Último Capítulo

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Michelle Lautor, esse era o seu nome. A jovem donzela de olhos castanhos, e sorriso cativante. Irritante e soberba.

- Eu não posso acreditar que você é mesmo um vampiro, William. - ela dizia, enquanto caminhava distraída ao seu lado. - É por isso que nunca o via durante o dia. Certa vez, ouvi da minha babá que vampiros não suportam a luz solar.

Ela, alegremente, continuou a relatar todo o seu conhecimento sobre vampiros e seu secreto fascínio pela noite. E William reparou o quanto o seu comportamento imaturo havia mudado. Ela, agora, parecia uma inocente criança, diferente da senhorita de garras afiadas e língua ferina que ele cutucava. Logo alcançaram uma pequena praça e Michelle quis descansar um pouco de sua caminhada.

Humanos, William pensava, fracos ao extremo.

- Por que veio para essa cidade, William? - ela perguntara ao sentar-se em um banco de ferro. Ele permaneceu em pé, parado à sua frente, fazendo-lhe uma sombra opaca.

- Sangue novo. - elucidou, apenas, sorrindo satisfeito ao ver Michelle assustar-se com sua falsa expressão de perversidade. - Você é muito jovem, senhorita Latour. Seu sangue nobre deve ter um gosto indescritível. - inclinou-se um pouco, seus olhos tornando-se rubros enquanto segurava o queixo delicado.

Ela encarava os olhos cor de sangue, írrita. Ele sempre a punha nessas situações sufocantes e eletrizantes. Sabia como enrubescê-la e sabia como fazer seu coração palpitar temeroso e emotivo.

- Pare! Eu não quero ser mordida! - ela o empurrou, mas não obteve sucesso algum. Ele nem movera-se do lugar.

Inclinando-se um pouco mais, o conde alcançou o seu pescoço, cheirando a pele macia. - Quem disse que irei morde-la, Michelle? - voltou-se para trás, fitando-a, sublime. Os braços encurralando-a no banco.

Não obteve palavras de volta, a moça estava muda. Ele, simplesmente, inclinou-se mais uma vez para que pudesse beijá-la. E quando alcançou os lábios rosados, experimentou-os calmamente, sentindo o pescoço ser segurado por pequenas mãos quentes.

No momento em que acariciou o rosto da dama, ela arrepiou-se com a frieza de seus dedos.

E no beijo, Michelle, hora ou outra, sentia a ponta dos caninos de vampiro raspando em seus lábios quando ele sugava-os. Apertou os fios de cabelo da nuca do conde enquanto sentia a língua dele esfregar-se com a sua.

Quando separaram-se, Michelle permaneceu de olhos fechados, sentindo ainda as mãos dele sobre sua bochecha.

- Você é mesmo arrogante. Como ousa beijar-me dessa forma? - o sorriso no rosto denunciava que estava brincando. - Vamos, William? - pediu. Ele segurou sua mão, a ajudando a se levantar.

- Acompanhar-te-ei até sua casa. Não quero que vá sozinha, pode ser perigoso para uma humana.

- Certa vez eu disse e direi outra vez: O único perigo que conheço é você, Conde Levy.

Ele curvou os lábios em um sorriso discreto, enquanto retomavam a caminhada.

Os passos de Michelle cessaram de repente, e William olhou para o lado, vendo-a com os olhos apertados.

- O que há, Michelle? - quis saber, sério.

- Eu não sei, mas estou tonta. - ela procurou apoio, mas não havia paredes por lá e suas mãos tatearam o ar. - De novo, não!

O conde segurou-a, antes que viesse a despencar sobre o chão. Ela ofegava e tinha o semblante comprimido.

- Sua humana idiota, não seja fraca! - apertou-a nos braços ao escutar a batidas preguiçosas de seu coração. - Fique acordada, irei deixá-la em sua casa.

O Beijo do VampiroOnde histórias criam vida. Descubra agora