música pulsava em meus ouvidos, mas minha mente estava em outro lugar. Desde o momento em que cheguei na mesa, eu sentia os olhos de Sofia sobre mim. Ela tentava disfarçar, fingindo que estava ouvindo as piadas dos meninosi, mas eu conhecia aquele olhar. Sempre conheci. Ela me estudava, analisava cada movimento meu, e o motivo era óbvio: Luísa.
Luísa estava na pista de dança, se movimentando de um jeito que fazia metade das pessoas no salão olharem para ela. Eu devia estar olhando também, me importando, mas tudo o que conseguia fazer era reparar na tensão que crescia entre mim e Sofia.
Era como se o ar ao nosso redor estivesse carregado, prestes a explodir. Sofia estava irritada. Não precisava perguntar para saber disso. Ela sempre ficava assim quando Luísa estava por perto, mas fingia que não. Típico dela.
Cruzei as pernas, encostando-me na cadeira e encarando Sofia de frente. Eu sabia que a forma como ela me olhava não era só irritação. Havia algo mais ali. Sempre houve.
Ela levantou o copo à boca, mas eu percebi quando seus dedos tremeram levemente. Ela estava incomodada, e, por algum motivo, isso me dava prazer. Era errado? Talvez. Mas eu gostava de provocá-la, gostava do poder que tinha sobre ela.
Quando todos começaram a se espalhar, a tensão só aumentou. De repente, éramos só eu e ela na mesa. O silêncio entre nós era quase ensurdecedor, mesmo com a música alta ao fundo.
Eu sabia que, se abrisse a boca, aquilo ia terminar em discussão. E, sinceramente, eu queria isso. Queria que ela falasse o que estava entalado, o que sempre ficava nas entrelinhas.
Mas, como sempre, foi Sofia quem começou.
— Sua namoradinha está bem animada, hein? — A voz dela cortou o ar como uma faca.
Revirei os olhos.
— Luísa não é minha namorada. — Cruzei os braços, meu tom mais defensivo do que eu pretendia.
— Ah, não? Porque, pra mim, parece bem isso. — Ela deu um gole na bebida, os olhos fixos em mim, desafiadores.
Respirei fundo, tentando manter a calma.
— Por que você se importa, Sofia? — perguntei, minha voz baixa, mas carregada de tensão.
Ela riu, um riso curto e sarcástico, que me irritou ainda mais.
— Eu? Me importar? Não seja ridícula, Duda.
Inclinei-me para frente, apoiando os cotovelos na mesa, encarando-a de perto.
— Não minta para mim. Você acha que não percebo? Toda vez que estou com Luísa, você muda. Fica... assim. — Apontei para ela, como se o próprio gesto explicasse tudo.
— Assim como? — Ela arqueou a sobrancelha, a voz fria, mas os olhos entregavam tudo.
— Irritada. Com ciúmes. — Soltei as palavras, desafiando-a a negar.
— Ah, Duda, me poupe. — Sofia revirou os olhos, mas seu rosto estava corado, e eu sabia que havia atingido um ponto sensível.
— Não tenta negar. Porque, se você não se importasse, não estaria aqui, nessa mesa, me jogando indiretas.
Ela largou o copo na mesa com força, me encarando como se quisesse me matar.
— E você acha o quê? Que eu vou ficar sentada, sorrindo, enquanto você fica bancando a namoradinha perfeita com a Luísa?
As palavras dela me atingiram como um tapa, mas não deixei transparecer.
— Do que você está falando?
— Do que eu estou falando? — Sofia soltou uma risada seca, incrédula. — Você quer mesmo que eu diga?
Eu permaneci em silêncio, esperando que ela continuasse. E ela o fez, porque Sofia nunca sabia quando parar.
— A gente sempre teve... isso. Sempre teve algo. E você sabe disso. Mas, ao invés de... sei lá, lidar com isso, você prefere fugir. Você corre para Luísa, como se ela fosse algum tipo de... distração.
Meu peito apertou com as palavras dela. Sofia tinha um talento para transformar meus próprios pensamentos em armas contra mim.
— E o que você queriaa que eu fizesse, hein? — retruquei, a voz mais alta agora. — Queria que eu me jogasse aos seus pés? Que eu te dissesse tudo o que sinto enquanto você fica rindo da minha cara?
Ela piscou, surpresa com a minha explosão, mas logo se recuperou.
— Não coloca isso em mim, Duda. Não finge que a covarde aqui sou eu.
As palavras dela eran como facadas, e eu sentia o impacto de cada uma.
— Covarde? — soltei, rindo sem humor. — Você quer falar de covardia, Sofia? Quem foi que fugiu daquela conversa naquele dia? Quem foi que não teve coragem de me encarar quando eu...
Parei. Não consegui continuar. O nó na minha garganta era grande demais.
Sofia me encarou por um momento, os olhos dela brilhando com algo que eu não conseguia decifrar. Raiva? Tristeza? Decepção? Talvez tudo isso junto.
— Você não entende, não é? — ela disse, a voz mais baixa agora, quase um sussurro. — Eu só queria que você dissesse alguma coisa. Qualquer coisa.
E, com isso, ela se levantou, pegou o copo e foi embora, me deixando sozinha na mesa.
Eu fiquei ali, assistindo enquanto ela se afastava, o peito apertado com uma mistura de raiva e arrependimento. Sempre terminava assim. Sempre sobrava algo não dito entre nós, algo que nenhuma de nós tinha coragem de enfrentar.
E, pela primeira vez naquela noite, eu me permiti olhar para a pista de dança. Luísa ainda estava lá, sorrindo, se movendo no ritmo da música, completamente alheia ao caos que ela, sem saber, ajudava a causar.
Peguei meu celular, querendo mandar uma mensagem para Sofia, mas parei. O que eu diria? Que ela estava certa? Que eu não sabia lidar com o que sentia por ela?
Guardei o celular de volta e virei um gole da minha bebida. Não importava. Não agora. Eu sabia que, no final das contas, essa história entre mim e Sofia estava longe de acabar.
—————-/————
Não revisei o capítulo gente! Só digo uma coisa. Toda essa discussão vai valer a pena.

VOCÊ ESTÁ LENDO
O que nós somos? - Soarda
FanfictionTudo o que esta escrito é oque basicamente queriamos que estivesse acontecendo. O ponto de partida da historia é quando a Sofia, em um pograma, coloca a mão por debaixo da mesa, na perna de Duda.