A noite estava fria e silenciosa quando Nolan chegou a casa de Jhonatan, ambos cansados depois de mais um dia de treinamento. No entanto, o ambiente ali parecia estranho. Havia algo no ar, uma sensação que ambos não conseguiam identificar imediatamente, mas que fazia o cabelo de seus pescoços se arrepiar.
"Você percebeu isso?" Jhonatan perguntou, com a voz baixa, como se temesse que algo pudesse estar ouvindo.
Nolan, que estava mais atento aos seus sentidos aguçados, assentiu. "Sim... não estou gostando disso. Algo não está certo."
Eles ouviram um rangido vindo do andar de cima, e, com passos cautelosos, subiram as escadas. Ao chegarem ao corredor do quarto de Jhonatan, uma visão aterradora os fez parar abruptamente. Na porta do quarto, uma marca de garras profundas rasgava a madeira, como se uma fera tivesse tentado entrar.
Jhonatan se aproximou lentamente da porta e olhou para Nolan. "O que você acha? Não parece um golpe de humano, né?"
Nolan, com seus sentidos aprimorados pela transformação que mal começava a entender, examinou mais de perto a marca. Era algo que nenhum ser humano poderia ter feito. A pressão, a profundidade, a força por trás daquela marca... Aquela sombra que tinham visto na noite anterior, no escuro, não era de um humano. Era de um lobisomem.
"Alguém esteve aqui. E não veio para uma visita amigável", disse Nolan, com a voz grave, e com a sua tensão aumentando.
No momento em que Nolan terminou de falar, algo brilhou na parte inferior da porta, algo escrito. Jhonatan se agachou rapidamente, observando com mais atenção.
"Você está sozinho, e não terá ajuda", leu Jhonatan em voz baixa, sua expressão se tornando ainda mais séria. "Isso... isso não pode ser bom."
Com um frio na espinha, Nolan olhou para seu amigo. "Parece que temos um novo problema, e ele não está disposto a esperar."
Naquela noite, o destino de Nolan começava a se desenrolar, e as sombras de um lobisomem estavam mais próximas do que ele imaginava.
A manhã seguinte chegou, trazendo consigo uma sensação de urgência. Nolan e Jhonatan estavam mais alertas do que nunca. Mas nada os preparou para o que aconteceu naquela noite, no fliperama.
O grupo estava ali, se divertindo. Nolan e Jhonatan estavam jogando enquanto Afrodite e sua amiga — Luna, como ela se chamava — se desafiavam em uma partida. Eles haviam demorado para se encontrar, e o clima de leve zombaria tomou conta quando Afrodite e Luna começaram a tirar sarro da demora dos meninos.
"Eu sabia que vocês iam se atrasar. Meninos sempre se atrasam", disse Luna, rindo.
Afrodite sorriu, mas algo mudou quando seus olhos se encontraram com os de Nolan. Ela se lembrou do que havia visto dele, da sua coragem, da forma como ele havia reagido durante o confronto no campo de treino. Era mais do que o simples rapaz quieto e misterioso. Ele era... algo a mais.
-- Olha, eu... eu sei que às vezes fui estranha com você, Nolan --, ela disse, com um tom mais suave do que o habitual, ainda se sentindo um pouco tímida. -- Mas eu só estava tentando me aproximar. Eu sou um pouco... eu não sei, difícil, às vezes. --
Nolan a olhou, surpreso. -- Afrodite, não precisa explicar. Eu entendo. --
No momento em que ele falou isso, algo quase mágico aconteceu. Os dois se aproximaram, e, em meio ao riso e à diversão, eles se beijaram. Era um beijo tenso, carregado de emoções não ditas, mas ao mesmo tempo doce e suave. A conexão entre eles, até então apenas sutil, se tornava algo real, algo forte.
Enquanto isso, Luna e Jhonatan estavam imersos no fliperama, sem perceber a troca de olhares e o beijo. Mas o clima de romance pairava no ar. E, como se fosse parte de uma grande história, o destino parecia querer mais do que apenas um simples passeio.
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Ecos da Lua
Hombres LoboA noite de Silverwood, uma cidade pequena e tranquila no interior do Canadá, sempre teve sua dose de mistérios, mas nunca nada que passasse de uma simples conversa entre os moradores. Até que algo começou a mudar. Uma sombra se levantava das profund...