Capítulo 24, Lâmpada mágica.

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彡★ Capítulo 24, Lâmpada mágica.

Quando tudo já estava pronto, o deserto estava à noite. O frio tinha marcado presença à nossa volta, provando que, de fato, não era fácil sobreviver ao deserto. O vento rasgava o ar em sons sibilantes, e o silêncio era algo tão marcante que eu podia jurar que conseguia ouvir o som dos grãos de areia se locomovendo através deste. Troquei de roupa para algo mais pesado, com mais camadas de tecido para me proteger do frio, mas, conforme a noite caía, ficava cada vez mais gelado. Eu sempre fui uma pessoa que sofria no frio, muito friorenta, acostumada com o calor natural de Torthaí. Durante o inverno, ficava agasalhada o dia inteiro e andava pela casa com um cobertor nos ombros, o que não era diferente agora, no deserto.

Além das roupas, eu peguei um lençol pesado que deveria ser feito com o pelo de algum animal e saí andando até a tenda onde os magos se reuniam para discutir o que fazer com o mapa. Pedi que minhas criadas viessem junto comigo, afinal, havia algo perturbador na imensidão do deserto que me fazia não querer ficar sozinha por nenhum instante sequer.

Entrei na tenda com um barulho de alívio. Lá dentro estava um pouco mais quente, talvez por causa do calor humano ou do material da tenda, que causava algum isolamento com o calor, mas definitivamente isso era mais confortável. Lá dentro, os magos, junto com Xariar e lorde Faruk, estavam em volta de uma mesa improvisada, discutindo alguma coisa enquanto apontavam para a superfície. Ao me aproximar, percebi que era um mapa.

Era um mapa do deserto, apontando cavernas, possíveis pontos para reabastecer água e rotas. Quando cheguei, todos olharam para mim, parando o que estavam fazendo ao me ver.

– Lady Sherazade, estávamos esperando por você – disse Faruk, em sua voz esganiçada, quase acusatória.

Xariar se aproximou de mim, tocando meu ombro por cima do lençol em que eu estava enrolada.

– Você está bem? Está se sentindo mal? – ele perguntou, preocupado.

– Não, por que estaria me sentindo mal? – devolvi a pergunta, sem entender.

– Você está toda agasalhada, como se estivesse doente – ele apontou para o lençol pesado.

– É que está congelando lá fora – afrouxei mais o aperto do lençol, mas sem me desfazer dele. Iria demorar para me acostumar a esse clima extremo, já que no palácio eu não sentia tanto essa diferença.

– Ah... entendo. – acho que ele achou graça da minha reação, mas percebi que ele próprio estava usando várias camadas de roupas.

Tirei o mapa de dentro do bolso, desdobrei-o com cuidado e coloquei-o no centro da mesa. Ele não havia mudado nada, ainda estava naquele tom suave de completo nada, mas com um inegável ar místico.

Xariar ficou ao meu lado, todo mundo encarando o mapa, esperando que ele revelasse alguma coisa como se por vontade própria, no entanto, nada aconteceu. O mago mais velho e experiente cutucou o mapa com o dedo bem no centro e, por um milésimo de segundo, ele pareceu brilhar mais forte, depois voltando ao normal, indicando que havia alguma coisa ali.

Uma das magas tirou o capuz de cima da cabeça, revelando seus cabelos castanhos claros. Ela retirou um fio de cabelo e jogou-o sobre o mapa, murmurando algo. O fio se dissolveu, e o mapa começou a flutuar, enchendo todos de expectativa. O mapa, em resposta, se debateu como se fosse uma criatura viva antes de parar e cair como uma folha de papel normal sobre a mesa. Nosso muxoxo de decepção em uníssono foi audível, e a maga semicerrou os olhos em direção ao mapa, desconfiada.

A procissão de tentativas foi feita uma após a outra. Feitiços, palavras antigas poderosas, cristais e até gotas de poções foram despejadas sobre a folha, mas a resposta do mapa não passava de um brilho fraco ou um estremecimento antes de voltar à estática.

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⏰ Última atualização: Feb 06 ⏰

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