Eles foram se aproximando da Vila Demoníaca por uma trilha estreita e abafada. As copas das árvores mortas tapavam a luz do céu quase que completamente, deixando-os numa atmosfera macabra e escura.
Logo chegaram de frente para o portão, que era feito de ossos de fêmur enfileirados e colados.
Tiffo proferiu um encantamento e ergueu o cajado. Depois de um clarão forte, a porta se escancarou, revelando uma rua principal silenciosa, ladeada por casas velhas e de janelas quebradas.
Entraram sem falar nada, atentos a qualquer movimento suspeito.
O que eles não sabiam ao passar pela abertura da muralha é que dois olhos negros os encaravam por detrás de uma moradia. Olhos sem carne ou sangue, mas que mesmo assim podiam ver.
A criatura se agitou, e em seguida, saiu correndo para algum lugar, na intenção de avisar seus companheiros sobre os invasores.
Tiffo de repente estancou, cheirando o vento.
— Tem alguma coisa aqui.
— Onde? — disse Matilde, tirando os olhos do mapa e virando-se para ele. — Não vejo nada.
— Eu também não — disse Leon.
— Eu não sei a localização específica — disse Tiffo. — Mas é aqui perto. P-parece uma energia sombria, amaldiçoada...
— Era de se esperar algo assim num lugar como este. — Matilde tornou a encarar o mapa. — Bom, aqui diz que a Espada está perto do Cristal Vital, mas eu acho que o desta vila já deve ter se desintegrado.
— Lá na frente? — Leon apontou para o final da rua em que seguiam.
Matilde confirmou com a cabeça, atentando-se para o que, um dia, fora a praça central daquele lugar.
O Cristal Vital já não existia ali. Havia apenas destroços e muitas ervas daninhas ressecadas, que cresceram até ocultar o espaço da pedra. Era como uma pequena selva dentro da vila.
Então, eles continuaram, se aproximando mais da praça de minuto a minuto, andando o mais lentamente possível, observando bem os arredores.
Foi quando, de repente, ouviram muitos sons de passos, e pararam com os corações quase saindo pelas gargantas.
— Céus! — exclamou Tiffo, rodando o pescoço de um lado a outro, procurando a origem das batidas. — Fiquem juntos!
Leon e Matilde pegaram suas armas, tendo a moça já guardado o mapa nas vestes. Reuniram-se num pequeno círculo de três pessoas, enquanto os passos aumentavam de volume.
Logo, escutaram também risadas, que romperam o vento em ecos assustadores.
A primeira caveira então saiu de trás de uma casa próxima, caminhando desengonçada na direção dos defensores. Era um cadáver ambulante, somente feito de ossos, carregando nos dedos uma cimitarra afiada.
BANG! — Matilde explodiu a cabeça da criatura com um tiro de energia, fazendo com que o corpo animado tombasse, suas partes ossudas desmontando no ar e caindo no chão.
— Ai, não! — gritou Tiffo, encarando outra casa com os olhos arregalados.
Das janelas da construção, brotaram múltiplos esqueletos, todos eles armados e furiosos, batendo as mandíbulas secas. Numa avalanche mortal, os monstros correram para cima dos defensores, que estavam acuados e cheios de medo nos corações.
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OS DEFENSORES DA FLORESTA MÁGICA
FantasyPara proteger o Cristal Vital, Tiffo, Matilde e Leon têm que dar o seu melhor!