A música ambiente tocava, e várias pessoas conversavam sobre coisas banais e obras de arte. Emily sentiu a mão começar a suar e, então, livrou-se de toda bebida alcoólica que poderia piorar a situação.
Lá estava ela, a mulher mais linda que eu já vi. Meu coração se lembrava da sensação, e meu corpo respondia a ela. A única mulher que me deixa louca, como quando o vento sopra forte e o marinheiro iniciante luta para não ser jogado ao mar.
Você já parou para pensar que respiramos sem perceber? Comigo, o sentimento é o mesmo. Eu sinto saudades de Jenna sem perceber, como se fosse um instinto dentro de mim.
Me aproximo um pouco dela, porém o cachorro alto e peludo começa a latir para mim no meio daquela festa elegante. Jenna tenta olhar ao redor para ver o que aconteceu, porém eu já tinha me afastado antes que ela percebesse.
Thing havia se esquecido de mim também?
Meu carro está estacionado na porta da galeria, e sou levada para casa rapidamente.
Totalmente escura e solitária, minha vida tem sido assim desde que toda aquela confusão aconteceu. Eu fiquei para trás, como sempre. Milhares de anos nas sombras, porém com saudades da luz.
Meu corpo se move rapidamente até o pequeno bar localizado na sala de estar da minha enorme casa. Cortinas cobrem as janelas do pequeno castelo que havia sido designado para mim. Como um pedido de ajuda, bebo um gole de uísque direto da garrafa. O reflexo do meu corpo refletido na bandeja de vidro me lembra da minha maldição. Meus olhos azuis brilham, e, por um momento, gostaria de me amaldiçoar e seguir em frente, porém não era possível.
Então, caio no chão em lágrimas, com a mão no coração. Fecho os olhos em busca de consolo, aperto o tecido da minha vestimenta enquanto grito por perdão e conforto.
— Atena, rogo todas as manhãs e noites por sua ajuda, porém, por que me abandonaste? Eu dormi com ela em sua casa e estou sendo culpada por isso? Como pode me cobrar castidade, se aquele corpo moreno é a pior das tentações entre os oceanos, terras e céus? Eu a amo. O gosto agridoce entre suas pernas, o doce de seus lábios e a melodia de seus suspiros... Ela me lembra o que era ser amada. Ouça minhas orações e me leve para casa, seja ela qual for.
Então, uma ventania abre a janela, e a lareira se acende. Emma rasteja pelo chão frio e estende a mão entre as chamas. A dor a consome, porém, quando ela se afasta, tudo se torna novo. Ela ainda era a escrava dos deuses.
Então, dorme no chão da sala de estar como uma prisioneira do destino.
Quando a manhã surge e o sol adentra entre as cortinas, Emma não se move, querendo ficar ali para sempre.
"Riiing Riiing!"
"Riiing Riiing!"
"Riiing Riiing!"
— Por Zeus, quem é o insolente que está me ligando a essa hora? — Emma diz, abrindo os olhos e caminhando pela casa. Quando estava prestes a passar reto por um telefone antigo de disco, se assusta ao perceber que ele estava tocando.
Emma engole em seco e leva o telefone ao ouvido, dizendo um "alô" hesitante.
— Olá, senhorita Myers? Sou eu, Pierre. Recebemos sua inscrição no nosso programa Tiny Hands, Big Art. Ficamos lisonjeados em ter uma pessoa como você conosco. Nosso programa começa às 7:00, porém a senhorita ainda não chegou. As crianças perguntaram se você estaria aqui. Já está a caminho?
A voz angelical, com um sotaque francês forte, ressoa pelo telefone. Porém, estavam na Inglaterra. Um estrangeiro sabia o número dela? Mas... ela não havia feito inscrição nenhuma.
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OQUE OS OLHOS NÃO VEEM (JEMMA)
RomanceNa cidade de Athena uma garota chamada Emma é amaldiçoada a viver eternamente e nunca conhecer o amor, porém não esperava que após mil anos ela conheceria uma menina cega chamada Jenna e sua vida mudaria eternamente.