Batidas fortes deixadas na porta frágil do porão fizeram a garotinha acordar num susto. Com a respiração desregulada ela observa pela fresta de luz debaixo da porta, os pés dele se afastarem. Um alívio silencioso toma conta da garota enquanto muda de posição na cama, dando a possibilidade de encarar a pequena janela que havia dentro daquele cômodo tão escuro. Enrolada em seus trapos e pensamentos, observa um pássaro sobrevoando aquele infinito mar azul. Por um momento ela desejou ser aquele pássaro. Vê-lo tão despreocupado e livre, fez uma ponta, quase inexistente, de esperança, crescer em seu peito. Mas ao escutar algo se quebrando no andar de cima e o grito amedrontador de seu pai, sua realidade a puxou novamente fazendo todo aquele momento se dissipar.
Ela jamais poderia se tornar aquele pássaro, uma vez que suas asas foram cortadas para sempre.
Antes que uma lágrima teimosa pudesse escorrer, a mesma fecha os olhos, a impedindo. Não iria se permitir chorar novamente, era só o que fazia. Era só o que podia fazer. Mas já estava cansada. Chorar não iria tirá-la dali, então, ao menos se manteria forte.
Com dificuldade, se senta na beira da cama, se espreguiçando. Pequenas dores invadem seu corpo com o ato. Por mais que já estivesse acostumada a dormir naquela tábua de madeira coberta por trapos rasgados, ainda sentia incômodos. Sem demora após a primeira movimentação do dia, seu estômago reclama por comida. Alisando a barriga, ela se levanta em direção a sua pia pequena, onde está sua escova feita por ela e uma mistura que usava como pasta. E acima, um espelho sujo e embaçado pela poeira. Pouco tempo depois de sua higiene, a mesma se pega se analisando no espelho.
Era inevitável. Era inevitável não enxergar o rosto de sua falecida mãe por trás de seu rosto sempre coberto por seus cachos rebeldes e sua pele morena. Mas principalmente, pelo olhar singelo e impactante de seus olhos enfeitados por suas írises azuis. Por diversas vezes a garota tentava negar sua similaridade com a mãe, levando consigo a certeza de que sua existência levou a mulher a morte.
Do lado de sua “cama” ela pega sua muda de roupa dobrada e começa a se vestir. Sua única roupa se limitava a uma grande blusa de manga, rasgada nas pontas e na área da barriga, e um short claro até a metade das coxas.
Ao parar em frente a porta pronta para sair, sua mão hesitou. Não queria voltar para seu inferno pessoal, mas não tinha escolha. Por mais que sempre tentasse escapar de lá, algo a engolia para a realidade. Uma raiva cresce dentro de si quando analisa sua mão trêmula. Ela odiava sentir medo. Mas não tinha para onde escapar. Então respirando fundo, ajeitou sua postura rapidamente, girou a maçaneta e abriu a porta.
A casa estava a mesma bagunça diária. Havia garrafas de bebida por toda parte, algumas inteiras, outras espatifadas pelo chão, cigarros quase escassos ocupando o lugar, móveis e roupas reviradas...tudo o completo caos. A garota acharia que um furacão passou pelo local se não estivesse acostumada com a situação que vivia.
Tinha quase a certeza de que os armários da cozinha serviam de enfeite. A maioria, se não todos, estavam vazios, exceto por um que havia uma sacola com pães duros, alguns com mofo. Não podia reclamar, apenas se contentar, ou passaria fome. Cortou alguns pães em duas partes e passou a raspa de manteiga, e com o pouco gás do fogão, os colocou para torrar com a presença de um tabuleiro. O cheiro da manteiga preenchendo o ar fez seu estômago roncar novamente, então passando alguns minutos, retirou o pão do forno e os devorou com a certeza de que esse seria o melhor café da semana.
Prestes a se levantar da cadeira, ela ouve os passos tão familiares e pesados de seu pai. Seu corpo estremece, não consegue se mexer. O homem surge no batente da cozinha, cambaleando e levando sua garrafa de cerveja aos lábios. A garota não o encara, lhe falta coragem no momento, mas sente os olhos dele queimando sua pele.
- Demorou para levantar-se...- a voz do homem ecoa pela cozinha.
Um arrepio a percorre.
Há um momento de silêncio. Pouco tempo depois, o homem anda quase se rastejando até uma cadeira e se senta nela, ficando de frente para a menina.
- Não quero que se repita – ele dá um gole na bebida. – Me escutou? – sua voz se eleva um pouco.
- Sim papai – ela concorda rapidamente, mas o nervosismo quase abafa sua voz.
- Hm – ele faz um som estranho e rouco, dando outro gole sem seguida.
Por mais que sentisse um pavor absurdo apenas em encará-lo, assim ela fez. As olheiras denunciavam a noite de bebedeira incessante, e pelo jeito que segurava a garrafa, era evidente que estava cansado. Então, percebendo seu estado, engoliu em seco antes de perguntar:
- Quer um café? – pergunta, sem saber se fez o correto.
Os olhos dele demoram para encará-la. Ele a olhava com descrença, como se acabasse de perguntar algo tosco.
- Para de ser tola garota, não vê que já estou bebendo! – exclama, balançando a garrafa em sua direção.
- Desculpe...- ela murmura, quase para si.
- Pare de se desculpar – a voz aumenta.
- Desculpe.
Tarde demais notando o que fez, a garota arregala os olhos no susto quando o homem se levanta de maneira abrupta.
- Já mandei não me pedir desculpas! – Ele grita. O rosto do homem começa a ficar vermelho com a raiva subindo pela sua garganta. Inevitavelmente ela começa a chorar. Odiava quando ele gritava. – Não! Não começa a chorar! Para!
Seu grito é tão furioso, que em poucos segundos a garota começa a soluçar. Ela não tinha culpa. Uma criança não conseguiria segurar o choro. Ele gritava mais e mais, enquanto a garota levava as mãos ao ouvido, na esperança de que elas fossem o suficiente para abafar os gritos de seu pai. Porém nada adiantava.
- Olha pra mim. – Ele manda, com o tom alto. A menina permanece paralisada, concentrada em seu próprio choro. – Mandei olhar para mim garota!
Se aproximando rápido, ele segura o rosto dela brutamente, com suas unhas sujas se afundando no rosto da garota. Ele ergue seu rosto, obrigando a encarar- lo.
- Pensa que pode se esconder por trás desse cabelo horroroso? – o bafo de cerveja a atinge. Ela nega desesperada. Dando uma risada sarcástica, ele diz: – Você é frouxa Nefta, assim como a sua mãe era.
Nefta sentiu de repente, a atmosfera pesar a sua volta. Sentiu seu medo se transformando em raiva. Muita raiva. Ela não fazia ideia de onde surgiu toda aquela fúria, mas não era a primeira vez que acontecia. Acontece que, não sabia se aquela raiva estava relacionada a sua mãe que nem teve chances de conhecer, ou ao fato de seu pai fazê-la se sentir tão fraca e impotente. A única certeza que teve naquele momento era que, se o encarasse por mais alguns segundos, poderia queimá-lo vivo apenas com o olhar.
- Esse olhar...- a expressão do homem muda. Ele a encara com mais ódio. – Não me encare como ela fazia... Pare com isso! – Nefta não sabia mais se ele estava gritando com ela, ou se enxergava a falecida esposa em sua frente. – Sabe por que não teve chances de conhecê-la? – Ela espera a resposta. – Você a matou...- sua fala adquire uma mistura de sentimentos. - Você a matou sua pirralha ingrata!
Ele a solta e deposita um tapa forte em cada lado de seu rosto. A garota, sem forças para reagir, acaba por se ajoelhar no chão. Suas pequenas mãos cobrem seu rosto, na tentativa de amenizar a ardência que se espalha.
Ela houve uma movimentação no molho de chaves, mas continua a encarar o chão.
- Vou sair. Assim que eu voltar, quero a casa limpa.
E assim, ele sai de casa batendo a porta.
Com a garganta e olhos ardendo, ela segura as próximas lágrimas. Seu orgulho, mesmo que para uma criança, era muito maior no momento. De repente, suas mãos começam a tremer junto ao seu corpo. Ela permanecia estática e assustada, apenas escutando cada parte de seu coração se quebrar mais. E a cada tentativa de manter sua respiração normalizada, ela se negava a chorar. Passando alguns minutos, que se parecem horas, ela encontra forças para se levantar. Mas ao fazer esforço, uma dor de cabeça a atinge, a obrigando a beber um pouco de água da torneira para se estabilizar.
O esforço que juntou para segurar o choro, teria de servir para limpar aquela casa imunda.
...
O sol estava se pondo quando ela terminou de arrumar a casa. Após dar uma última passada de pano na sala, o cansaço a toma por completo, fazendo com que se jogue no pequeno sofá. Depois de poucos segundos de descanso, se dirige ao banheiro e toma um banho gelado. Antes de voltar para o porão, ela passa na cozinha e abre uma gaveta, retirando dali uma faca grande. E quando chega no porão, começa a treinar alguns golpes com ela.
Nefta tomou consciência do perigo que corria, após algumas tentativas dos amigos de seu pai de tocá-la. A garota era acostumada a vivenciar brigas com frequencia. Sejam nos bares, circulos de apostas escandalosas ou os golpes do próprio pai. Acontece que, por costume, adquiriu na memória alguns movimentos .
No início, os golpes eram desajeitados e inseguros, mas tomou aquilo como objetivo. A garota com toda a sua determinação, passava madrugadas acordada, apenas para conseguir equilibrar uma faca nas mãos. Suas mãos, na maioria do tempo, estavam enfaixadas com ataduras. Passaram-se dias, talvez semanas, antes que conseguisse golpear algumas tábuas de maneira eficaz. E, notando sua evolução, passou a treinar por mais horas durante o dia, de preferência quando o pai não estivesse em casa. O progresso a tranquilizou, e para se garantir, abriu uma parte do chão de madeira perto da tábua onde dormia e escondeu algumas facas e cordas caso precisasse.
A garota, para seus poucos 8 anos, era inteligente e esperta, e sempre estava alerta a tudo em sua volta. Aprendeu da forma mais brutal, como se defender e se virar quando necessário. Ou seja, para ela, todo momento era hora de se preparar para defesa.
Após golpear várias vezes algumas tábuas encostadas na parede do quarto, as cobriu com um lençol empoeirado e, ofegante, se encostou em sua “cama”. Não soube o momento em que cedeu para o cansaço, mas acabou por adormecer com a sua faca em mãos e a aninhou contra seu peito durante o sono.
...
Os olhos de Nefta se abrem ao escutar alguns passos afundarem a escada de madeira. Em seguida, ouve risadinhas e sussurros de diversão. Ela está deitada de costas para eles. E apertando a faca contra si, aguarda o próximo movimento.
- Quem vai desta vez? – Um deles pergunta.
- Não importa, só vai logo. – outra voz.
- Andem garotos, ou não deixo vocês se divertirem.
O corpo de Nefta estremece ao reconhecer a voz de seu pai.
Mais algumas risadas soam, até ouvir o barulho do tilintar de algo, mais parecido como uma moeda jogada no ar.
- Deu você Wester. – O primeiro cara a falar, completa.
Não há mais vozes ou risos, apenas passos se aproximando dela. Quando sente uma mão pegajosa tocar seu braço, a garota não pensa duas vezes antes de acertar seu rosto com a faca.
- AH! – o homem grita, e se afasta para longe com sua mão tampando o local ferido.
A garotinha feroz rola rapidamente para fora da tábua de madeira e fica de pé, encarando o homem ferido, o tal de Wester. Seu olhar varreu com rapidez os rostos dos outros dois homens ao seu lado. Todos a encaravam em choque, menos seu pai, que bebia tranquilamente.
- Não...se aproximem. – Ela ordena com dificuldade, utilizando pouca da autoridade cultivada por anos.
Um dos homens tenta se aproximar, mas recua após Nefta erguer mais a faca.
- Por favor né, rapazes – a atenção de todos é roubada para seu pai. – Deixarão uma garotinha de 8 anos intimidar vocês? – ele dá um gole na garrafa.
- Chefe, ela tá armada! – Wester aponta para a faca em nas mãos dela, com a voz um pouco trêmula.
Os lábios de Nefta, sem nem mesmo ela perceber, se curvam ao sentir o medo na voz de Wester.
- Arranquem essa faca dela! Seja o que for, não percam essa chance. – Eles a encaram novamente. Ela engole seco, sentindo a pouca confiança que tinha indo embora. – Eu vou assistir o show. – E com um sorriso grotesco, ele se senta na escada.
Os homens em sua frente, a encaravam como leões famintos. Em segundos, os três a cercaram. Ela não soube quando, mas em algum momento, roubaram sua faca e a seguraram pelos braços.
- Não! Me soltem! – ela gritava e esperneava, usando toda a força que tinha.
Sendo ignorada, eles a jogam no chão, Wester e outro homem segurando seus braços e um em sua frente. Sentindo o homem descer seu short, ela olha para seu pai com os olhos embaçados, na esperança de que ele faça algo. Mas ele apenas ri e ergue sua garrafa de cerveja para ela. A pureza da garota estava sendo arrancada de si com cada peça de roupa, e por mais que prometesse a si que não iria mais chorar, sua promessa foi rompida com todo o sofrimento que sentia. Não sabia se iriam machucá-la, mas ela teve certeza de que nunca sentira tanto nojo e dor.
O homem já desabotoava a própria calça quando Nefta se virou para o piso que deixou solto, notando o brilho da lâmina de outra faca escondida. E, quando um dos homens, Wester, afrouxa seu braço esquerdo, ela alcança com agilidade o buraco, sentido o cabo da faca em seus dedos. Com raiva, ela ergue a faca e perfura a mão do homem que segurava seu braço direito. Estava tão agitada que nem notou ser a primeira que arrebentou a mão de um cara. Percebendo a atitude inesperada da garota, o homem que estava em sua frente tenta segurá-la, mas a mesma para não perder a adrenalina e o pingo de coragem, o chuta, acertando seu rosto em cheio. O homem não demora para cair desnorteado com a mão no rosto. Com a respiração acelerada, ela se levanta e encara o que percebeu ser o mais medroso dos três, Wester, que havia se afastado desde o primeiro ataque. Nefta nunca sentiu nada além de coisas ruins em sua vida. Nunca sentiu o mínimo de prazer ou satisfação. Mas ao ver aqueles homens caídos no chão gritando de dor e o outro em sua frente hesitando por puro medo, abriu um sorriso confiante, se sentindo pela primeira vez, inabalável.
- Tá esperando o que? PEGA ELA! – seu pai grita nervoso, inconformado pela cena.
O homem hesita antes de tentar agarrá-la por cima, mas aproveitando seu tamanho, Nefta se abaixa e o atinge na perna, o único lugar que alcançava agachada. Ele grita de dor enquanto cai no chão. Nefta dá um suspiro quando levanta, fazendo os cachos em seu rosto voarem.
Por último sobra seu pai, que se levanta analisando o estado de seus amigos. Ele parecia não acreditar que sua própria filha, a garota cujo ele colocava medo desde que nasceu e que julgava ser fraca e ingênua, havia acabado de destruir três homens. Havia fúria em seu olhar, mas quando ele a encara, ela não sente um pingo de medo. Ele dá um grito furioso antes de avançar nela, e quando chega perto, ele agarra seu pulso onde está a faca e o pressiona com força contra um pilar de madeira atrás dela. Ele bate a mão dela ali umas três vezes, e com um grito doloroso, e diante da dor, Nefta acaba por deixar a faca cair.
- Você...- a voz do homem está arrastada de raiva. – nunca vai se livrar de mim. Vou te assombrar pelo resto de sua vidinha miserável.
- Seu cretino! – ela acusa, logo depois cospe na cara de seu pai.
Quando ele a joga no chão, a dor se espalha por todo seu corpo, a fazendo gemer. Jogada ali, ela sentiu uma vontade absurda de chorar e se lamentar, como sempre fazia. Mas antes que fizesse, analisou novamente o que havia feito com aqueles homens. Como fez aquilo? Ela não sabia. Mas sabia que não estava limitada às palavras de seu pai. Ela era forte, poderia sair daquele lugar, e sairia. Nunca mais permitiria se sentir presa novamente. Quando seu pai estava se aproximando por trás, Nefta se vira e, aproveitando a fenda entre suas pernas, o chuta vez naquele meio. O homem grita com dor com as mãos naquele lugar e se ajoelha, e ela aproveitando sua vulnerabilidade, pega a faca. Assim que a pega, faz a coisa mais cruel que nunca se passou por sua mente: Nefta corta a garganta de seu pai.
Ele encarava a filha, com algo que nem mesmo ela imaginaria ver algum dia: medo. Seus olhos ainda estão fixos nela quando o sangue escorre pela sua boca e pescoço. Ele cai para o lado, e Nefta sem ao menos piscar, se senta ao seu lado. Sem demora, pergunta:
- Gostou do show, papai? – na sua voz, algo está irreconhecível. Ela sentiu a maldade dentro de si.
Ele tenta pegar em sua mão, mas ela desvia.
Sem esperar por algum tipo de resposta, ela se levanta e caminha em direção a escada com a faca em mãos. Antes de chegar no final, encara por cima dos ombros, aqueles homens caídos. Mas fixa seu olhar em seu pai.
- Espero que tenham se divertido.
Deixando os gemidos de dor dos homens para trás, ela sobe as escadas com um sorriso e vai embora.
...
Caminhando lentamente sendo iluminada apenas pela luz do luar, atrás de si, Nefta ouve algo que a faz sorrir: o som da explosão de sua casa antiga. Com o barulho do fogo se espalhando atrás de si, pensou em como não foi nem um pouco trabalhoso explodir aquele lugar. Já sabia todos os segredos daquela casa, jamais sentiu tanta facilidade em fazer algo.
Atrás de si, uma explosão, sua maior conquista até o momento; em sua frente, seu próximo desafio, seu futuro.
Ela continua caminhando até que em sua frente, passa um homem. Ele usava um casaco tão grande de couro que alcançava suas canelas, em sua cabeça havia um chapéu gigante com uma pena branca, notou também grandes botas pretas ao caminhar; mas o que chamou mais a atenção da garota, foi uma espécie de cintos com algumas facas e pistolas penduradas no quadril do homem. Os olhos dela brilhavam as encarando. Ela não soube o momento em que começou a se encantar por armas. O homem olhou em sua direção ao ouvir a explosão. Ele corre até a garota, talvez preocupado pelo sangue na faca em que ela segurava.
- O que houve garota? Você está bem? Onde estão seus pais? – a enxurrada de perguntas fez Nefta apenas apontar para trás. Ele arregala minimamente os olhos. – Mortos?
Ela assente.
- Eu matei. – A frase sai como um veneno amargo pela boca da garota, mas logo se transforma em algo adocicado.
Ele analisa seu rosto e suas roupas, tentando acreditar que a morte de seus pais foi um evento causado por pura defesa. Mas teve a certeza que não havia sido apenas isso, quando reconheceu um brilho nos olhos da garota após sua última frase. Ele reconhecia esse brilho, melhor do que ninguém. O homem se agacha, ficando da altura dela e com um sorriso, pergunta:
- Qual seu nome criança? – questiona, curioso pela garotinha que acabou de encontrar. Ela dá um passo para trás, insegura com a aproximação do homem, então ergue um pouco da faca. – Não precisa se preocupar, vou te ajudar.
Nefta o encara por um tempo, desconfiada. O homem sorri, pensando que aquela garota teria uma personalidade forte. Mas após alguns segundos o analisando, abaixa a faca e responde:
- Meu...meu nome é Nefta. – ela gagueja, ainda um pouco insegura.
- Cracks, - ele estende a mão. - Capitão Cracks. – Hesitante, ela se aproxima e aperta sua mão. – Vou cuidar de você. – Ele, antes de tentar encostar a mão nos cabelos dela, a encara, vendo se ela permitiria. Nefta não se opõe, então ele passa a mão por seus cachos. – vou cuidar de você, bem ali.
O moço gentil aponta para longe, e apertando um pouco os olhos por conta da distância, Nefta reconhece a figura ao longe: era um porto, onde estava estacionado o maior navio que ela já havia visto. A menina não se contem ao pôr a mão na boca, em choque pelo que via.
Naquele momento, dependendo de sua escolha, sabia que sua vida mudaria. Mesmo sabendo que já havia mudado quando decidiu pôr um fim á sua casa e sua vida passada.
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Laços de vingança: em busca do tesouro perdido
AdventureNefta e seus amigos, levam uma vida de farra, roubos, bagunça e aventuras. Porém, após um trágico acidente, a vida dela e de todos, leva um novo rumo. A busca por vingança, respostas e justiça, se tornam algo insaciável. Mas espera! Algo ocorre em s...