012

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Visão Duda.

"Eduarda, como assim você não está apaixonada pela Sofia?"
Apaixonada era pouco para o que eu sentia por aquela mulher. Não existiam palavras para descrever o amor que transbordava em mim por ela.

Por que eu fui falar isso? Que droga de impulsividade. Sou uma idiota.

Antes que ela pudesse responder, Luísa me chamou. Havíamos combinado de ir embora juntas, e, naquele momento, isso parecia a única alternativa para tentar esquecer Sofia. Pegamos um Uber, mas o clima estava insuportavelmente desconfortável. O silêncio no carro era sufocante — e não daquele tipo de silêncio tranquilo, mas um que pesava no peito.

Todas as minhas atitudes naquela noite eram influenciadas pelo álcool.

— Vou ficar na sua casa, tá bom, gatinha? — Luísa sussurrou ao pé do meu ouvido.

Nenhum pelo do meu corpo se arrepiou. Absolutamente nada. Só uma pessoa conseguia causar isso em mim.

— Claro, linda. — Respondi, sem esforço algum para soar animada.

Depois disso, não trocamos mais nenhuma palavra. Encostei minha cabeça na janela do carro e deixei meus olhos se perderem na chuva que caía em São Paulo. Era o tipo de dia perfeito para pensar... ou me torturar.

Quando chegamos, fiz o mínimo esforço para manter qualquer intimidade sob controle. Chamei Luísa para assistir a um filme. Troquei de roupa e emprestei um pijama meu. Mas ela, é claro, escolheu justo o de cetim — o mesmo que Sofia havia usado da última vez que esteve aqui.

Cada vez que eu olhava para Luísa, não era nela que eu pensava. Era na Sofia.

No meio do filme, ela se aproximou mais de mim, encostando o corpo no meu. Droga. Lá estava ela de novo... Sofia invadindo minha mente, sem pedir licença.

Quando Luísa virou o rosto para dizer algo, agi por impulso. Beijei-a. Talvez para silenciá-la. Talvez para me silenciar.

Ela correspondeu de imediato, cedendo espaço para que nossas línguas se encontrassem. Não era ruim... mas também não era bom. Nossas bocas não tinham urgência, não dançavam em sintonia. Eu estava ali, mas minha mente estava longe, apenas desejando que fosse Sofia no meu colo, no meu beijo.

Luísa não se importou, ao contrário, aprofundou o beijo, puxando-me para mais perto, e eu não tive forças para me afastar. No fundo, sabia que era errado. Sabia que estava me entregando a algo que não queria, algo que não passava de uma distração. Mas, quando ela deslizou a mão por minha coxa, puxando minha perna para sobre a dela, uma onda de calor percorreu meu corpo.

Eu sabia onde isso estava indo, e o pior... minha respiração estava acelerada, meu corpo respondia, mesmo contra a minha vontade. Ela me olhou nos olhos, com aquele brilho travesso, e sussurrou:

— Quer que eu continue?

Eu fechei os olhos, tentando me concentrar, tentar controlar o que estava acontecendo. Mas o desejo estava lá, puxando-me para a beira de algo que não queria cruzar. Eu podia sentir a pulsação acelerada em minhas têmporas, o peso de suas mãos explorando minha pele.

Mas era Sofia que eu queria. Era ela quem eu desejava, era ela que eu queria ter ali, em meus braços, e não Luísa. Eu estava me afogando numa confusão de sentimentos e de vontade, e tudo o que eu conseguia fazer era pedir em silêncio que esse momento acabasse, mas sem força para realmente afastá-la.

Ela se inclinou para me beijar novamente, e eu... não fiz nada. Fui arrastada, por impulso, pela minha própria necessidade de sentir algo. E no momento que seus lábios tocaram os meus, a única coisa que eu via, com a mente nublada, era Sofia.

Nem vou falar para voces imaginarem, ces não vão imaginar mesmo KKAKAKKKAKAKAKKKA.

O que nós somos? - SoardaOnde histórias criam vida. Descubra agora