O filho que não veio

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Parece estranho esse titulo, mas gostaria de falar um pouco sobre maternidade e minhas concepções sobre o assunto, já que meu maior sonho é ter um filho.

Desde muito nova venho realizando tratamento nos ovários. Aos 14 anos, tive crises intensas de cólicas e cheguei a desmaiar por conta delas. Hoje sei que não é normal, mas somente quando começou parecer grave, é que minha mãe me levou no ginecologista.

Falar da vida sexual, não é fácil e não deve ser fácil também ouvir, ou melhor, ler, alguém falando sobre isso, principalmente por estar expondo algo muito particular. E sim, a maioria das mães tem receio de levar as filhas no ginecológicas enquanto são menores de idade, por acharem que suas filhas vão sair transando por ai. Talvez se fosse mais frequente a conversa com os pais e os exames começarem junto com a primeira menstruação, evitaríamos tantas meninas gravidas antes mesmo de se tornarem mulheres de verdade.

No meu primeira exame foi identificado um cisto em cada trompa (aquele canal do ovário até o útero) e que tinha o tamanho de um ovo de galinha. Segundo o medico, nada prejudicial e com pilulas anticoncepcionais o problema seria resolvido. Comecei o tratamento e só fui pensar em parar aos 19 anos, pois não tinha uma vida sexual ativa. Sim, não sou mais virgem, se é essa a pergunta que lhe vem a cabeça, mas não vou expor quando e nem com quem realizei essa proeza. A única coisa que tenho a dizer é que doeu muito.

Claro que eu não ia simplesmente para de tomar as pilulas e pronto. Fui ao médico, refiz os exames e como não havia nada, ai sim parei. Parei por apenas três meses e fui obrigada a retomar meu tratamento.

Nesses três meses que não tomei medicação, também não menstruei, o que não é normal é claro. Logo fui visitar o médico novamente e repetir todos os exames. O que era apenas um cisto, havia virado vários pequeno cistos no ovário, o famoso ovário policístico.

Isso não parecia um problema, até que ele me falou que eu só poderia parar de tomar anticoncepcional quando fosse engravidar e que eu teria que fazer um tratamento antes disso. Até então parecia algo simples que custaria um certo dinheiro.

Por muitas vezes pensei no quanto queria um filho, no quanto isso era importante para mim, mas todos exigiam de mim um pai para esse filho e eu não tinha dinheiro para o tratamento.

Quando meu ultimo relacionamento acabou, esse que o casamento não saiu, minha menstruação também acabou. Hãm? Como assim?. Simplesmente no mês seguinte ela não veio. Por um momento achei impossível que pudesse estar gravida, mas no fundo eu queria estar grávida. 

Sim, eu tomava anticoncepcional, mas tem muita mulher que toma e acaba engravidando mesmo assim. Minha preocupação é que se não fosse gravidez, poderia ser algo mais grave.

Para mim a questão era simples. Se o resultado fosse positivo, eu não contaria sobre a gravidez e registraria a criança sem pai. Depois de todos os transtornos pelos quais havia passado, não queria alguém me dando palpites e se metendo em como criar meu filho ou no nome que daria. Parece egoismo meu, mas queria um filho só para mim.

Aprendi muito sobre família monoparental (a qual só tem um dos pais, muito usada para adoção de crianças por pessoas solteiras ou quando o pai não é declarado) e as leis que iriam me amparam, mas novamente a sociedade não entendia. Principalmente em minha casa, enquanto eu rezava por um filho, minha mãe rezava para não ser.

Fiz o exame de laboratório e o resultado foi negativo. Não tinha mais possibilidades de ser um filho. E lá fui eu no médico para investigar o problema. Mais uma vez eu fazia ultrassom e mais uma vez um cisto estava lá. 

O grande problema era que o cisto era inteiro e dentro do ovário. Ele estava o dobro do tamanho normal. Quanto a falta de menstruação, simplesmente com o excesso de uso, o fluxo foi diminuindo cada vez mais até que não veio, como se ele pensa-se que eu não queria ter filhos. Se eu não queria ter filhos, eu não precisava menstruar. Acho que deu para entender o pensamento do meu corpo com o uso prolongado do anticoncepcional.

Voltando ao cisto. Quando levei o resultado ao médico, ele me disse algo que me fez perder o rumo por alguns instantes. Eu faria um tratamento de seis meses, e caso o cisto não diminuísse eu tiraria o ovário. 

Sei que é possível engravidar com apenas um ovário, mas se minha chances de ser mãe já eram pequenas e difíceis, assim se tornariam ainda menores. Eu ainda preferia ter estado grávida.

Agora vivo assombrada pela incerteza de ter um não um filho. Gostaria de passar por essa emoção, mas estou conformada. Se nada der certo e as leis continuarem como estão, posso tentar a adoção, mas até lá. Preciso apenas esperar.

Em busca da felicidadeWhere stories live. Discover now