026- ultima chance

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Gerson Santos.

Acho que nunca dirigi tão rápido em toda minha vida, mas em poucos minutos eu tinha atravessado toda a barra, chegado na zona sul do rio, e já estava em frente ao hospital. Graças ao bom trânsito que estava, também.

Diferente da primeira vez, dessa vez, consegui rapidamente e de boas com que liberassem meu acesso na recepção. Subi correndo até o terceiro andar, onde se encontra o quarto que Laura ficou internada esses dias.

Ao chegar em frente a porta, abri devagar, e seus pais e a Giovana estava em volta da maca, numa conversa com a cacheada. Ao fechar a porta, pelo barulho, todos me olharam. Meu olhar foi como um imã até a Laura, e um sorriso involuntário surgiu no meu rosto, em finalmente ver ela de volta, acordada. Pela sua aparência, ninguém diz que ficou desacordada por dias e sofreu um acidente grave, ela continua perfeitamente linda.

Suspirei aliviado.

- vamos deixar vocês sozinhos - Giovana disse. Pisquei pra ela, em agradecimento

Os três saíram do quarto, todos com um sorriso largo no rosto. Me deixando a sós com a mulher, e o silencio se instalou no ambiente.

Me aproximei dela lentamente, mas sem quebrar nosso contato visual.

- trouxe pra você - entreguei o buquê de flores que comprei no caminho

- obrigada, Gerson - sorriu largo, fiz o mesmo. Ela levou as flores até a altura do seu rosto, sentindo o cheiro delas

- desculpa por não estar aqui quando você acordou, mas eu prometo que estive aqui esse tempo todo, só saí um pouco pra ficar com o Ar... - ela me interrompeu

- relaxa, a Gi e meus pais já me falaram tudo. Disseram que você ficou todos os dias aqui comigo, dormindo aqui, que nem comeu direito e dormiu. Disseram o quanto você ficou preocupado e mal em me ver assim

- porra, tu quase me mata do coração - levei a mão sobre o peito, ouvindo sua risada - nunca mais faça isso, por favor

- não prometo nada - brincou - mas obrigada por ter ido cuidar do Arthur. Meu pai disse que ele estava só chorando me querendo esses dias, e só contigo que ficou bem

- assim como eu disse pro seu pai, tenho meus truques - pisquei pra ela

- e mais uma coisa, eu ouvi você dizendo que me preferia acordada te xingando - soltei um riso nasal

Então ela realmente podia me ouvir.

- e pra não perder o costume, porque já te agradeci muito. Vai se fuder, Gerson - seu tom era de brincadeira, rimos alto juntos

- ufa - suspirei - você acordou bem mesmo. Tava até estranhando já a demora pra me xingar

- é que você não andou merecendo

- estamos evoluindo, então

A porta do quarto foi aberta, interrompendo nossas brincadeiras, e revelando um médico, alto e loiro. Giovana e os pais da Laura, entraram logo atrás do homem.

- boa noite - intercalou o olhar entre eu e a mulher na maca, mas sorrindo apenas pra cacheada

- boa noite - somente a Laura respondeu

Passado Presente - GersonOnde histórias criam vida. Descubra agora