Me aproximei um pouco da janela e olhei lá dentro, não tinha nada de diferente. Era só a casa com a porta e os portões abertos sem ninguém dentro.
Minha curiosidade aguçou mais e mais. Então entrei pela porta que estava arreganhada, olhei todos os cômodos visíveis, pra ver se via alguém, mas não tinha mesmo. Então comecei a andar aquele casarão, observando tudo. Então vejo três meninas correndo, com bonecas nas mãos, na porta que ia pra cozinha (tinha um fogão velho lá, então era uma cozinha), corri até lá, e vi elas entrando em outro cômodo, corri até lá.
Lá era uma especie de dispensa de comidas e não tinha saída (pelo menos não estava vendo). Ouvi risadinhas atrás de uma mesa empoeirada. Cheguei mais perto, e olhei. Vi então as três menininhas, de mais ou menos 5 ou 7 anos de idade, brincando com as bonecas e rindo. Nenhuma delas tinha me visto ainda. Até que a garota de cabelos ruivos e olhos verdes (que me lembrava muito a do outro sonho), me olhou e apontou pra mim, fazendo com que as outras duas meninas me olhassem. Elas mudaram de humor do nada, num estalar de dedos, o olhar delas mostrava desprezo, nojo e ódio por mim. Mas porque? Eu estava sorrindo pra elas.
A minha expressão também mudou, mas mudou pra medo, muito medo, e elas perceberam que eu estava com medo, então começaram a se entreolhar confusas. Olharam pra mim novamente confusas, e então voltaram com os olhares de antes. Eu comecei a andar pra trás, encostei na parede e sai correndo dali, mas antes de sair daquele cômodo eu olhei pra trás, e vi o olhar confuso delas pra mim.
Eu estava confusa igual elas. Passei pela cozinha e pela sala e então cheguei na sala, porém, quando cheguei perto da porta, ela se fechou sozinha bruscamente, as janelas também. Agora tudo lá estava escuro, igual noite chuvosa. Apaguei. Quando acordei estava em uma sala pequena, parecia um sótão, presa em cadeira, aquela velha de vestido preto longo, chegou no quarto e me encarou sem expressão. Eu ficava olhando todos os lados sem entender nada.
- Quem é você? O que você quer? - Não obtive resposta de imediato.
- Eu sou eu, você fez uma coisa muito errada sabia, o que você veio fazer na minha casa? Agora aguente as consequências. - Eu fiquei um pouco confusa.
- Hã? Eu não tenho culpa! Me deixe em paz, eu não tenho nada com você. - Falei se debatendo na cadeira.
- Você está tão ligada a mim agora, que nem imagina! Mais ligada que antes. - Ela mudou de expressão e ficou furiosa. Ela então me deu tapa no rosto.
- Sua louca! Me deixa em paz! - Falei se debatendo mais ainda.
- Te deixar em paz? - Ela riu de um jeito assustador. - Jamais, você que veio a minha procura, aguente querida, agora aguente. - Ela andou em volta de mim, me analisando. Então ela parou a minha frente, calma, bem calminha, estranhamente calma. - Sua mamãe nunca te falou da maldição dessa casa não? - Ela fez uma expressão carinhosa. Não respondi. - Em? Fala?!
- Sim, ela falou. - Falei encarando-a.
- Então porque você veio aqui? - Eu a ignorei, ela deixou passar. - Sua mãe é uma ótima pessoa né? Ela cuidou sempre de você, te deu carinho, amor. - Ela olhou pela pequena bascula que tinha atrás de mim. - Mas você não vai pensando que ela é uma doce pessoa não tá? - A expressão de ódio voltou. -Sua mãe é uma pessoa horrível, desprezível, ela é um lixo. Na verdade nem se pode compara-la com um lixo, o lixo é bem mais humano que aquela monstra. - Eu olhei confusa pra ela. - Você não está entendendo nada né? Eu sei então vou te contar...
-Não quero saber. - Interrompi-a.
- Fica quieta, sua monstrinha. - Ela puxou um pano e amarrou minha boca, sem as mãos (Não me pergunte como, eu não sei).
- Bom, começando. Sua mãe é uma pessoa horrível, desprezível, ela é uma pessoa que não merece a vida que leva. Eu não consigo entender como sua vó pode ter deixado aquela mulher ser tão horrível desse jeito. Eu não consigo entender como pude ser vó de uma pessoa tão nojenta e medíocre como ela. E agora ela se faz de coitada, aquela imunda. - olhei-a confusa. Minha mãe? Ela é louca mesmo. - Você com certeza deve estar confusa, mas não posso fazer nada. Se você quer saber do passado da sua mãe e do seu passado, pergunte-a, você verás que ela tentará mudar de assunto. Mas se você quer saber alguma coisa da maldição, você tem que insistir. - Ela olhou para a bascula atrás de mim. - E também queria te avisar que você vai ter uma irmãzinha. - Ela me fitou. - Ela vai ser uma monstrinha igual sua mãe era no passado, essa sua irmãzinha é um perigo para essa cidade. Avise a sua mãe, porque se ela realmente mudou, ela vai tirar essa criança dela. Porque ela sabe muita coisa da maldição, e ela também saberás do aviso que mando para ela. Mesmo que ela tenha sido ruim pra mim e para todos a sua volta, eu tenho um pouco de amor por ela... - Falou ela e deu uma pausa focalizando em algum lugar atrás de mim.- Quer dizer pela cidade, é pela cidade.
Então eu tirei aquele pano que tampava minha boca. - Isso é tudo mentira. - gritei.
- Não é. - Ela olhou pra mim. - Você já pode ir embora. Mas não se esqueça, a sua irmãzinha que irá nascer é a filha do mal. Se sua mãe não te der ouvidos, mate-a criança, mate-a a sua mãe. O seu pai não, ele só é um pobre coitado, não sabe de nada. - Ela me tocou na testa. E falou pela ultima vez. - Cuidado! Sua futura monstrinha. - E finalizou, e me encarou medonhamente. Eu não entendi o que ela quis dizer com "futura monstrinha". Desmaiei.
*Acordei*
Levantei e vi que o Diego não estava mais no quarto, abri a porta do guarda-roupa, troquei de roupa e me olhei no espelho, tinha uma marca de mão no meu rosto, estava praticamente 'roxo', reboquei minha cara de maquiagem e não mudou nada, agora que desculpa eu vou inventar pros meus pais? Bom, deixei isso pra lá e desci para a cozinha.
- Filha o que aconteceu com seu rosto?! - Questionou ela, botando sua mão em meu rosto. Eu estava com um pouco de medo dela.
- Aí mãe! - Tirei a mão dela do meu rosto. - Eu sem querer bati no meu rosto. - Gaguejei.
- Sem querer?! Você é doida? - Falou ela indo pro fogão.
- Deixa isso pra lá, depois some. - Falei. Então vi Diego vindo da sala e sentando na mesa. O meu pai também. Eles sentaram todos na mesa e os dois perguntaram sobre a marca eu dei a mesma desculpa.
- Tenho uma surpresa pra vocês! - Todos perguntaram o que era. - Eu estou grávida! - Todos ficaram felizes menos eu, eu fiquei atônica de raiva, nunca quis ter uma irmã.
- O que? Por que? Eu não quero que raiva. - Eu sai da sala e fui pro meu quarto furiosa.
Minha mãe me traiu, me traiu. Eu sempre disse pra ela que não queria irmãos, sempre disse. Que ódio. Eu não quero! "Mate eles" Uma voz veio em minha cabeça "Mate-os e você estará livre", aquela voz não saia da minha cabeça. 'CALA A BOCA' gritei. "Mate-os vença a maldição" . Então eu lembrei sobre o que a velha louca falou. Mas como ela sabia disso? Ela era a vó da minha mãe? A minha mãe também nunca falou sobre a mãe e a vó dela pra mim. Porque?
Minha cabeça estava infestada de perguntas, eu não conseguia pensar em nada, hoje era o velório do Jonas, tudo estava dando errado pra mim. Eu tenho que acabar com isso, eu tenho que acabar com a maldição. Como será que está Deby?
Para de pensar cabeça, para! Descansa! Eu não quero ficar louca, não quero.
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A Maldição das Duas Amigas [Parada]
Mystery / ThrillerHistória Parada. Motivo: Bloqueio criativo. Meu nome é Sophia Halley, e aqui vou relatar algumas coisas que aconteceu e acontecem comigo e com minha melhor amiga Débora Kaditty ( Debby). Tudo começou no dia em que a professora de história passou um...