Destino ou coincidência?

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Quem é você?

Alguém perguntou de algum lugar, no meio da escuridão.

Tentei falar, mas nada saiu.

Eu sei que está aí... Por favor... Responde...

A voz era feminina e murmurava, como se aumentar o timbre fosse ruim. Tão ruim quanto a sensação que tomava conta do meu ser, mesmo que eu não soubesse a razão.

Por que está fazendo isso?

Comecei a andar, com os braços tateando o breu, em direção a voz desconhecida.

Eu não queria nada disso! Eu...

A escuridão se esvaiu assim que abri os olhos e vi o teto da mansão de Tamlin. Minha respiração ofegante e eu podia ouvir meus batimentos, as gotas de suor escorrendo por minha testa e os sons dos criados vindo do corredor pareciam extremamente alto.

─ Se eu soubesse que ia ser acordado assim, teria te colocado num quarto separado.

Olhei pro lado, em que Andras estava semideitado, usando o braço como apoio pra cabeça, me encarando como quem quisesse me esfolar. Seu outro braço suspenso no ar, como se tivesse pegado alguma coisa invisível, mas pelo ângulo dava a impressão que tinha tentado me acordar e tirado a mão para fingir que não.

─ Na próxima, me coloca no quarto do Lucien.

─ Por que?

Sorri maliciosamente, me sentando e me espreguiçando.

─ Sempre quis experimentar o fogo outonal.

─ Vai sonhando.

Me levantei, indo pro banheiro e me troquei sem rodeios, colocando o mesmo vestido. Mexi nos cabelos só com os dedos, pra dar uma enganada no visual pavoroso, lavei a face e saí do quarto sem falar nada pro branquelo que não deu outra, veio atrás de mim.

Diferente da noite passada, a casa estava cheia de criados circulando e todos usando máscaras de pássaros; conversando entre si a medida que iam rumo aos seus destinos, alguns nos encaravam ou acenavam, mas jamais falando diretamente conosco.

─ Onde pensa que vai?

─ Casa.

─ Ao menos sabe voltar?

─ Own ─ o olhei pro canto de olho ao descermos a escada, rindo cínica ─, 'tá preocupado?

─ Nem fodendo.

─ Então, não me enche.

Andras rolou os olhos, entrando no meu campo de visão, sério, de braços cruzados.

─ Eu 'to preocupado comigo.

─ E daí?

─ Por isso, vou te acompanhar até a Muralha, pela minha segurança.

Suspirei fundo, não crendo no que ouvi.

Não preciso de babá.

Seria extremamente benéfico té-lo me escoltando, considerando os perigos que rodeiam essas terras malditas, mas por que eu queria mandar ele se foder e me deixar ir sozinha?

Uma gargalhada se fez presente repentinamente e se revelou ser Lucien assim uma das portas do salão fora aberta. Ele segurava uma maçã mordida, nos encarando com um sorriso estampado enquanto se aproximava.

─ Tem estado com muito medo ultimamente, Andras.

O lobinho lhe lançou um olhar feroz ao ter o amigo na nossa lateral, mas Lucien não parou.

Clare Beddor - ACOTARWhere stories live. Discover now