Um novo caminho

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"O palácio estava em festa pela tão aguardada chegada do herdeiro. Os príncipes e seus séquitos que vieram de longe aguardavam impacientes o anúncio do nascimento do bebê real..."

─ Não se cansa de ler esse livro chato? – Perguntou Esseno que agora caminhava para longe ao encontro de um lugar onde pudesse encontrar-se com seus pensamentos.

─ Não sabia que a história do seu nascimento lhe causava tanto agravo, – retorquiu Palma ─ você tem que superar toda essa dor que carrega no peito. –Aconselhou o velho que olhava o rei com muita pena.

"Quem ele pensa que é para me dar conselhos sobre sentimentos?" – resmungava o rei em pensamento. Sua memória aflorava nas discussões intermináveis que tinha com o pai e na memória da repentina morte da mãe.

"Ela fugiu, uma traidora Olivença!" seu pai sempre dissera, mas isso agora ficava mais difícil de acreditar. Sua querida mãe era uma rainha gentil e amada por todos, não tinha motivos para abandoná-los.

Nos dias antes do sumiço da mãe e do seu irmão mais velho, sim, um irmão mais velho que seria rei em seu lugar, – falar disso ainda causava mais sofrimento – o seu pai começou a se comportar de forma extremamente controversa.

Nos jardins onde costumavam tomar o café da manhã uma fileira de guardas foram postos para impedir que a rainha e seus filhos fossem caminhar ao largo da estrada real, algo que era muito rotineiro para eles. Os protestos não foram capazes de fazer o rei mudar de ideia. O próximo passo para impedir que sua família ficasse mais segura foi ordenar que fossem trancados em seus quartos e proibir qualquer visita que não fosse a do rei.

A corte e a família da sua mãe sempre acharam que o rei não usufruía mais de seu juízo perfeito então decidiram libertar os príncipes prisioneiros e a rainha. Mas alguém se adiantou a eles.

Secretamente alguém invadira as torres da parte leste do castelo e levou o seu irmão mais velho e sua mãe.

"Eu nunca vou perdoá-los!" – Esseno rangia os dentes ao lembrar-se da história. A mãe nunca fora encontrada, mas o irmão morreu alvejado por uma flecha da guarda pessoal do rei. Uma profunda dúvida rondava seu coração e alternava entre o abandono da mãe ou a possível loucura do rei que ocasionou tanta dor para sua família.

Esseno mirou e viu que Palma estava sentado ao redor da fogueira que acendera para esquentar aquela noite fria. O desejo de saber o que realmente acontecera o inquietava.

─ Palma, me responda uma coisa. - o velho homem olhou sobre o ombro para trás ─ O que realmente sabe sobre a morte da minha mãe e do meu irmão? Suponho que deva saber muitas coisas que não são confiadas aos outros conselheiros...

─ Hum... Deveras é um fato muito curioso você perguntar isso somente agora - disse Palma prestando atenção nos galhos se consumirem com o fogo. ─ Sempre achei que você seria um rei bondoso, mas seus medos te controlam...

─ Sabe ou não sabe ? - irritou-se.

─ Óbvio que sei. Mas talvez isso te atemorize mais ainda. - Pediu para que ele se sentasse num tronco caído perto da fogueira.

Seus olhos enrugados procuravam alguma coisa no fogo.

─ Muito bem. - tirou um pequeno saco de pano dentro de um de um dos bolsos da sua capa. Ele parecia um velho saco de moedas e ao abri-lo um tênue cintilar foi percebido. ─ Vou deixar que veja com os seus próprios olhos.

Esseno olhou meio incerto sem saber se queria realmente ver o que o mestre tinha para lhe mostrar. Talvez fosse tudo muito forte e sua dor poderia ser ainda maior do que a ignorância.

O sonhador, a velha árvore e o reiOnde histórias criam vida. Descubra agora