POV EDGAR.
8 anos de idade.
Estou exausto dessa vida aqui, parei de contar o tempo depois dos três meses, a beliche velha em que durmo virou o único lugar que encontro conforto, enquanto o cheiro de mofo me sufoca. Estou sentado olhando em volta, as crianças que estão aqui conversam entre si, algumas animadas e as que são recém chegadas assim como eu, estão cabisbaixa, era de se esperar depois que as pessoas que eram para te amar, te abandonam como se você não fosse nada.
Minha mãe prometeu que voltaria, mas mentiu, sua volta nunca acontecerá, mas o que de errado eu fiz? Éramos somente eu e ela, sempre, e sempre fomos felizes, nada nos faltava, tínhamos nossa casa e sempre dormíamos vendo Tv depois de ter comido algo mágico como ela dizia, por que ela me deixou se tínhamos uma vida tranquila?
Eu não tenho e nunca tive um pai para recorrer, ela sempre dizia que ele nos abandonou no momento em que soube da sua gravidez, pode parecer duro, mas ela nunca me escondeu isso. "Você tem que ser forte!" "Você pode ser mais do que ele." "Edgar, você vai ser um homem forte!", cresci ouvindo isso, pensando que ela sempre estaria ali comigo, para ver isso se realizar.
Mas afinal, o que aconteceu?
Quando eu perguntava quem era o meu pai, ela não falava, lembro de seus ombros ficarem sempre tensos apenas com a lembrança do homem desconhecido para mim. "Ele dá medo, um dia você saberá", era sempre a mesma resposta. Quando paro para pensar também nesses momentos, lembro-me quando ela me repreendia por coisas erradas, seus olhos eram de desprezo e raiva, como se não fosse a mim que visse e sim meu pai, ela nem falava comigo por alguns dias.
"Você parece com o diabo, com aquele diabo" eu a ouvi uma vez murmurar enquanto cozinhava depois de saber que briguei na escola, quebrando o nariz de um menino mais novo. Foi uma coisa boba, mas eu fiquei com tanta raiva, que não pude me conter, e por ser bem maior para minha idade, o machuquei.
Eu não sei, nada parece certo e além de mim, ela deixou apenas a pulseira que tanto gostava comigo, com suas iniciais gravadas "D.D", eu me agarrava naquele pequeno objeto na esperança de sua volta, a saudade dela me dilacera, onde ela está? Por que me abandonou? Apesar de saber que ela não voltaria, no fundo eu queria estar errado, tinha esperanças dela aparecer a qualquer momento e me levar de volta para nossa casa.
Sou desperto dos meus pensamentos por Alan, que esbanja um sorriso irritante, como ele consegue estar feliz nesse lugar extremamente sombrio? Sei seu nome pois ele é o único que insiste em me chamar para brincar, se apresentou assim que me viu mesmo eu não tendo perguntado seu nome.
- Edgar, vamos brincar! Lá fora está um sol lindo! - Pegou a bola que estava no chão em seguida.
- Não estou afim - Deitei na cama, olhando para a cama de cima.
- Vamos cara, desde que chegou você não sai desse quarto, sei que é difícil... mas não pode ficar assim.
- Já disse que não estou afim.
- Tudo bem - Suspirou - Se mudar de ideia, estarei no pátio.
Ele saiu logo em seguida, quicando a bola, o som irritava.
Levantei-me bruscamente depois de um tempo, e andei devagar até a saída do quarto, esse quarto era apenas para meninos, ao sair fui surpreendido por algumas meninas que passaram correndo me fazendo cair. Resmunguei ao levantar e quando levantei meu olhar, uma menina estava com a expressão de espanto, seus cabelos enrolados, sua pele cor oliva e os olhos cor de mel, prenderam minha atenção por um momento.
- Sinto muito, não foi por mal.
- Vocês não deviam estar correndo no corredor!
- Sinto muito de verdade, foi somente eu, não conte para o diretor.
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Promessa Perigosa
RandomOlívia, herdeira de uma empresa em crise, é forçada a casar-se com Cristian, um homem enigmático com conexões obscuras. A pedido de sua mãe, ela sacrifica sua liberdade para honrar a memória do pai. No entanto, Cristian esconde segredos sombrios e s...