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Na sala de espera da ala de cirurgia, Wonyoung tirou as luvas de látex e jogou-as em um contêiner de lixo hospitalar. Suas costas doíam depois de passar horas inclinada sobre Jimin, tirando os estilhaços da bala de prata que por milímetros não fizeram um estrago no seu coração e cuidando da ferida em seu pescoço.

– Ela irá viver? – Perguntou Aeri, quando a viu sair da sala de cirurgia. Tinha uma expressão preocupada no rosto, mas parecia enérgica.

– Logo saberemos. Espero que sim.

– Eu também – fez menção de se afastar, negando-se a olhá-la nos olhos.

– Aeri...

– Sei que sente muito. Mas o que ele fez não é sua culpa.

Enquanto a porta se fechava com um leve chiado, Wonyoung fechou os olhos.

Oh, minha nossa, a dor no peito. A dor por ações que nunca poderiam ser desfeitas.

Wonyoung deslizou contra a parede lentamente até ficar sentada no chão, e tirou a touca cirúrgica da cabeça.

Por sorte, Jimin era uma puro-sangue e tinha a constituição de um verdadeira guerreira. Era forte de corpo e de força de vontade. Embora possivelmente não tivesse sobrevivido sem a presença de sua companheira. Minjeong tinha permanecido ao seu lado durante todo o trajeto até a clínica. E, apesar de também estar ferida, relutara bastante em aceitar que cuidassem dela por que não queria se afastar de Jimin.

Wonyoung se levantou e, cambaleando, dirigiu-se até a pia do laboratório. Abriu a torneira de aço inoxidável e inclinou-se, olhando fixamente a água correndo. Sentiu vontade de vomitar, mas seu estômago estava vazio.

Os membros da Irmandade estavam lá fora. Esperando que ela levasse notícias.

E sabiam o que seu Irmão havia feito.

Antes que as coisas chegassem áquela resolução, Aeri a tinha encontrado em sua casa e lhe informado sobre as ações de Wooyoung. A guerreira jurara que se acontecesse alguma coisa com Jimin, ela iria capturar o seu irmão e o penduraria pelos pés para que os membros da Irmandade o golpeariam com os punhos nus até sangrá-lo.

Não havia dúvida de que aquilo não seria mais necessário.

Deus, se pudesse retornar àquela noite, pensou Wonyoung. Se tivesse impedido que ele saísse.

Apesar de toda a sua dor, ela tinha consciência que seu Irmão nunca deveria ter se aproximado de um membro da Sociedade Inquisidora com uma proposta tão ultrajante. Suas ações foram impensadas e agora nem mesmo ela escaparia de uma punição caso a mancha da traição recaisse sobre o legado da sua família.

Há quanto tempo vinha planejando isso? Ela se lembrara da última vez que haviam se visto, o irmão a olhara fixamente com seus terríveis olhos negros, e Wonyoung se deu conta imediatamente de que ele estava diferente. Wooyoung estava cheio de ódio e ressentimento.

Ela respirou fundo, preparando-se para sair para o vestíbulo.
Ao menos podia assegurar aos membros da Irmandade que fizera o que pôde na cirurgia, e não com a intenção de conseguir o perdão para o irmão morto. Sabia que não tinha escapatória. Ainda que tivesse sobrevivido ele seria executado pelo que havia feito. Seria só uma questão de tempo.

Na sala de cirurgia, dera o melhor de si, porque era a única maneira de compensar a atrocidade que ele havia cometido. E, além disso, os três guerreiros armados até os dentes e aquela lupina feroz que esperavam lá fora pareciam ter o coração devastado.

Mas o que mais a motivara a lutar com todas as suas forças pela vida de Jimin fora a pungente dor que vira refletida nos olhos de Minjeong. Ela conhecia bem aquela expressão horrorizada de impotência. Ela mesmo a experimentara enquanto vira sua cunhada morrer em suas mãos.

Moonless Night - WinRinaOnde histórias criam vida. Descubra agora