Todas as noites Maite é beijada, mas por quem? E por quê?
🧛🏻
⚠️ | Peço encarecidamente que leia a introdução antes de começar a leitura, para que seja evitado futuros desentendimentos.
Acho que estou definhando. William continua com suas visitas noturnas, pois todas as noites o sinto acariciar meus lábios com os próprios.
Já faz algum tempo que não o vejo, aliás, eu nunca o vi de verdade. O que eu vi foi apenas sua sombra na escuridão. Após aquela noite eu nunca mais falei com ele, apenas o sinto. Quando abro meus olhos durante a madrugada não me surpreendo ao ver meu quarto vazio. Eu quero saber quem ele é na verdade.
Quero saber o porquê de estar a minha espreita. Quero saber porquê me descontrolo internamente pela simples presença dele aqui durante as noites frias. Por que ele sempre faz isso? Beija-me e em seguida desaparece. Por que durante as noites?
- Moça?
Sinto-me abatida ultimamente, também gostaria de saber o que ocorre comigo, de onde vem esse mal estar repentino. Estou com medo.
Deslizo minha mão até minha testa e fico um bom tempo nessa posição, juntamente com meu cotovelo apoiado no balcão onde estou confinada.
- Você está bem?
Olho pra frente e vejo um pequeno garotinho me encarando curioso. Acho que já está aí há um bom tempo, mas perdida em meus devaneios nem o notei.
- Me desculpe! O que queria? - Ele me sorri tímido e estende para mim um livro grande, que segurava com as duas mãozinhas fofas - Ah, Sim! Pode deixá-lo aqui.
- Obrigado moça! - O vejo saltitar até a saída. Adoro as crianças que vem aqui. Adoráveis e inteligentes, pequenas traças de livros.
Levanto-me da cadeira giratória e no momento ela não me parece ser a única que gira.
- De novo não - me encosto no balcão em busca de apoio. Essa sensação de agonia novamente, sinto-me sufocada, minha cabeça dói e minha visão está me deixando de novo, não quero bater nesse chão frio. Mas é inevitável meu corpo já está cobrindo parte do mármore.
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- Solte-me ou eu gritarei! - ordenou a donzela. Ela se debatia, tentando livrar os pulsos daquelas mãos fortes que os prendiam contra a parede de pedra.
- Grite se quiser! De nada adiantará - Seu mal feitor a advertiu. Ela o olhou com o mais puro ódio, tinha repulsa por ele. Esse maníaco a perseguia já fazia algum tempo, desde que o vira no teatro, o que queria com ela afinal? - Talvez se a senhorita curvar-se perante minha grandeza eu possa livrá-la desse constrangimento.
- Não estou constrangida, cretino! - Ela o viu sorrir com malícia. Aproximou o rosto do ouvido da jovem e nele sussurrou.
- Então por que está rubra? - Ela fechou os olhos com força e tentou mais uma vez livrar os pulsos, inútil. Odiou-se por estremecer ao senti-lo tão próximo a si.
- Não seja arrogante! Jamais me causaria tal efeito. - Ele fechou os olhos e os manteve assim por um bom tempo, ainda a mantendo presa.
A arrogante era ela, com toda a certeza. Aquela dama da côrte ainda se renderia a seus caprichos, não admitia o fato dela não temê-lo, embora a perseguisse constantemente, desde que a vira em uma noite solitária que resolvera perambular pelo teatro. A mataria sem hesito a hora que quisesse, mas não sem antes atormentá-la um pouco mais.