capítulo 13 - Lua carmin

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Depois desses três dias que passei com Ekaterine, eu me sinto muito melhor, mas ainda carrego as marcas do que aqueles caras fizeram. Eles conseguiram quebrar algo que já estava em pedaços. Ekaterine sugeriu que eu procurasse um psicólogo, oferecendo-se para pagar tudo. Ela até me deu um cartão de débito com aproximação e disse que eu poderia usar sem me preocupar. Apesar de sua generosidade, não consigo evitar de pensar onde está meu perseguidor. Faz oito dias que ele não dá sinal de vida...

No meu quarto, escolho uma calça cargo preta, uma blusa branca larga e um par de tênis Nike. Olhando no espelho, meus olhos caem no colar que uso constantemente. Sem perceber, dou um sorriso tímido. Apesar de tudo, ele foi a primeira pessoa a demonstrar cuidado comigo. Meu stalker.

Já na entrada do shopping, espero por Noah e Beatriz. Eles não demoram a chegar, e, assim que os vejo, meu corpo relaxa um pouco.

— Caramba, Lua, seu estilo mudou muito. — Noah comenta, examinando minhas roupas mais soltas.

Beatriz não perde tempo e dá uma cotovelada nele.

— Noah, fica quieto! — Depois, ela se vira para mim com um sorriso animado. — Tá pronta para as compras?

— Acho que tô mais ansiosa pela comida. — Respondo com honestidade, o que faz Noah rir.

— Claro que tá.

Seguimos para a praça de alimentação, e a movimentação típica de um sábado à tarde começa a nos envolver. Enquanto Noah e Beatriz discutem onde comer, escolho um quiosque de hambúrguer artesanal. A fila não demora muito, e logo estamos sentados com nossas bandejas.

— Então, Lua, como você tá? — Noah pergunta, enquanto devora suas batatas fritas.

— Melhorando... — murmuro, desviando o olhar. — Ekaterine tem me ajudado bastante.

Beatriz me olha com curiosidade. — Quem é essa Ekaterine?

— Uma amiga — respondo rapidamente, sem querer me aprofundar. — Ela tem sido incrível comigo.

Beatriz sorri de forma acolhedora. — Parece ser uma boa pessoa.

Depois de comermos, Beatriz praticamente nos arrasta para as lojas. Ela está em seu elemento, examinando vitrines e pegando roupas para mim como se fosse minha personal stylist. Relutante, experimento um vestido azul que ela escolheu. O tecido é justo e destaca minhas curvas, algo com que não estou acostumada.

— Uau, Lua! Com esse aí, você vai derrubar qualquer um que passar por você. — Noah brinca, um sorriso travesso no rosto.

Sinto meu rosto esquentar e tento disfarçar. — Cala a boca, Noah.

Beatriz ri, mas concorda com ele. — Ele tá certo. Você devia levar esse.

No fim, saímos da loja com algumas sacolas. Pela primeira vez em muito tempo, sinto um pequeno brilho de confiança. É estranho, mas libertador.

Continuamos passeando pelo shopping, entrando e saindo de lojas. Noah começa a reclamar de tédio quando Beatriz se demora em uma vitrine cheia de sapatos.

— Vocês estão me matando. Vamos fazer algo divertido, pelo amor de Deus.

— Cinema? — Beatriz sugere, ainda olhando os sapatos.

— Pode ser. — Dou de ombros, sem opinião forte sobre o assunto.

Escolhemos um filme de ação que parecia interessante. Durante a sessão, Noah não para de fazer comentários engraçados, e eu e Beatriz rimos tanto que nossos olhos chegam a lacrimejar. Por algumas horas, tudo o que vinha me atormentando parece desaparecer.

Ao sairmos do cinema, já era noite. O shopping estava mais calmo, e as luzes da fonte central iluminavam o ambiente com cores suaves. Sentamos em um dos bancos próximos, e fiquei observando a água dançar sob o brilho das luzes.

— Foi um bom dia. — Sussurrei, mais para mim mesma do que para eles.

— Claro que foi. Estamos aqui pra isso. — Noah disse, me cutucando com o cotovelo.

Beatriz concordou, sorrindo. — Você merece isso, Lua. Momentos leves, sem preocupações.

Queria acreditar nas palavras dela. Queria acreditar que momentos assim podiam acontecer mais vezes.

Quando decidimos ir embora, algo dentro de mim parecia diferente, ainda que de forma sutil. Talvez fosse a companhia deles, talvez fosse o calor humano que eu tanto precisava.

Enquanto caminhava para casa, percebi que ainda segurava o colar pendurado no meu pescoço, como se ele fosse um amuleto. Ele continuava a me lembrar que, apesar de tudo, alguém já tinha se importado comigo.

E, mesmo sendo um maldito stalker, ele foi o primeiro a se importar comigo.

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