capítulo 10 - Riat Archer
Um caos se instaurou dentro de mim no momento em que Kate me chamou com urgência, sem dar detalhes. Eu sabia que era algo grave, mas... isso? Isso ultrapassava todos os limites da minha paciência, que já não é muita.
— Esses filhos da puta... tocaram na minha mulher? Na minha Lua? — rosnei, encarando-a.
Meu ódio não era direcionado a ela, mas ela tremia sob o peso do meu olhar, que transbordava tempestade. Um riso escapou dos meus lábios. Os homens atrás da minha noiva me encaravam, curiosos, enquanto ela quase desabava em lágrimas.
— Kate, vamos sair daqui para você me explicar melhor. — Minha voz saiu doce, contradizendo o turbilhão dentro de mim, enquanto pegava sua mão.
Ela estremeceu ao meu toque, como se o medo estivesse enraizado nela.
— Claro, Riat... — respondeu em meio a um soluço que escapou dos lábios.
Eu precisava ser racional. Nunca puniria Kate por algo que não era culpa dela. Eu podia ser o dono do submundo, o homem que até o diabo teme, mas Kate? Kate era gentil, leal. Para mim, ela era como uma rosa que florescia no caos. Jamais feriria alguém que considero uma irmã.
Ao sairmos, o som da porta se fechando ecoou. Foi então que vi Ekaterine desabar em um choro que nunca imaginei que ela pudesse soltar. Ela sempre foi reservada. Meus braços a envolveram num abraço reconfortante.
— Eu juro, eu tentei ser mais rápida! Ela... ela precisa de ajuda, Riat! — Kate soluçou, frustrada.
Meu coração apertou, minha mente me torturava com imagens da minha Lua sozinha, vulnerável.
— Eu... eu vou... mesmo que acabe presa! — Kate disse, determinada.
Havia algo mais nisso, algo que ela não me contou. Por que diabos ela estava tomando para si a dor de uma mulher que mal conhecia? A minha mulher?
— Acho que é melhor você ir, sim. — Pensei por um momento, antes de pegar uma chave e entregá-la a Kate. Segurei seu queixo, obrigando-a a olhar para mim.
— Prometa que fará de tudo para ajudá-la. Por favor. — Meus olhos marejaram, apesar de minha voz permanecer firme.
Surpresa, ela pegou as chaves e acenou com a cabeça, pronta para sair. Antes que fosse, segurei seu ombro.
— Qualquer coisa que ela precisar... se for dinheiro, use este cartão sem hesitar. Entendido?
Entreguei o cartão, e Kate, sem questionar, o pegou antes de sair. Observei-a secar as lágrimas e desaparecer pela porta.
Agora... o mais importante.
Virei-me para a porta, abrindo-a devagar. Lá estavam eles: os dois miseráveis que ousaram tocar na minha coelhinha.
Caminhei lentamente até eles, a tristeza que eu sentia por Lua se transformando em uma fúria fria e calculada.
— Me sigam. Se tentarem fugir, eu vou caçar vocês até o inferno. Ficou claro? — Minha voz saiu calma, mas carregada de um veneno que faria qualquer um tremer.
Sem resistência, eles obedeceram. Levei-os até um pequeno quarto que, ironicamente, tinha tudo de que precisavam: cama, cozinha, banheiro. Era perfeito demais para eles, e essa perfeição seria o prelúdio do inferno.
— Vocês são adultos, sabem se virar sozinhos. Aproveitem.
Eles assentiram, tolos demais para desconfiar. Saí, trancando a porta atrás de mim. Eu precisava que eles estivessem bem cuidados, limpos, prontos para o que viria.
Caminhei apressado para fora, pouco me importando com minha vulnerabilidade sem seguranças. O que importava era Lua, minha Lua. A necessidade de vê-la, de tocá-la, de curar cada ferida dela, consumia meu caos interno.
Lua era a calmaria que apaziguava meu mar tempestuoso. Ela era o motivo de tudo, minha razão, meu único propósito.
Cheguei à casa dela em menos de dez minutos e fui direto para o meu apartamento. A angústia era insuportável. Na varanda, sentei-me na cadeira habitual, observando a vista. Procurei por ela e por Kate.
Quando as vi rindo e comendo sorvete, uma paz inexplicável tomou conta de mim. O ódio que me corroía foi substituído por uma necessidade imensa de cuidar dela. Mas algo me incomodava: como Kate conseguiu entrar tão facilmente na casa dela?
Uma pergunta sem resposta, mas vê-las juntas, bem, me trouxe um alívio. E então, sorrindo como um bobo apaixonado, murmurei para mim mesmo:
— Minha Lua Carmin... um dia você terá um sobrenome que a honre como merece.
♡Continua♡
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Night Stalker Endless Pursuit
Romance!Não é relacionada ao caso do perseguidor noturno! 🔞Dark romance 🔞totalmente indicado para maiores de 18 anos Uma garota que se agarra na vida por uma simples promessa começa a receber cartas com.... Ela fica entre o medo e algo novo para lhe dar...