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- Seu pai sabe como nos conhecemos? - ela perguntou com a voz trêmula.

- Eu disse que foi num restaurante, por acaso e sem planejamento que nós nos encontramos. Não tinha ideia que era você, até ele me mostrar uma foto sua na empresa.

- Por que ele fez isso?

- Por que estava orgulhoso do seu trabalho. De verdade, meu pai te admira.

- Se ele soubesse que eu já me prostitui por quase um ano, ele mudaria de ideia e tenho certeza que você não me admira. - ela fez o gesto de descer da cama.

- Ei... Eu não me importo com o seu passado, se ele fosse importante jamais estaria aqui.

- Eu sempre fui assim... Não nego que é o meu grande defeito, me iludo facilmente quando estou carente e depois da morte do meu marido eu fiquei frágil. Estava aprisionada em dívidas e tentando manter um padrão de vida que sozinha nunca conseguiria.

- Meu pai falou que seu marido era um homem inteligente, um engenheiro da Petrobras. Ele não lhe deixou nem se quer uma pensão?

- Não. Ele tinha dois filhos adolescentes e a pensão ficou para eles. O regime do nosso casamento era separação total de bens e eu só fiquei com o carro e o apartamento por que os dois estavam no meu nome, no mais teria ficado no olho da rua por que a ex dele não me deixaria ter nada.

- A vida não é justa Juliette.

- Não mesmo. - ele segurou nas mãos dela e deu um beijo em cada uma.

- Eu estou aqui hoje por que acreditei que não havia me esquecido. Não te esqueci um dia sequer e nas horas mais difíceis as suas palavras de incentivo me davam força para continuar. Pode ser que eu não tenha muito tempo, mas o pouco que tenho quero dividir com você. Casa comigo minha Juliette?

- Fala sério?

- Falo muito sério. Eu sou completamente apaixonado por você.

- Sim! Sim!

Ela falou com empolgação e Rodolffo a abraçou forte. Depois ele pegou uma caixinha no bolso da calça e mostrou um delicado anel de noivado a Juliette.

- As alianças escolheremos em breve, mas não há pedido de casamento sem anel de noivado. - ele colocou a jóia e ela ficou um pouco folgada. - Não sabia o seu tamanho ao certo, mas nós ajustamos depois.

- Não importa... É lindo. Eu amei.

- Que bom. Agora que tal se a gente tomar um banho e depois seguirmos para a minha casa? Esse ambiente não é o mais indicado para mim.

- Sua casa é a mesma do meu chefe?

- É... Eu moro com eles, também não tenho como morar sozinho. Lá em casa tenho tudo que preciso para viver estável.

Juliette ficou pensativa.

- Eles sabem que eu te amo. - ele segurou no queixo dela. - Não vai ser chocante te verem comigo.

- Então eu vou...

Juliette e Rodolffo tomaram banho e trocaram muitos beijos no chuveiro. Ela estava tão feliz que parecia que sonhava. Sua solidão acabara e ela estava amando e sendo correspondida.

...

A casa do seu chefe era sofisticada e muito imponente, mas ela não encontrou com ele e nem com ninguém naquela noite. Foram direto para o quarto de Rodolffo e ela o ajudou no que foi necessário.

- Isso é remédio?

- Não. É que eu tomo vitaminas e elas me fornecem a força para as minhas atividades.

- Você não se alimenta?

- Muito pouco ultimamente, mas as vitaminas suprem todas as minhas necessidades.

Juliette olhou para ele um pouco assustada.

- Não fique assim. Eu já estive pior antes, agora estou melhor.

- Acho que nós não deveríamos fazer amor, isso requer muito de você.

- Sim... Mas eu até estou melhor nessa parte, o nódulo do testículo desapareceu ou foi um diagnóstico errado, não sei ao certo, só sei que não precisei operar. O maior dos problemas é o câncer no sistema linfático, até a metástase do pulmão foi controlada.

- Graças a Deus.

- Eu já fiz um transplante de medula e meu pai foi o meu doador, mas os médicos constataram que não foi suficiente. Eu preciso de outro transplante.

- Eu posso doar?

- Sim, mas provavelmente não é compatível. Da minha família inteira só meu pai foi, mas juntos nós podemos mudar isso.

- Você e eu?

- Sim. - ele acariciou a barriga de Juliette.

- Um filho? Um bebê pode te salvar?

- Pode.

Juliette juntou sua testa com a dele e lhe olhando nos olhos disse:

- Que Deus me permita engravidar. Eu quero muito que tenhamos um filho, ainda mais agora.

Ele a trouxe para deitar junto dele e enquanto a vitamina era absolvida pelo seu corpo, seus dedos faziam carinho nos cabelos de Juliette, fazendo ela adormecer nos seus braços.

...

Suíte N°150Onde histórias criam vida. Descubra agora