Capítulo 40

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Rebeca Bittencourt

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Rebeca Bittencourt

Essa criança é Sofia.

—Quê?-Grito. —Como assim? Não tem como. -Meu pai só pode estar delirando. Essa situação não faz bem para ele, realmente.

—Sofia não é sua irmã consanguínea. — Explica como se não fosse nada. —Pouco depois, sua mãe conseguiu engravidar e tivemos você. Vocês não são gêmeas. -Conta como se não fosse nada.

—Meu Deus! Eu estou paralisada.

—Ela só pode ter descoberto isso. - Supõe - Esse deve ser o motivo de tanta raiva e vingança.

—Mas você disse que salvaram ela. -Justifico. - Ela não deveria ficar, tipo, grata?

—A mulher, Carmen, não estava morta. Ela conseguiu se salvar depois. A verdade é que ela tinha problema psiquiátrico e tentou se matar. Não foi seu marido. Ela não tinha marido. Era tudo mentira.

—Então vocês salvaram Sofia e ela quis a filha de volta?

—Quando Sofia tinha uns 14 anos ela veio atrás de nós, com ameaças, dizendo que tentamos matar ela para pegar a criança.

—Mamãe sabe disso?

—Não contei a ela. Sua mãe pensa que Carmen está morta.

—Mas por que minha mãe disse que esse segredo é seu?

—Porque Carmen se tornou minha amante. Ela queria que eu largasse sua mãe e ficasse com ela e Sofia. Como não fiz isso, ela tentou se matar.

—Jesus amado!-Exclamo-Está tudo tão confuso. Sofia pode ter descoberto e por isso quis se vingar de nós.-Faço uma suposição

—Ela deve ter ido atrás de Sofia e enchido a cabeça da menina de mentiras.

—Sim, mas vocês também não estão corretos nessa história.

—Sei disso.

—E agora? O que a gente faz?

—Precisamos montar uma isca e pegar Sofia.

—Como?

—Vou falar com Artur. -Diz.

Direciono-me até a saída e vou embora sem falar mais uma palavra sequer. São tantas mentiras e segredos, que estou atordoada.

Essa história sem nexo. Meu pai envolvido com a suposta mãe de Sofia. Sofia não ser minha irmã. A mulher não ter morrido e mamãe pensar que morreu. São tantas coisas acontecendo, minha cabeça parece que vai explodir.

Sofia está querendo se vingar da quase morte de sua mãe?

O que ela realmente quer?

—Artur, precisamos de uma estratégia. Para já. Acabei de descobrir uma história cabulosa. -Solto, ao telefone mesmo. A ansiedade é tanta que não consigo nem esperar chegar em casa.

—Calma, Rebeca. Onde você está?

—Indo para sua casa.

******

—Caramba, história cabulosa mesmo.

—Para você ver. A Sofia não é minha irmã. —Ainda estou atônita com isso.

—Realmente, nunca imaginaria isso. Apesar de vocês serem bem diferentes internamente.

—Meu Deus. Ainda bem que Davi é pequeno e poderemos prepará-lo para contar no momento certo.

—Sim. Mas isso não fará muita diferença, Sofia nunca foi uma verdadeira mãe para ele.

—Se você diz. - Dou de ombros. - Bem, precisamos contatar uma equipe realmente boa se quisermos pegar Sofia e nos livrarmos desse pesadelo. Isso se ela tiver viva, senão será caca-fantasma.

— Não acho que Sofia esteja viva. Ela não conseguiria sobreviver àquele acidente.

—Vaso ruim não quebra. Literalmente.

—Não, mas ela teria que ser muito imortal.

—Não podemos contar com a sorte.

— Rebeca, será que a pessoa que sua mãe viu não era Sofia ou a mãe biológica dela? -Pergunta.

—Meu Deus! Talvez Sofia não esteja mesmo viva e a mãe biológica dela tenha vindo atrás de vingança!

—O que nós vamos fazer?

—Não faço ideia. - Respondo frustrada.

São tantas coisas que não sei em que momento estarei menos frustrada e poderei enfim viver em paz.

Deus, sou eu de novo. Só um pouquinho de paz. É tudo que peço.

Mamã, vamos mimir.-Davi vem ao meu encontro e nesse momento eu esqueço dos problemas.

Porque as crianças têm esse dom. Apesar de ser difícil, é gratificante poder tê-las por perto. O coração puro de uma criança salva a nossa alma quebrada.

—Vamos.

Acabo nem corrigindo ele. Davi já perdeu tanto, que não sabemos mais nem reparar esses danos.

—Não vão me chamar? -Artur pergunta e ele só ri.

O pai vem ao nosso encontro e vamos até seu quarto. Lá ele entrega uma de suas histórias a Artur e pede que leiamos para ele.

De uma coisa eu sei: meu coração gerou esse menino. E apesar de eu não falar isso em voz alta para tirar o papel de mãe de Sofia, eu daria tudo para ser mãe desse menino.

Aliás, eu sou.

Porque quando ele precisou, quem esteve aqui fui eu.

Porque nesse momento, quem está aqui sou eu.

O ser mãe vai além do sangue. Exige a alma, o coração. Exige que você se doe nessa missão e não se importe com o que os outros vão dizer.

São tantos erros e acertos que enfrentamos, que desistir não é uma opção. Precisamos lutar até o fim e defendê-los de quem quer que seja. Eles dependem da gente. São nossos filhotes indefesos.

— Quando vem imão?

Ser mãe é também ouvir isso e não saber o que responder!

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⏰ Última atualização: Feb 28, 2025 ⏰

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