CAPÍTULO 12: Itadori

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Suguru e Satoru olharam um para o outro para confirmar suas intenções. Eles não poderiam voltar atrás depois de feito. Ambos assentiram. Suguru respirou fundo e abriu a porta do escritório de Yaga.

O professor estava sentado na sua mesa fazendo algumas anotações, quando viu os garotos, franziu a testa.

- Algum problema? - Perguntou, largando a caneta.

Satoru deu um passo à frente.

- Sim - disse com os olhos brilhando -, e ele é você.

Yaga se levantou.

- Como é que é, moleque?

Satoru revirou os olhos.

- Nos poupe desse teatro, nós já sabemos que é o traidor.

Os olhos de Yaga foram para Suguru.

- Do que ele está falando? Você concorda com isso? - perguntou, confuso.

Suguru ergueu o queixo, ele precisaria ser forte.

- Sabemos que está trabalhando com a maldição do Amor - disse, mantendo a voz fria. - Sabemos que a deixou escapar.

O rosto de Yaga foi tomado por uma expressão de fúria.

- Estão loucos?! Ela matou o meu único filho, como eu posso estar trabalhando para ela?

Satoru fez um gesto de descaso.

- Certo, já...

- Cale a boca, pirralho! - gritou Yaga, apontando o dedo para Satoru. - Você não tem o direito de me acusar!

- Suas atitudes o acusam - disse Suguru. - As pessoas podem não saber, mas nós sim, sabemos do que esconde em seu escritório.

A fúria de Yaga evaporou e transformou-se em medo. Nesse momento, Suguru soube que ele contaria tudo.

- Vocês contaram sobre a barreira para mais alguém? - Yaga perguntou, exaltado.

Satoru riu.

- Com medo?

Yaga o olhou feio, ele parecia menos irritado.

- Vocês são dois idiotas - disse.

Suguru sentiu que algo estava errado. Yaga não parecia ser um espião pego no pulo, depois de citarem a barreira, ele esqueceu completamente a história.

Suguru se aproximou da mesa do professor.

- O que tem atrás da barreira? - perguntou.

- Contaram para mais alguém? - indagou novamente Yaga.

Suguru respondeu.

- Não.

Yaga relaxou.

- Ótimo.

Satoru então compreendeu.

- O que está protegendo?

Yaga olhou para os dois, pensando. Depois de um suspiro, apoiou a testa na mão.

- As coisas que eu passo - murmurou. - Venham, seus idiotas.

Ele retirou a estante e abriu a porta secreta. Yaga removeu uma parte da barreira e os dois alunos o seguiram, um pouco desconfiados.

Dentro da barreira, havia uma escadaria para baixo, feita de pedra, com teia de aranha e esverdeada pelo tempo. Eles desceram alguns metros e chegaram a uma porta de ferro.

Yaga a abriu, e uma luz cegou Suguru por algum tempo. Quando pode enxergar, seu queixo caiu.

Era um cômodo grande e bonitinho, com piso de madeira e um tapete fofo, as paredes eram cobertas por uma azul bebê e desenhos de ursinhos. Pelo quarto de bebê, vários ursos de pelúcia andavam de uma lado para o outro, levando brinquedos, lápis de cor e papéis de desenhos. No lado oposto, um panda de pelúcia brincava de lego.

Nós Nascemos para MorrerOnde histórias criam vida. Descubra agora