Capítulo 43: A luz de adeus

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Cinco dias. Foram cinco dias, que Enid, passou no hospital, desacordada. Segundo o médico, ela estava em estado catatônico. Foi o diagnóstico que ele supôs, depois de examiná-la e constatar que os ferimentos, nem eram tão profundos a ponto de perder muito sangue. E os sinais vitais estarem bons.

Estávamos no hospital onde tudo começou. Onde conheci minha enfermeirinha, e vi seus lindos olhos, eu me apaixonei por eles, pensando sempre, que eles nunca foram pra mim.

As amigas dela, vinham aqui sempre que estavam no trabalhando, conversavam com ela, lhe fazendo carinho, e cuidando dela com muito zelo. E eu sou muito grata por isso.
Porquê? Porque eu não conseguia nem mesmo me aproximar dela. Olhar seus ferimentos, seu rostinho angelical e pele delicada e macia, maculada pelos crimes que eu ou minha família cometemos.

Então eu ficava apenas ali. Na poltrona, no canto do quarto, sentada, durante esses cinco dias, pensando...

Numa bela manhã de segunda-feira, o sol estava brilhante pelas janelas do quarto de hospital, e em quanto eu despertava, vi, meu sol, também despertado.

Aqueles lindos olhos cor de esmeralda, me olhavam intensamente.

– Eni... Nid?

– Gosto de te olhar dormindo Wed.

Eu fui até ela, quase em câmera lenta. Nunca, em toda minha vida, senti o que estava sentindo agora. Minhas pernas queriam falhar. Minha boca seca. Meu coração a algumas palpitações de parar. Mas eu fui até ela.

– Como se sente?

Proferi num sussurro, porque com toda força que fiz, foi só o que saiu.

– Um pouco de dor de cabeça. Mas te ver, bem, já melhorou muito.

Devo ter ficado com cara de dúvida, porque nem sei manter minha expressão carregada de seriedade mais, e nem entendi porque a dor de cabeça dela poderia passar por me ver.

– Só em saber que você não se feriu no meio daquilo tudo amor. Saber que você esteve segura e bem ao meu lado, já me acalma.

– Você quem se feriu Sinclair.

– Mas já estou praticamente bem. Tudo superficial, comparado a...

– A nada. Nada do que eu passei até hoje, se compara ao que você passou.

– Não vamos por esse caminho amor.

Ela levou a mão até minha bochecha, fazendo um carinho delicado ali.

– Tudo bem. Mas vamos ter que conversar depois. Tenho que avisar aos demais, sobre sua melhora.

E antes que eu tivesse a chance de pegar o celular. Cheryl entrou no quarto, e ao ver Enid de olhos abertos, correu sem cerimônia até ela, lhe abraçando. Soluços do seu choro emocionado ecoaram pelo quarto, e Enid tentou acalentar a criatura em seus braços.

Aproveitei a deixa, e lhes deixei sozinhas por uns minutos ali.

Fui passando pelos corredores, sem olhar pra ninguém, mas sei que minha aparência se destaca, entre todo esse branco ali. E os olhos se voltam pra mim. Eles cochichão entre eles, a história da Enfermeirinha, que à alguns dias, fora trazidas as pressas, pela família de mafiosos, e estava sendo protegida, pela gagster mais perigosa de Detroit. Sem dúvidas, uma história digna de ser lida, em alguma crônica sobre a cidade.

Meu caminho era o estacionamento. Fui até onde meu carro estava estacionado, me encostei no capo. E suspirei, vendo a fumaça sair da boca, pelo frio intenso.

Peguei o maço de cigarros, e tirei o penúltimo deles, teria que comprar mais. Perdi minha caixinha no meio da luta, e nem me dei o trabalho de procurar mais. E nesses cinco dias, repeti esses passos sempre, duas ou três vezes por dia.

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⏰ Última atualização: 4 days ago ⏰

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WenClair em Linhas De Sangue e o DestinoOnde histórias criam vida. Descubra agora