Os dias que se seguiram foram extremamente desconfortáveis. John foi para nossa casa, mas Ester ficou. Ela desfez o noivado, mas Pá pediu que ela esperasse até minha recuperação completa para voltarmos; ele deveria torcer para os dois voltarem.
Voltei a trabalhar na padaria com horário reduzido, diminuição das atividades e supervisão do Pablo, que me levava e buscava para garantir que o PADRE QUE ESQUECI O NOME não viria me atormentar de novo.
Depois de cinco dias Pablo voltou; não conseguia morar sozinho ainda. Ele tentou conversar com minha irmã todos os dias, mas não conseguiu recuperar o noivado. Foi a desculpa perfeita para Ester recomeçar a mudança. Não fiquei para ajudar porque ainda não podia carregar peso, então fui trabalhar normalmente.
Como não podia fazer muita coisa, fiquei com a função que mais detesto: atendimento ao público. Riwty se ofereceu para me curar completamente, mas não poderia fazer isso com as suspeitas de um feérico terem escolhido alguém na vila.
Estava entregando um saco de pães quando Pablo entrou sustentando o irmão, que estava quase descontrolado. Arregalei os olhos e peguei o dinheiro da cliente o mais rápido que consegui. Ela saiu apressada e com certeza falaria para todos sobre o escândalo na padaria. Beto veio ao ouvir o barulho e fechou a porta da entrada para evitar que alguém ouvisse o que quer que fosse acontecer ali.
John tentava se adiantar com a bengala, fazendo Pablo precisar apoiá-lo com mais força. Seu rosto estava vermelho e inchado, como se tivesse chorado. Seu olhar desvairado me assustou.
— Se esse desgraçado tentar te machucar, eu o mato aqui mesmo.
Riwty chiava aos meus pés, atrás do balcão. Beto ficou subitamente mais pálido.
— Se acalma, não vai acontecer nada.
Pelo menos eu esperava isso.
John se desvencilhou do irmão e bateu com as mãos na bancada, fazendo a bengala cair com um barulho desconcertante.
— Eu preciso da sua ajuda.
Aquilo me deixou mais surpresa do que toda a cena que ele tinha armado.
— Você precisa falar com a Ester.
Ouvi um bufo sarcástico em minha mente.
— Por que eu faria isso?
Quase conseguia sentir o sorriso do fae.
— Porque nosso noivado acabou por sua causa! — o idiota gritou.
Senti a raiva subir por dentro; não sabia se era a minha ou de Riwty.
— Não, o noivado acabou porque você é um escroto que não respeita a família da sua noiva. Se fosse por minha causa ele teria acabado há dois anos. Não fui eu que contei o que aconteceu. Estou aguentando seus xingamentos e acusações sem falar nada esse tempo todo. Não tenho culpa se outra pessoa ouviu e fez o que eu deveria ter feito há muito tempo em vez de aguentar calada como uma trouxa.
Parecia que o homem ia explodir; a raiva era evidente, mas ninguém tomou seu partido.
Senti o rabo de Bolinho roçando minha perna e aquilo me acalmou um pouco.
— Você não pode falar assim com ela; Ellie acabou de ter um ataque cardíaco, não pode se estressar. Só te trouxe aqui porque você me prometeu que ia se comportar.
"Só se for para se comportar como uma besta, essa criatura não conseguiria agir como gente nem nascendo de novo."
John respirou algumas vezes, mas conseguiu se controlar.
— Por favor, Ellie.
Aquelas palavras pareciam cuspidas à força.
— Sei que não fui legal com você nesses últimos tempos, mas eu e sua irmã nos amamos. Estamos juntos desde pré-adolescentes; não consigo me imaginar sem ela. Sempre tentei ser o melhor possível. Cometi erros, erros grandes, mas nunca mais vou falar com você daquele jeito. Preciso da sua irmã.
O problema era tudo aquilo ser verdade. O pior é que minha irmã estava um caco desde que eles terminaram. Além disso, ela desistiu da virgindade por ele. Não consigo contar quantas vezes a vi chorando desde o término. Ester perdeu muito peso em menos de uma semana, visivelmente infeliz. O que importa? Minha opinião? Eles se amam.
— Você não pode estar falando sério, Ellie.
Evitei o olhar do gato ao meu lado.
— Não posso prometer nada, nem pedir que ela volte para você, mas vou falar que não me importo que fiquem juntos, que me pediu desculpas e ficou tudo bem. Mas você precisa me prometer que nunca mais vai falar assim comigo, não importa o resultado da conversa.
Ele parecia querer discutir, mas apenas acenou.
— Por favor, saiam. Eu preciso abrir a padaria — disse Beto ao fim da discussão.
Pablo pegou a bengala de John e saiu.
A raiva do fae dessa vez era dirigida a mim.
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Aceito
FantasyVocê trocaria sua alma pela realização dos seus desejos? Os fae são criaturas da floresta, lá eles vivem e predam. Porém, quando escolhem um humano a vida do mortal muda para sempre, pois ganhará todos os desejos que quer do fundo do coração. Porém...
