma seriedade em seu olhar. "Ela é... tudo para mim. Não sei como descrever. Quando estamos juntos, sinto que posso enfrentar qualquer coisa, que o peso das batalhas se torna suportável. Ela é forte, determinada, e eu a admiro muito. Mas o que sinto por ela vai além disso. É mais profundo do que palavras podem expressar."

Ethan assentiu, respeitando o momento. "Isso é bom, Jon. Ela precisa de você, e é óbvio que você está sempre ao lado dela. Só espero que você não se perca nesse caminho, sabe? Às vezes, lutar por alguém pode ser exaustivo."

"Não me importo de me exaurir por ela", Jonathan respondeu, olhando brevemente para o céu estrelado. "Mas sei que não posso protegê-la de tudo. E isso... me assusta."

Ethan deu um sorriso reconfortante. "Ninguém pode proteger os outros de tudo. Só podemos estar presentes. E você faz isso de uma maneira que é admirável."

Beijo de VeludoOnde histórias criam vida. Descubra agora