Os esqueletos que sobraram correram de volta para seu covil, embrenhando-se ainda mais na densidade da neblina esbranquiçada.
Tinham os rostos ossudos embebidos de fúria e desgraça; queriam se vingar dos três forasteiros que apareceram e os humilharam dentro de seu próprio lar!
Após alguns minutos caminhando numa fila indiana torta, eles pararam de frente para uma casa. Mas essa casa não era como as outras... Tinha um ar ainda mais sombrio que as demais, com janelas negras e obscuras, pelas quais se podia ver um único cômodo desarrumado e fedorento.
Os esqueletos saltaram as janelas, um por um, sendo envolvidos por um odor asqueroso de mofo.
Assim que todos eles pisaram no assoalho e voltaram os olhos vazios para o cômodo, uma silhueta disforme se movimentou, erguendo-se das tábuas úmidas e podres.
A criatura de uns dois metros e meio de comprimento piscou para o grupo de esqueletos, abrindo a bocarra para falar:
— Por que atrapalham meu sono profundo, servos preguiçosos?
Alguns ossos tremeram, chacoalhando, recuando na direção da parede.
— C-chefe — disse uma das caveiras, aproximando-se lentamente do monstro oculto pela escuridão. — São os defensores! Eles nos atacaram. Nos derrotaram, e marcham agora para... — Ele fez uma pausa, batendo os dentes de receio com o que falaria a seguir: —...Para a Espada!
O monstro arregalou os olhos, as pupilas brilhando numa ira súbita.
— De jeito nenhum — falou, com a voz pastosa. — De jeito nenhum! Ninguém coloca as mãos nela... Não enquanto eu viver! Saiam da frente, demônios! — Sem dar outro aviso, o imenso corpo avançou sobre os esqueletos. Alguns deles foram esmagados pelos largos pés da criatura, sendo reduzidos a meros montes de cacos calcificados.
Os que sobreviveram saíram correndo pelas janelas, arrependidos de terem acordado seu tão temido mestre; assim que chegaram à rua, fugiram por ela, desaparecendo dentre as casas antigas.
POW! CRAC! — A parede da moradia do chefe ruiu, revelando o ser que a demolira... Um monstro gigantesco, de pele desbotada e pelancuda recobrindo camadas e mais camadas de carne flácida. A cabeça era como um coco jovem, careca. O bicho apertou os dois olhinhos miúdos e negros para a escuridão, cerrando os dentes por detrás dos beiços engordurados.
— Posso sentir o cheiro deles — falou, fungando com as narinas catarrentas. Então, abriu um largo sorriso, e seguiu para a rua principal, quebrando cercas e muros ao rebolar as cinturas grossas.

VOCÊ ESTÁ LENDO
OS DEFENSORES DA FLORESTA MÁGICA
FantasyPara proteger o Cristal Vital, Tiffo, Matilde e Leon têm que dar o seu melhor!