Primeira semana de agosto. Nada boa por sinal. A semana começou ruim e na Quarta-feira dia 5, tudo piorou. Um amigo morrera. Ia completar 22 anos. A dor me abateu.
Queria dedicar um pouco desse livro, para ele. Foram 4 anos de faculdade e ainda haveria mais um. Deveríamos nos formar juntos. Sempre achei que ele era ateu (descrente em Deus), mas me surpreendi quando soube que ele era Cristão, praticante e assíduo a Igreja.
Por mais que não nos falássemos a todo momento e que ele sentasse do outro lado da sala. Sempre que precisasse podíamos contar com ele. E por mais que o carro que ele estava fosse o errado no acidente, eu sentia a dor em perde-lo. É difícil escrever para vocês, pois a vontade de chorar ainda está em mim. Ainda não acredito que nunca mais o verei.
Eu tinha aula naquele dia, a turma não tinha amizade com ele e me vi sozinha com mais uma amiga, aquela que sempre me diz que agosto é o mês do desgosto. Nós duas estávamos ali, sem condições de assistir a aula. Ninguém da sala entendeu nosso sofrimento, pois não tinham conhecido ele. Para nossa sorte ou azar, a aula mudou de dia e esqueceram de nos comunicar.
A lanchonete do outro lado da rua, foi nossa companheira nessa noite. Um lanche para ela, um pastel para mim e um litro de guaraná. Zero álcool. Em poucos minutos conversamos e refletíamos sobre a vida como duas bêbadas em um boteco, mas estávamos lucidas.
Conversei com ela, sobre todos os dessabores que passei nesses dias, e tudo que já havia encarado nessa vida. Ela também se abriu e com a morte de um amigo tão jovem pudemos perceber o quanto a vida nos prega peça e se não a vivermos intensamente e aproveitarmos a cada minuto, podemos partir a qualquer momento sem ter deixado nada para trás.
Essa conversa me fortaleceu nas decisões que tomei nos últimos meses. Me ajudou a persistir naquilo que quero. Me ajudou a pensar no quanto preciso pensar mais por mim e não pelos outros e viver aquilo que quero. Me ajudou a perceber que apesar de ainda amar aquele homem, o amor dele acabara e eu não posso ficar presa nele.
Essa breve conversa de boteco com nenhum teor alcoólico, mas fez refletir a noite inteira.
Dessa mesa de lanchonete, fomos parar na lan house apenas para conversar com a proprietária do local. Também foram 4 anos com ela tirando xerox para nós, e era isso que tínhamos que fazer lá, pegar os textos da próxima prova.
A conversa durou horas, falamos de tudo, menos da morte. Rimos muito e por um momento, percebi que nós duas havíamos esquecido a tristeza que nos abateu mais cedo, porém chegou a hora de ir embora. Uma hora de viajem até chegar em casa e a tristeza voltou para me acompanhar pela rua.
Não vi o buraco a minha frente. Perto de casa já, e eu fiquei estendida no chão, até meus pais chegarem para me ajudar. Lá se foi meu dia. Como sempre digo, "Nada é tão ruim que não posso piorar".
Se a semana estava ruim, a tendência era só piorar. Um dia inteiro para investigar se o pé estava quebrado, e no final do dia, eu usava uma bota nada na moda.
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Em busca da felicidade
RomanceUma vida... cheia de sonhos, desejos e ambições.... Mas o que é felicidade para encontra-la.... não sei, mas tenho certeza que vou em busca dela....