Seus X Meus

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ANDRAS


A bruxinha não lutou contra ser levada para longe da mina e pela forma como sua respiração suavizou ao ser carregada pelo cachinhos de anjo, ela adormeceu em seus braços durante a caminhada que durou uns quinze minutos.

No instante que saímos do campo aberto, ao adentramos o bosque, toquei o ombro dele e nos atravessei.

O ambiente denso nublado mudou bruscamente para a cabana de madeira - de um único cômodo - onde eu tinha me encontrado com Jake há alguns minutos. O observei se afastar e a colocar na cama individual posta na lateral.

─ Ela vai precisar descansar ─ falou ao checar sua temperatura, a cobrindo e se virou pra mim com os braços cruzados ─, então, não enche nem tenta acordar minha dama, ferinha.

Revirei os olhos, as mãos na cintura.

─ Posso esperar. Já disse que não vim atrás dela atoa.

─ Pode levar horas.

─ Isso são minutos pra mim.

─ Não vai mesmo falar por que quer tanto falar com ela?

─ Você é o que? Secretário dela?

Jake me deu as costas, indo até a bancada amadeirada, tirando de lá uma caneta azul e pegou a garrafa amarela. Pelo cheiro que saiu assim que a abriu, se serviu de café e tomou uma boa golada.

Ele não pensa em me oferecer?

─ Se fizer qualquer merda com ela...

Ele esqueceu que contrato não me deixa a ferir mesmo que eu queira muito ou só é burro?

─ Vai fazer o quê?

Ele me fitou por cima do ombro, seu olhar negro brilhando intensamente.

─ Acha que é intocável, ferinha? Geralmente, essa laia são os primeiros a cair...

─ E o que um inseto medíocre como você pode fazer?

A risada baixa de Jake ecoou pela cabana e logo se voltou a minha direção, com a caneca em mãos e a fumaça quente saindo dela.

O som de tosses vindo da cama nos fez olhar para tal. A bruxinha encarava o teto, a mão ocultando os lábios, os olhos vidrados e seu coração retornando a bater freneticamente.

─ Minha dama?

Ela inclinou o rosto, fixando o olhar nele.

─ Está com dor?

Não, ela não está. Ou eu estaria sentindo.

─ Me reconhece? ─ ele apontou a si próprio, já ela manteve as orbes semiabertas como filetinhos. Jake levantou três dedos ─ Quantos dedos têm aqui?

Sacudi a cabeça negativamente ao me dirigir próximo ao pé da cama, me apoiando na parede cheirando a coisa velha e cruzei os braços. Assim, ficando meio fora do visão da bruxinha.

─ Vai com calma, porcelana.

Jake me lançou um olhar irritado, me mostrando o dedo do meio com a outra mão.

─ Clare? 

Tene... bris...

Os cachinhos angelicais largou a caneca na bancada e se aproximou, sentando na beira da cama e tirou algumas mechas da testa dela que caíam sobre seus olhos, que não permaneceram abertos por muito tempo. Jake suspirou, vendo-na cair no sono novamente.

Clare Beddor - ACOTARWhere stories live. Discover now