O QUARTO DE VI ESTÁ FEDENDO A SUOR, o mesmo suor que escorre de sua testa, que corre por entre seus seios enfaixados, que deixa a sensação da pele queimante enquanto bafora ar para fora. O baque de seus punhos contra o couro sintético do pior tom de laranja ecoa pelo quarto, mãos hábeas, braços rápidos, músculos de sua coxa tonificada se apertando contra o tecido quando ela testa chutar.
Treinando, ela se convence, soltando a raiva é o mais perto de explicar o sentimento agora. Depois daquela maldita noite, onde percebeu o seu coração se inclinando de forma graciosa para Thalia, quando percebeu que estava amando um pouco demais os momentos, a forma que a risada dela soa seca na frente do bar, ou como segura o microfone de forma intimista, gostando demais da forma o qual sua mão se encaixa perfeitamente em sua bochecha, do toque sutil, acalorada, cheio de palavras não ditas, gostando demais de tê-la ao seu lado, quase sete dias por semana, no formato de sua cintura, no subir e descer de seu peito ao respirar.
Droga, Vi realmente entrou em uma merda gigantesca agora, por que ela só gosta de quem não deveria? Primeira uma executora e depois, sua amiga de infância. Thalia é tudo que Vi tem, literalmente, e agora, pode colocar a perder por causa de sentimentos bobos (Vi diz isso, mas sabe como não são nada bobos a esse ponto).
E depois daquela noite, Thalia literalmente está com ela quase toda hora, mais do que deveria, do que devia. Sempre com um pretexto, batendo em sua porta com um saco de pães e geleia de morango, dizendo que lembra do cabelo da Vi quando não era pintado, não comentando o quão caro pagou naquela droga de geleia, e quando Vi pergunta.
❞Apenas garantindo que está comendo descentemente❞
Então iria atirar uma pedrinha contra ela quando Vi sai do fosso, toda maquiada para mais uma noite de cantoria, sorrindo de forma idiota, ajudando a remendar os cacos de Vi sobre o chão, brincando sobre os machucados, sempre fora do fosso, nunca dentro, Violet exigiu isso, não queria Thalia a vendo daquele jeito.
Vi quer Thalia pensando nela como um dia foi, com as piadas, flertes idiotas e sem sentido, com o sorriso de lábios rachados, com o cabelo caindo no rosto enquanto cozinha qualquer merda que ela pedir, mesmo se não souber como cozinhar, Violet quer que Thalia pense nela como ela é, e não uma fera fora de controle dentro do ringue.
Seus olhos azuis percorrem o quarto, parando sobre o parapeito da janela perigosamente alta, Thalia sentada bem ali, um cigarro entre os lábios, cachos escapando para fora da janela junto ao vento, parecendo tão linda segurando folhas em branco e girando uma caneta entre os dedos. Com a falta do desespero para buscar emprego, das tardes correndo por Zaun, ela vem tendo mais tempo para passar com Vi, ou sendo produtiva e criando, Violet mesmo já a viu, andando de um lado ao outro, murmurando, tocando melodias, como se as engrenagens estivessem girando, como em um clip, de um lado para o outro, batucando os lugares, e quando começa a ficar mais confiante, aumentando o volume da voz, gritando em seu banheiro uma parte que gostou. Thalia vem se dividindo em se esgueirar pelo apartamento de Vi e tentar coisas novas que ela antes não conseguia.
E assim Thalia está sentada no seu parapeito, fumando para aliviar algum tipo de estresse, enquanto bate a caneta contra o papel, parecendo pensar em algo, parecendo quase suplicar por algo, franzindo os lábios dessa forma, contraindo o cenho.
Vi volta a socar o saco com um sorriso nos lábios, porra, claro que já tinha imaginado coisas assim antes, Thalia jogada sobre o colchão, sentada no parapeito, escorada no batente da porta, se olhando através do espelho de seu banheiro, resmungando como a iluminação é uma merda para se maquiar, Violet conseguia se ver dividindo esse lugar com Thalia, e não admitiria quantos cenários já ocorreram em sua mente, quantos deles Thalia usava suas blusas, suas meias se misturando no cesto de roupa, a voz sonolenta pela manhã, Vi rindo ao vê-la se arrastando pelo apartamento pequeno, as fotos na geladeira, o sofá grande de Thalia, os tênis jogados na entrada e risadas boas enquanto se jogam no tapete.
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𝑅𝑖𝑡𝑚𝑜 𝑑𝑎 𝐷𝑜𝑟 ─ᴀʀᴄᴀɴᴇ─
Fanfiction❞Os malditos olhos de Thalia, que marcaram sua alma e seu corpo, e agora, Vi se via viciada como uma droga na imensidão deles❞ ༗ Às vezes, o amor é lindo, como botões de rosas em seu desabrochar, pe...