Densidade

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Às vezes me pergunto se estou pegando pesado demais com algumas situações descritas aqui. Bom, gente ruim não tem limites e acredito que vou conseguir externar bem isso nessa história.
Boa leitura! 🖤

                                  (...)



Era um início de noite fresco e agradável. 

— E como estão as provas? Você está estudando direitinho, né? 

Rafaela andava pelo quarto enquanto fazia uma vídeo chamada. Do outro lado da tela, Maria, sua irmã caçula, estava contando como estavam sendo os dias após sua irmã ir viajar. 

— O professor passou só slides. Tive que estudar História por vídeo aulas. 

Rafa riu com a expressão de tédio da menor. Era tão sistemática com tudo, até mesmo com sua irmã mais velha, odiando quando ela invadia o seu quarto para pegar suas roupas de volta. Maria era terrível. 

— O importante é você se esforçar. Sabe como é difícil conseguir uma vaga no instituto federal, ainda mais você que quer ser veterinária. 

— Não quero mais. 

Maria deu uma risada arteira, caminhando até a sua penteadeira e abrindo a maleta de maquiagem. Cismou com um delineado de uma maquiadora especializada em arte gótica e agora queria fazer igual. 

— Não? Por quê? 

Intrigada, caminhou até a janela de seu quarto, prestes a fechá-la, no entanto, ficou com sua atenção presa na imagem de Maria, que estava rindo da cara dela, enquanto arriscava em fazer um delineado gatinho a princípio. 

— Eu tô vendendo algumas artes minhas. Então estive pensando em apostar nisso. Droga… 

Reclamou, vendo que errou um dos olhos e ficando bem estranho. Rafaela caiu no riso, se apoiando na parede próxima da janela, enquanto zombava de Maria. Mas o que era algo bobo entre duas irmãs, mudou quando a expressão da mais nova ficou séria. 

— Tem um vulto lá fora? 

— Como assim? — Rafaela se virou, olhando melhor a rua e vendo que tinha uma pessoa caminhando ali. Andava devagar, parecendo-se com um idoso. — Vulto, Maria? Você não vai me assustar desta vez, está bem? 

Rafaela encarou a tela do celular outra vez, vendo que Maria estava muito séria. Não era uma brincadeira da parte dela, mas o que ela disse não fazia sentido algum. Não havia vulto na rua, apenas alguém passando por ali naquele início de noite. 

— Eu sei o que eu vi. Tinha alguém parado na rua, olhando para sua janela. Rafa, você mal enxerga. Seu óculos tá com a lente boa ainda? 

Franzindo o cenho, abriu melhor a janela e colocou parte do corpo para fora, conseguindo assim ver melhor a pessoa que ainda caminhava vagarosamente. Maria colocou tanta coisa na cabeça de sua irmã que ela se sentiu levemente alarmada.

Se bem que, os nossos instintos, muitas das vezes nos alertam quando algo está errado. 

— Maria, era só um velhinho. 

— Sabe quem também era um velhinho? 

— Você não vai fazer nenhum comentário escroto, garota. Vai logo estudar e vê se dorme cedo, ok? 

Impôs incisiva, vendo sua irmã replicar suas ações de forma debochada. Fazia isso tanto com Rafaela, quanto a mãe de ambas. Acabaram rindo, enquanto se olhavam com ternura. 

— Eu te amo. Se cuida, viu? 

— Também te amo. Tchau! 

Maria desligou a chamada assim que se sentiu envergonhada. Rafaela sabia que era algo atrelado a idade de sua irmã, que havia completado dezesseis anos recentemente. Era tímida e gostava apenas de ficar em seu quarto, desenhando e escutando rock. 

A Manifestação do Mal Onde histórias criam vida. Descubra agora