Sob nova direção

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Em meio a toda tristeza e medo que assolava a cidade de Aurora Celestina, havia apenas um cidadão completamente feliz.

Daniel não ligava para aquela criatura e quantas vidas ela iria tirar para sanar sua sede de sangue insaciável. Sua única preocupação estava pautada em como conseguir tirar Rafaela da casa de Dolores e levá-la até onde morava.

Ser agressivo não era a melhor das opções, mas se necessário fosse, faria algo.

“Está uma noite linda lá fora, mas alertamos aos moradores de nossa querida cidade que fiquem em casa, pois ele chegou”.

Um pouco irritado, ele desligou o som do carro, que estava sintonizado na rádio local. Havia passado cerca de uma hora desde que saiu da igreja da cidade, com a promessa de ter, finalmente, poder sobre algo que muito queria.

Não conseguia sem a ajuda de Tatiana, então saiu em busca dela. Como a mulher estava a pé, rapidamente encontraria ela pelas ruas vazias por onde percorria. Virou um quarteirão e reparou em uma silhueta pequena na praça. Estava sentada em um banco mais afastado da luz, segurando algo em seus braços.

Desligou o carro, saiu de lá e foi até aquela pessoa. Não fez deduções vazias, pois conhecia Tatiana como a palma de sua mão.

— Oi, você está bem?

Era cruel a pergunta que veio dele. Daniel não se importava com ninguém além dele mesmo e Tatiana sabia disso. Seu humor oscilou quando percebeu que ele se fez mais presente. Ergueu os olhos, avistando as feições “preocupadas” dele.

— Tati…

— Fica longe de mim! — Gritou, não ligando se isso poderia acordar algum vizinho mais próximo. — Por que me seguiu?

— Você sabe — sentou-se ao seu lado no banco da praça e encarou o semblante abatido dela. — Preciso da sua ajuda.

— Você é um maldito desgraçado mesmo, sabia?! — Proferiu com ódio dele. Agora que as coisas estavam ruins, não faria esforço algum para fingir que tudo estava bem. — Me deixa em paz!

— Está dizendo isso porque eu não quis ficar com você — argumentou calmamente, ficando despojado diante dela e da situação terrível que caía sobre eles. — Escolheu esse garoto ao invés de mim e dos planos que fiz pra nós dois.

Tatiana ficou visivelmente surpresa com o que ele disse. A questão é que gente ruim, sempre consegue se superar nas atrocidades que executa ou fala. Daniel sempre conseguia ser alguém pior dia após dia.

— Como consegue deitar a cabeça no travesseiro, sabendo que é alguém tão horrível assim, Daniel?

— Eu não acho isso — levou sua mão até o rosto dela, limpando suas lágrimas. Encarou o bebê no colo de Tatiana. Seu filho. A criança por quem ele nunca nutriu amor algum. — Eu só quero ser feliz, não posso?

— As custas da felicidade dos outros? — Perguntou séria, mas riu em seguida, causando um pequeno desconforto nele. — Você deve se sentir a pessoa mais inferior dessa maldita cidade.

— Não, não mesmo — riu fraco, começando a ficar irritado. — Eu sou melhor do que todos aqui. Deveria ser eu no controle de tudo, não aquele imbecil e covarde do Zacarias!

Inveja.

Daniel não queria aceitar que era uma pessoa vazia, amargurada e invejosa. Sempre que via alguém feliz e cheio de vida, ele almejava tudo o que esse alguém tinha, para si. Inclusive, foi isso o que ocorreu com Tatiana, que teve que voltar às pressas para a cidade, por conta de uma armação dele.

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⏰ Última atualização: a day ago ⏰

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