META DO CAPÍTULO: +450 COMENTÁRIOS E EU TRAGO MAIS 💬🔥
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"— Também gosto de pássaros. — Por que gosta deles? — Porque podem voar longe quando as coisas ficam difíceis."
MARIÁ 🐈⬛
Eu não queria abrir os olhos. Aquela venda podia não estar mais ali, mas eu queria pensar que ela estava. Que eu não ia precisar olhar para aquele lugar nem para aquelas pessoas.
Eu queria tomar qualquer coisa que me fizesse esquecer do que eu fiz. Algo forte que arrancasse aquela culpa e aquele medo que percorria cada centímetro do meu corpo fazendo ele tremer.
Eu não iria abrir, eu repetia pra mim mesma, que mesmo com todos aqueles barulhos de tiro eu ia ficar ali. Eu ouvi aquelas batidas na porta fazendo meu corpo se sacudir e a voz que não me era estranha fazendo com que a minha mente duvidasse de mim mesma.
Eu nunca gostei daquele garoto, eu nunca confiei nele. Eu sempre senti um arrepio quando via ele perto do Heitor. E porque eu não acreditei em mim ? Porque eu acreditei nele mesmo com tudo me dizendo pra não acreditar ?
A possibilidade do Heitor estar realmente baleado atrás daquela porta me fez abrir sem pensar ou questionar mais nada. Eu não tinha como não pensar em fazer algo por ele. Mas aí eu abri, e ele não estava ali.
Tudo aconteceu muito rápido.
O Gabriel me olhou com um sorriso vitorioso e debochado no rosto me olhando de cima abaixo. Eu queria voar em cima dele, mais eu travei completamente ali.
Eu ainda me lembra da sensação dos braços de um homem me apertando e colocando um pano na minha boca enquanto eu gritava saindo correndo pela casa.
Eu me enfiei dentro daquele armário, mais era tarde demais.
Foi questão de segundos até eles me encontrarem ali e a voz do Heitor por a última que eu ouvi naquele momento, antes de ser arrancada com violência dali.
Eu não tinha como lutar. Não tinha como ser forte como ele pediu.
Eu estava com medo. Com um medo que eu nunca senti.
Eles colocaram aquele pano de novo enquanto me seguravam com uma força fazendo meus braços doerem e a voz dele continuava ali, na minha cabeça, antes de eu apagar.
Os gritos naquele lugar, o cheiro forte de álcool e drogas. As lembranças daquelas mãos em cima de mim. Eu estava em choque comigo mesma e eu não conseguia não sentir aquela sensação, aquele pavor enquanto tampava meus próprios ouvidos na intenção de silenciar aquela dor dentro de mim.