Séculos antes de sob a montanha...
- Velaris.
O canto começou tímido e terminou em caos.
- Parabéns pra você...
Eden estava entre Rhysand e Morgana, pequena demais para soprar todas as velas sozinha, grande demais para conter a felicidade. Batia palmas fora do ritmo, os pés balançando no ar, enquanto tentava cantar e rir ao mesmo tempo.
Morgana acompanhava a melodia com a voz baixa e doce, ajeitando os fios claros da filha que insistiam em cair sobre o rosto. Rhys inclinou-se um pouco mais, ajudando-a a alcançar o bolo.
- Faça um pedido de verdade - ele sussurrou.
- Já fiz - Eden respondeu, convicta.
- E qual foi? - Morgana perguntou.
Eden sorriu, misteriosa, e soprou as velas.
As chamas se apagaram sob aplausos e risadas. Archie estava logo ao lado de Hyacinth, ainda sendo mantido prisioneiro por um abraço que dizia mais do que palavras. Ela segurava o braço dele como se precisasse confirmar que ele estava ali, inteiro, depois de dias longe.
Cassian cantava alto demais perto de Morrigan, exagerando cada nota só para arrancar um revirar de olhos dela. Azriel permanecia alguns passos atrás, quieto, atento demais.
Hyacinth às vezes olhava em sua direção.
Não era um olhar direto. Era rápido, quase distraído, como se estivesse testando algo novo dentro de si. As sombras de Azriel reagiam antes dele, se agitando suavemente, curiosas. Ele pigarreou, desviou o foco para o céu.
Miranda e Lyra tentavam, em vão, arrumar o vestido de Eden.
- Se você não parar, vamos amarrar isso - ameaçou Lyra.
Eden ignorou as duas e subiu no colo de Rhysand, como se fosse o lugar mais óbvio do mundo. Morgana apenas riu e ajeitou os cabelos da filha, lançando a Rhys um sorriso tão aberto que ele sentiu o velho aperto no peito.
Ele se apaixonava por ela de novo. Sempre.
A noite avançou devagar, como se quisesse ficar.
Cassian sentou-se no chão e começou a contar histórias de batalhas, transformando guerra em aventura. Eden escutava encantada, olhos enormes, interrompendo para fazer perguntas que só crianças fazem.
- Você teve medo? - ela perguntou.
Cassian pensou por um segundo.
- Tive - respondeu. - Mas fui mesmo assim.
Archie apareceu atrás dele e bagunçou os cabelos de Eden.
- Ele só foi porque eu mandei.
- Mentiroso - Cassian retrucou.
Archie puxou Eden para perto e começou a fazer cócegas. O riso dela ecoou pelo jardim, claro, inteiro, enquanto Morrigan ameaçava expulsar os dois dali.
Foi então que Hyacinth se afastou para a varanda.
O céu do solstício parecia mais próximo, as estrelas refletindo no brilho dos olhos dela. Azriel apareceu ao seu lado sem anúncio, respeitando a distância.
- Você sempre foge quando as histórias ficam altas demais? - ele perguntou.
- Não - Hyacinth respondeu. - Eu só gosto de ouvir o silêncio também.
Ela apoiou os braços no parapeito, balançando a taça distraidamente.
- Illyria foi difícil? - ela perguntou depois, como se fosse um pensamento jogado ao vento.
Azriel demorou a responder.
- Foi... cansativo.
- Archie não parece cansado - ela observou.
- Archie não sente tudo do mesmo jeito.
Hyacinth assentiu, pensativa.
- Às vezes acho que sinto demais - ela confessou. - Como se tudo fosse maior do que deveria ser.
As sombras de Azriel se aproximaram um pouco mais, curiosas, suaves.
- Não acho que seja um defeito - ele disse. - O mundo precisa de pessoas que sintam.
Ela virou o rosto para ele, surpresa. Sorriu.
- Suas sombras concordam comigo - disse, baixinho.
Azriel quase sorriu também.
Então o ar mudou.
Passos firmes anunciaram a chegada antes que qualquer rosto se virasse. O conforto fácil da noite se enrijeceu. Conversas se calaram. Ombros se endireitaram.
O Grão-Senhor da Corte Noturna estava ali.
Exceto Eden.
Ela reconheceu o avô e saiu correndo.
- Vovô!
Archie se aproximou em seguida, mais contido, mas respeitoso. Curvou levemente a cabeça antes de abraçar o avô, recebendo um aperto firme no ombro em resposta. Hyacinth veio logo depois, envolvendo-o com braços decididos, sem medo algum do homem que fazia cortes inteiras estremecerem.
- Avô - disse ela, simples.
Ele passou a mão pelos cabelos escuros dela, um gesto que não concedia a quase ninguém.
A verdade silenciosa era conhecida por todos ali:
o Grão-Senhor podia ser detestável, inflexível, temido.
Mas aqueles três... aqueles três tinham atravessado a muralha.
Somente com Eden, Archie e Hyacinth ele deixava de ser o governante implacável para ser apenas um velho feérico com o coração perigosamente exposto.
Rhys observava em silêncio, a mão ainda entrelaçada à de Morgana.
Ela inclinou a cabeça em direção ao marido, a luz suave dançando em seus olhos.
- Eles o salvam - disse ela, em pensamento.
Rhys concordou, sentindo o peso e a beleza daquela verdade.
E naquela noite de solstício, entre risos infantis, tensões antigas e uma família inteira reunida sob estrelas antigas demais para esquecer...
a Corte Noturna ainda era lar.
Mais tarde, afastados do barulho, Morgana tocou a mão de Rhys.
A luz se abriu entre eles.
Ele viu Eden pequena, sentada em seu colo, soprando as velas. Sentiu o cheiro do bolo, ouviu o riso, sentiu o peso exato da felicidade.
- Guarde isso - Morgana disse. - Para quando esquecer.
Rhys fechou os olhos.
Ele não sabia ainda.
Mas parte dele já sentia.
A noite continuava linda.
E isso era o que mais doía.
Feliz natal pra
vocês!!!
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E P H I T Y M I A
FanfictionA vida de Morgana Pendragon vira de cabeça para baixo quando para salvar seu sobrenome, ela precisa se casar com o herdeiro da Corte Noturna.
