Rafael -
Eu achei a idéia do Henrique legal, nós precisávamos mesmo ter uma convivência antes de viajar e também era uma desculpa para ver a Emily.
Eu não queria parecer um cara grudento, portanto, não fiquei enchendo-a de mensagens.Quando fui para o bar, esperava que ela já estivesse lá, mas pelo jeito não. Me sentei em uma das pontas e logo estava acompanhado por uma das garotas do grupo que aparentemente queria "conversar". O assunto era até divertido, se ela não ficasse jogando indiretas pra mim o tempo todo. Claramente eu não estava interessado mas me manti focado educadamente enquanto pude. Meu foco só se desviou para a garota que adentrou o recinto. Emily.
Linda.
Observei ao redor e vi os caras virarem suas cadeiras para acompanhar seus movimentos e senti uma leve pontada de ciúme. Passou. Ela caminhou diretamente para a nossa mesa, procurando algo. Parou do outro lado, da onde me encarou com uma leve careta e se sentou.
Ela está fingindo que não me viu? Oi?
Sim, ela estava e eu não entendi bem. Fiquei levemente raivoso com o ato e logo voltei a conversar com a loira ao meu lado, fazendo de tudo para que Emily notasse que eu não estava nem aí. O que era só encenação.
Ela estava toda solta, conversando tranquilamente com os meninos na mesa e tomando cerveja como se fosse Coca Cola. Continuei com meu teatro básico, seguindo-a com os olhos quando podia e ficando mais puto a cada momento. Ela nem tinha olhado para mim.
A loira acariciou meu rosto e eu forcei um sorriso, ela logicamente entendeu como um flerte e me puxou para fora da mesa com segundas intenções. Me deixei levar. Vi Emily levantar levemente o olhar e sorri por dentro antes de deixarmos a mesa. Caminhamos até a parede que dava pra trás do bar e logo ela estava se esfregando em mim, suas ações gritando sexo. Eu deveria aproveitar, porém não conseguia empurrar meu humor e a imagem de Emily da minha mente. Me livrei de seus amassos e a deixei sozinha. Por cima do ombro, notei que ela já estava conversando com outro cara quando sai de lá. A garota era realmente rápida.
Voltei minha atenção para o caminho de volta à mesa, passando pela área de banheiros, onde vi algo conhecido se esgueirar lentamente parede abaixo. Emily se encolheu, sentada no chão com a cabeça entre as mãos. Nem precisava perguntar, eu tinha certeza que ela participara dos shots de tequila.
Esqueci minha raiva e aproveitei a oportunidade. Fui até ela e me abaixei, me apoiando nos joelhos.- você ta legal? - perguntei
Ela levantou a cabeça e me encarou, reconhecimento passando rapidamente em seus olhos
- eu pareço legal? - Ela respondeu seca
Senti minha raiva voltando e suspirei. Abri meu sorriso mais irônico e voltei à ela.
-tá ótima. - respondi. Ela me olhou surpresa, como se esperasse outra reação. - quantas tequilas você tomou?
- não te interessa, pergunta pra loira.Hahaha, um lampejo de ciúme?
Arqueei uma sobrancelha e ri involuntariamente, vendo ela corar vermelho profundo. Adorável. Me senti mais leve. Me inclinei e encostei minha testa na sua.
-vem, vou te levar pra casa.
-eu não quero. - ela me encarou com desdém e me senti um pouco na defensiva.
-Emily, para de ser teimosa. Eu vou te levar e ponto final. Agora vá dar tchau pro pessoal enquanto você ainda consegue andar. - falei um pouco seco demais, sem pretender. Me arrependi na hora e até pensei em pedir desculpa pelo tom. Ela me encarou de boca aberta por um momento, e logo depois se levantou, caminhando para a mesa. Eu encarei suas costas.
Ela se despediu de todos por alto, parando apenas pra falar com Anne e para lançar um olhar estranho para a loira que já estava sentada novamente.
Saímos do bar e a levei cambaleante para meu carro. Vejam só, eu realmente iria leva-la em casa, antes de ela apagar completamente no meu banco e outra idéia passar pela minha cabeça. Ela não se mexia e senti a terrível necessidade de cuidar e coloca-la na cama. Na cama dela. Na minha cama. Sei lá.
Eram bem mais de quatro horas quando eu subi com ela no colo pelo elevador do meu prédio. Abri a porta com dificuldade relevante e adentrei meu apartamento chique, o qual eu não me acostumava mesmo estando aqui por anos. Minha mãe era um exagero extremo. Levei Emily até meu quarto e a coloquei com cuidado na cama. Tirei seus coturnos devagar e os acomodei na porta do closet, e era pra ter parado aí, se ela não tivesse se mexido e resmungado. Resolvi tirar a meia calça e o vestido. Não, gente, eu realmente não tinha nenhuma pretensão de assediar uma morta-viva.
Levantei o vestido e segurei a barra da meia em seu quadril, implorando que ela não acordasse agora. Puxei e desci lentamente por suas pernas, agora brancas. Antes eu não via assim, mas o movimento de tirar a meia calça foi extremamente sexy. Concentra.
Coloquei a meia ao lado, tirei sua jaqueta e voltei-me ao vestido. Ele tinha um zíper do lado esquerdo de seu corpo, o qual eu desci devagar, esperando encontra-la de sutiã. Ou não. Bom, ela estava de qualquer jeito. Retirei o vestido por baixo, com cuidado e o coloquei sobre a poltrona.
Me virei, respirando pesadamente ao me deparar com a cena em minha cama. Fiquei parado um tempo, apreciando os detalhes. A cabeleira cor de fogo espalhada ao redor de seu rosto, os olhos fechados de um jeito adorável, as bochechas levemente coradas. Seu peito descendo e subindo numa respiração tranquila, me lembrando do conjunto de calcinha e sutiã de renda preta, que contrastava lindamente com a sua pele. Até me assustei pelo fato de ter me excitado pelo fato de ve-la dormindo.
Não. Não foi por ve-la dormindo. Dã.
Balancei a cabeça e tentei ignorar meu amiguinho lá em baixo dando terríveis sinais de vida.
Fui até a minha cômoda e peguei uma camiseta preta, andei até ela e a vesti com delicadeza. Puxei meu edredom pra cima, para cobri-la. Em seguida, me troquei e deitei ao seu lado, parando apenas para dedilhar uma mecha de seu cabelo no travesseiro. Eu estava pronto para me entregar ao sono, porém algo apitou. Não reconheci o barulho e antes que acordasse Emily, caminhei até sua jaqueta, tirando o celular barulhento de dentro do bolso. Encarei o nome na tela com uma testa franzida, me perguntando quem diabos estava ligando a essa hora no celular dela. Resolvi ignorar a chamada e apertei o botão de recusar. Achei que estava tudo certo, porém o maldito celular voltou a tocar e eu apertei recusar novamente. Já estava guardando-o de volta em sua jaqueta, quando o infeliz tocou de novo, fazendo Emily virar na cama. Eu o agarrei e sai do quarto, atendendo logo em seguida
- quem é? - perguntei, mesmo tendo lido o nome no identificador. sem alô, sem Oi, sem nada. Eu estava puto.
- QUEM É DIGO EU. - o cara gritou do outro lado. - CADE A EMILY?
Eu exalei devagar, abrindo e fechando meu punho, tentando me manter calmo.
- Emily está dormindo... - respondi.
-COMO ASSIM DORMINDO? AONDE ELA ESTA DORMINDO? QUEM É VOCÊ?
Eu sinceramente cansei do tom de voz do cara e mandei logo uma resposta atravessada.
- dormindo na minha cama cara. Quer deixar recado? Porque se não, eu vou simplesmente desligar e voltar pra ela.
- DIZ PRA ELA QUE É O GABRIEL. VOCÊ ENTENDEU? EU QUERO ELA DE VOLTA. ELA É MINHA. EU VOU LIGAR DEPOIS E PARAR DE PERDER TEMPO COM VOCÊ, BABACA.
Eu já estava com vontade de quebra-lo em vinte, mas apenas assenti pra ninguém e respondi.
-eu dou o recado, otário. Bons sonhos.
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Amanhã Não Se Sabe
RomanceO destino às vezes é engraçado. Ele vira nossa vida de cabeça para baixo em questão de milésimos. As mudanças são necessárias e cabe à você decidir rir ou chorar. Emily perceberá que nem tudo são contos de fadas... E que o melhor, de vez em quando...