Sem forças para se levantar, Newt ficou ali mesmo por uns minutos. Com o choque, recuperou todas as suas memórias novamente. Lembrava-se de tudo, o que tornava as coisas muito piores. Por momentos achou que podiam voltar ao passado, mas estava demasiado confuso com a reação de Thomas.
Era de noite e os portões já tinham fechado, provavelmente a estariam a jantar neste momento. Decidiu levantar-se e ir ter com os outros habitantes da Clareira, tinha esperança de conseguir falar com Thomas sem chamar as atenções para eles.
Lá estavam eles, todos reunidos a comer a comida de Frypan.
- Yo Newt! - alguém gritou, mas Newt nem reparou de quem se tratava. Os seus olhos procuravam por Thomas.
Lá estava ele, com um olhar distante e ainda assim frio. Newt sabia que se tentasse alguma coisa agora iria arrepender-se. Mesmo assim ele tentou.
- Thomas.
Thomas olhou-o e Newt quase congelou com a frieza do seu olhar.
- Diz. - respondeu o rapaz.
- Quero falar contigo, a sós. - disse Newt, baixinho para que ninguém o ouvisse.
Thomas hesitou, mas acabou por concordar.
- Se me quiseres ouvir vem ter comigo, mas se for para me tratares com todo esse desprezo por favor não venhas. - disse Newt, com firmeza na sua voz.
E desta vez foi Newt quem virou as costas para Thomas, apesar da situação não ter comparação possivel. O rapaz estava esfomeado, então pegou num prato de comida e dirigiu-se á Herdade onde comeu sozinho.
Newt pensava em tudo o que iria dizer a Thomas, o quanto foi dificil e o porquê de ter feito tal escolha. Mas não sabia que palavras usar, ou por onde começar... Era demasiado dificil para ele estar na presença de Thomas novamente, a única coisa que queria fazer era chorar de felicidade e beijá-lo infinitamente.
O tempo foi passando e a noite a ficar cada mais tardia, Newt chegou á conclusão que Thomas não viria, talvez ainda estivesse com demasiada raiva para o ouvir. Newt despiu-se e meteu-se na cama, onde uma lágrima escorreu-lhe pelo rosto. Antes de soprar a vela fechou os olhos.
Lentamente, a porta abriu-se e Thomas espreitou e entrou sem fazer barulho. O rapaz aproximou-se, e ficou a olhar para Newt, após alguns momentos suspirou e disse:
- Eu nunca desisti de ti, afinal, como podia? Tu foste o amor da minha vida, a razão pela qual eu abandonei tudo e todos... Estou feliz por nos ter-mos reencontrado...
- Eu tambem. - respondeu Newt, apanhando o amigo de surpresa.
Newt sentou-se na cama, e fez sinal para que Thomas se sentasse ao seu lado.
- O que estamos a fazer Tommy?
- Eu... Não sei... Já não sei nada... - respondeu Thomas
- Custa-me a acreditar que estás aqui... Que és mesmo tu...
- Não sou... - disse Thomas, cabisbaixo.
Fez-se silêncio.
- Sim, eu também já não me sinto o mesmo. As pessoas que éramos antes do Labirinto já não existem mais. - disse Newt com os olhos prestes a ceder.
Thomas tocou no rosto do rapaz e num movimento suave disse:
- Por favor, não chores...
Newt avançou, e Thomas não resistiu.
Era como se tivessem recuado no tempo, antes de toda aquela confusão. Eles podiam já não ser as mesmas pessoas que uma vez foram, porém, os sentimentos adormecidos dentro deles tinham despertado. Ainda tinham muito que falar, claro, mas lá no fundo Thomas sabia que não tinha o direito de culpar Newt por desistir deles, pois ele tinha feito o mesmo. Decidiu não voltar a tocar no assunto. Os rapazes mataram as saudades de uma vida numa só noite, numa longa e quente noite.
Na manhã seguinte, Newt acordou com o toque de Thomas a percorrer o seu corpo.
- Para... - disse o rapaz com um sorriso que claramente significava "continua".
- Bom dia... - respondeu-lhe Thomas.
- O que vamos fazer hoje? - perguntou Newt.
- Acho que vou ficar aqui contigo.
- Não podes, os outros vão achar a nossa falta e não nos podem ver aqui assim, juntos.
- E porque não? - a pergunta de Thomas apanhou Newt de surpresa.
- Acho que é demasiado cedo para isso, e tão de repente... eles iriam estranhar.
Ouviu-se alguem a aproximar-se.
- Tommy, esconde-te!
Thomas só teve tempo de se atirar para o chão e cobrir-se com uma manta.
Alguém bateu á porta:
- Newt? Estás acordado?
- S-Sim. Minho és tu?
Minho abriu a porta.
- Yup, olha precisava da tua ajuda para uma coisa. - Minho parou - Uh... Newt...
- Sim?
Newt estava sem roupa, e o lençol era muito transparente... Acho que já perceberam a ideia.
- Uhm, acho melhor voltar mais tarde... Desculpa o incomodo!!
Newt não chegou a perceber, mas Thomas saindo do seu esconderijo e assim que olhou um pouco para Newt percebeu do que se tratava...
- Newtie, esse lençol não tapa nada... - Newt ficou vermelho de vergonha. - Não acredito que já estás com saudades...
- N-Não!! Não é nada disso!!! - Disse Newt tentando disfarçar.
E assim ficaram, mais um pouco na cama, brincadeira deu lugar a mais brincadeira e quando deram conta já se tinham passado horas. Precisavam sair dali, caso contrário iriam dar demasiado nas vistas.
Tudo estava bem, aliás, estava tudo mais que perfeito, mas mal sabiam eles que as coisas estavam prestes a mudar...

VOCÊ ESTÁ LENDO
NEWTMAS 2: O teste do Labirinto
De TodoSegunda parte da fanfic de Newtmas. Sem memórias, Newt acorda numa espécie de elevador que o leva para um sítio novo e completamente desconhecido, a Clareira. Em breve, Newt descobrirá que existe uma memória que se recusou a ser apagada, memória ess...