Capítulo 21

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Os dias se tornaram indistinguíveis entre as paredes frias e brutas da prisão desde então. O tempo não tinha mais contornos, apenas se arrastava, lento, interminável, como uma pena sem sentença final. Cada amanhecer era apenas um esboço borrado do dia anterior, e cada noite se fechava como um túmulo sobre ela. Os comentários ainda ecoavam em sua mente — palavras afiadas como lâminas, palavras cuspidas com ódio e desprezo, reverberando como um sino quebrado de uma capela muito velha. "Puta, vagabunda, vadia, virtuosa". As redes sociais eram apenas um abismo que Selene não podia acessar, mas ela sabia. Sabia que seu nome circulava em todos os cantos, que seu rosto estava estampado nas manchetes, que cada detalhe de sua vida, agora despida e exposta, era alvo do julgamento do mundo. Ela havia perdido o contato com tudo e todos. Não houve cartas, não houve telefonemas. Não houve rostos familiares no vidro frio da sala de visitas. No fundo, ela esperava por Cassian, ansiava por ele. Todas as vezes que a porta da cela se abria e uma carcereira a chamava, seu coração traía a mente, batendo mais forte. Cassian. Talvez ele finalmente tivesse vindo, talvez o peso daquele amor imperfeito ainda o trouxesse até ali. Mas ele nunca veio. Eles nunca lhe contaram. Ninguém lhe disse que Cassian havia tirado a própria vida. Que, após vê-los juntos, ele se perdera em um labirinto do qual não encontrou saída. Ela não sabia que, enquanto se afogava na solidão de sua cela, ele afundava no silêncio de sua própria mente.

No tribunal, eles mencionaram a falta de familiares. Selene não tinha parentes em Flerks. Não havia amigos para interceder, não havia testemunhas dispostas a suavizar o tom do veredito. Então, a decisão foi rápida, sem alarde, sem hesitação: Selene Holloway seria transferida para uma prisão de segurança máxima no estado de Oklahoma. De Flerks, o eco de seu nome logo começaria a se dissipar, como poeira levada pelo vento. Na transferência, ela viajou algemada, o rosto impassível enquanto olhava pela janela embaçada do veículo. A paisagem corria como uma fita desgastada — campos secos, árvores esqueléticas, estradas vazias. Ela deixou Flerks para trás como um fantasma deixa a casa onde foi morto. Não havia despedidas, não havia lembranças bonitas. Apenas o silêncio.

O Centro Penitenciário Estadual de Oklahoma era um monstro de concreto, um lugar que parecia feito para engolir vidas inteiras. Cercas altas de arame farpado, torres de vigilância armadas, muros tão altos que cortavam o horizonte. Quando Selene desceu da viatura, sentiu o vento frio bater contra seu rosto. Não havia repórteres ali, não havia multidões gritando. Ali, ela era apenas um número, um corpo a ser trancado em uma cela.

Nome — perguntou uma carcereira, enquanto preenchia os formulários.

Selene Carter Holloway — ela respondeu, o nome saindo baixo, como uma lembrança distante de quem ela havia sido.

— Número 217. De hoje em diante, você é isso. — A mulher puxou-a com firmeza, guiando-a pelos corredores sujos da penitenciária.

Selene não reagiu. Não havia mais indignação, não havia resistência. Ela apenas caminhava, os olhos fixos à frente, os pulsos ainda marcados pela pressão das algemas. Quando a cela finalmente se fechou atrás dela, o som metálico da porta reverberou por suas entranhas. Aquele espaço estreito, com um colchão fino e uma pia encardida, agora era tudo o que lhe restava. Ela sentou-se na beirada da cama e respirou fundo. Não chorou. Não murmurou. Selene, a assassina, a vadia, a que amava dois homens e destruiu a vida deles, ficou ali, imóvel.

Os dias passariam, e as vozes continuariam. Não as vozes reais das carcereiras ou das outras presas, mas as vozes que moravam em sua mente. "Assassina, puta, vadia, virtuosa." Palavras que não a feriam mais. Palavras que se tornaram apenas a trilha sonora de uma vida que nunca mais lhe pertenceria.

O pior era o silêncio sobre Cassian. O silêncio que ninguém ousava quebrar.

 O silêncio que ninguém ousava quebrar

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