Quando Leon e Matilde perceberam, Pedro fora engolido por braços e pernas de piche.
Tiffo continuou correndo, sem notar o que acontecia; o escudo mágico azul lhe tampava completamente a visão.
E Pedro enfrentou a horda de Famintos sozinho. Ele saiu girando a espada, o rosto contraído de ódio, matando um monstro depois do outro... Suas roupas ficaram encharcadas de líquido preto, e os cabelos empaparam, caindo numa franja pesada sobre sua testa.
Quando Tiffo finalmente chegou no pátio do Cristal e desfez o escudo, ele viu Matilde e Leon apontando para trás com os rostos brancos de incredulidade.
— O-o quê? — indagou Tiffo, voltando-se na direção que eles indicavam.
O mago enxergou a figura furiosa de Pedro, imparável, com praticamente um rio de piche sobre seus pés, e os bichos continuavam vindo.
— Temos que ajudá-lo! — exclamou Tiffo. — Ele está fazendo uma grande proeza...
CABRUM! — Tiffo mal acabara de falar e um trovão esbranquiçado e reluzente veio da rua principal, atingindo Pedro em cheio.
O camponês transformou-se por breves milissegundos numa figura preta envolta por um clarão intenso, que fez com que todos fechassem seus olhos.
Assim que tornaram a abri-los, viram o corpo de Pedro no chão, sem vida, com a pele toda esturricada.
— Não, Pedro, não! — berrou Matilde, indo às lágrimas.
Leon e Tiffo se boquiabriram, encarando estarrecidos o homem que caminhava pela rua principal. Os Famintos que há pouco atacaram Pedro agora se reuniam ao redor dele, que ainda tinha a mão com que lançara o raio levantada e rígida.
— Isso é o que acontece com quem tenta resistir! — exclamou Alfredo. — Vocês não precisam mais morrer. É só entregarem o Cristal!
Tiffo sequer ouviu o que ele falou; estava com tanta raiva pela morte de Pedro que não pensou duas vezes antes de atirar um trovão arroxeado na direção do traste.
Mas um escudo de piche se materializou diante de Alfredo, absorvendo o feitiço.
— Droga! — disse Leon, desesperado, pois sabia que Tiffo não tinha chances contra aquele demônio.
Matilde atirou várias vezes, porém suas balas sumiram no ar assim que se aproximavam o bastante para atingir o feiticeiro, desaparecendo numa nuvem de vapor.
— Chega de brincadeira! — gritou Alfredo, cuspindo saliva e erguendo os dois braços de uma vez.
Três cordas se materializaram no ar, envolvendo-se ao redor dos defensores sem que eles tivessem tempo para reagir.
O cajado de Tiffo rolou pelo chão, e o mago caiu junto dos companheiros, tentando respirar com o aperto daquelas correias.
— V-você vai pagar por isso! — disse Leon, cerrando os dentes.
— Ah, eu não — disse Alfredo. — Mas essas pessoas inocentes pagarão o preço por líderes que não sabem se render.
Até o momento, os camponeses continuavam parados em volta do Cristal, tremendo feito cachorros com frio, sem conseguir tirar os olhos da terrível figura do mago das trevas.
— Deixe-os em paz! — disse Matilde, tentando sem sucesso pegar o rifle caído com as mãos amarradas.
— Hora do almoço, gracinhas. — Alfredo fez um sinal com os dedos, e os Famintos avançaram rosnando sobre os camponeses.
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OS DEFENSORES DA FLORESTA MÁGICA
FantasiaPara proteger o Cristal Vital, Tiffo, Matilde e Leon têm que dar o seu melhor!