──────⊱◈◈◈⊰──────
彡★ Capítulo 22: Suspeito.
No momento em que o Ifrit desapareceu, me lancei sobre Omar. Duni segurava o corpo do nosso pai, com a cabeça dele apoiada em seu colo, e o sangue que saia da boca de Omar sujando suas saias e o chão. Sem pensar duas vezes, apressei-me para realizar o feitiço de cura nele. Porém, dois guardas me puxaram pelos braços, afastando-me sob as ordens de Xariar, enquanto eu esperneava e gritava. Xariar mantinha-se soturno, com as mãos para trás e o rosto completamente impassível, enquanto os guardas me seguravam para impedir que eu fizesse algo impensado.
Imediatamente, os magos formaram um semicírculo em volta do corpo inerte de Omar, estendendo as mãos para avaliar a gravidade dos ferimentos e curá-lo dentro do possível.
Eu sabia que Omar ainda estava vivo. Se não estivesse, os magos não estariam fazendo tanto esforço para salvá-lo, debruçando-se sobre ele e tocando seu peito, enquanto uma luz emanava de suas mãos. Será que tinham feito o mesmo comigo quando desmaiei?
Eu continuava a me debater. Queria estar perto, queria ajudar. A raiva e a impotência me consumiam. Se pudesse, teria matado aquele Ifrit com minhas próprias mãos por tudo o que ele fez até agora, e o responsável por invocar essa criatura pagaria caro. Só quando tentei morder a mão de um dos guardas para me soltar foi que Xariar ordenou que eles me deixassem ir. Corri até onde os magos estavam reunidos, vendo os olhos de Omar se moverem sob as pálpebras. Duni, com expressão abatida, ainda segurava o corpo de nosso pai, enquanto os magos continuavam seu trabalho.
Depois de um tempo, senti Xariar se aproximar. Ele colocou um dos braços ao redor dos meus ombros, tentando me confortar. Ele também via que a situação de Omar era grave. Após mais alguns encantamentos e trocas de olhares entre os magos, eles se levantaram, mas Omar não acordou.
— O que está acontecendo?! — questionei, impaciente. — Por que pararam?!
O mago mais velho se dirigiu a mim, com a voz calma e controlada.
— Fizemos o que era possível por hoje. Os ferimentos são graves, há ossos quebrados em diversos pontos, e ainda há muito a ser curado. Infelizmente, nossa energia se esgotou após a batalha contra o Ifrit — ele explicou, claramente exausto, quase sem conseguir se manter em pé.
— O que isso quer dizer?! — insisti, com a voz estridente.
— Quer dizer que o vizir ficará nesse estado até que possamos nos recuperar — ele esclareceu.
— Vai deixar meu pai assim?! Ele pode morrer! Não vai sobreviver até a noite se continuar desse jeito... — Duniazade se adiantou, furiosa, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
Os magos não demonstraram reação, talvez estivessem cansados demais. Eu mesma sentia o peso da batalha em meus ombros, exausta.
— É um risco que teremos que correr. Afinal, não é só o vizir que precisa de ajuda — um mago mais jovem acrescentou, apontando ao nosso redor.
Soldados feridos, a destruição do castelo e o próprio esgotamento dos magos eram evidentes.
— Precisaremos de muita energia — uma maga completou.
Xariar dispensou os magos para que se recuperassem, e os guardas que estavam do lado de fora do castelo adentraram a sala, percebendo que a luta havia terminado, com o silêncio predominando. Os corpos foram levados para o jardim e enfileirados, aguardando o reconhecimento dos parentes para os ritos funerários. O fogo que restava foi apagado, e os escombros removidos. O castelo inteiro cheirava a morte, e, a cada esquina, conforme os nobres retornavam para verificar o que restou de seus pertences, ouvia-se choro e soluços de tristeza.

VOCÊ ESTÁ LENDO
O feiticeiro e o deserto.
FantasyTorthaí é um lugar pertencente ao domínio dos Astris, uma espécie de fada. Jade, uma jovem humana que após ser levada para trabalhar na mansão do um duque de Limethorm, um Astris, por conta de uma dívida, acaba descobrindo um livro que ao abri-lo, f...