𝐂𝐚𝐩𝐢́𝐭𝐮𝐥𝐨 𝟕

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JENNIE KIM;

— Só preciso de dez minutos — digo, fechando a porta e deixando Lisa e Tae para fora, no corredor.

Observo o quarto de Lisa enquanto baixo o meu aplicativo no celular dela e vejo o bilhete que coloquei debaixo da porta, hoje de manhã, em cima de sua cama.

Me mande uma mensagem quando tiver seu carrinho de remédios. (718) 555 3295. Vou passar aí hoje à tarde pra deixar tudo pronto.

Eu já sabia que seria complicado, principalmente porque Lisa e Barb claramente não se dão muito bem, então ela jamais a defenderia. Mas Lisa passou por cima dela e conseguiu conquistar a dra. Hamid. Eu pego o bilhete e percebo que ela desenhou uma Barb pequena e brava na lateral da folha, com seu característico uniforme colorido, empurrando um carrinho de remédios e gritando: "NÃO FAÇA EU ME ARREPENDER DISSO!".

Balanço a cabeça, um sorriso escapando dos meus lábios enquanto solto o bilhete e vou até o carrinho de remédios real. Reorganizo alguns frascos de comprimidos, me certificando mais uma vez de que tudo continua na mesma ordem cronológica que programei no aplicativo depois de fazer uma referência cruzada com o horário dela rabiscado.

Verifico o notebook dela de novo para checar quanto tempo falta para terminar o download do link que enviei, e tento não respirar mais do que o necessário dentro do quarto infestado de B. cepacia.
Oitenta e oito por cento concluído.

Meu coração dá um pulo quando escuto um barulho do lado de fora da porta e afasto minha mão do teclado, com medo de que tenham nos descoberto. Por favor, não seja a Barb. Por favor, não seja a Barb. Ela deveria estar no horário de almoço, mas se já voltou e começou sua ronda de segunda à tarde mais cedo, vai me matar.

Os passos de Lisa ecoam do lado de fora, caminhando de um lado para o outro. Vou até a porta na ponta dos pés, quase encostando a orelha nela. Fico aliviada ao ouvir apenas duas vozes.

— Você limpou bem tudo, né? — Tae pergunta.

— Lógico. Duas vezes, por via das dúvidas — Lisa responde imediatamente. — Quer dizer, obviamente isso não foi ideia minha, você sabe.

Ajeito a roupa de isolamento por cima do avental cirúrgico descartável e abro a porta, olhando para os dois através dos meus óculos de proteção.
Tae se vira no skate para ficar de frente para mim.

— Uau, Jennie. Já te falei como você está liiinda hoje?

Ele e Lisa caem na gargalhada pela terceira vez por causa do meu traje de proteção improvisado. Lanço um olhar de desprezo a eles antes de espiar os dois lados do corredor.

— Tudo certo?

Tae dá um impulso com o skate e, devagar, passa pelo posto da enfermagem, espiando por cima do balcão. Ele faz um sinal de joinha para mim.

— Só vai logo.

— Estou quase lá — digo, correndo de volta para o quarto e fechando a porta.

Observo o carrinho de remédios, suspirando de satisfação ao ver como ele está meticulosamente organizado. Mas então eu olho para a mesa onde o notebook de Lisa está e... não. Vou até lá, pego um punhado de lápis coloridos e os coloco de volta no porta-lápis de onde saíram. Arrumo das revistas e os cadernos de desenho, organizando tudo por ordem de tamanho e, então, um papelzinho cai no chão.

É o desenho de uma garota muito parecida com Lisa, segurando dois balões e soprando o ar para encher dois pulmões vazios, o rosto vermelho de tanto esforço. Rio ao ler a legenda: Apenas respire. Ficou realmente bom.

A Cinco Passos de Você - JenlisaOnde histórias criam vida. Descubra agora