Parte 8 - Visita inesperada.

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Minha mãe e o guarda Municipal estavam aqui, aqui na casinha na árvore comigo.

- M-mas oque vocês dois fazem aqui? - perguntei incrédula.

- Filha, fiquei sabendo que salvou uma vida hoje, um ato muito nobre. Mas não é sobre isso que queria falar. E eu quero que voltes para minha casa filha. Quero dizer nossa casa. - disse ela fingindo emoção.

Incrível como ela era esnobe, veio me procurar só porque salvei alguém, e as pessoas comentaram e começaram a "gostar" de mim. E ela só sentiu minha falta depois de 2 dias, bela mãe eu tenho. - pensei.

- Eu não vou voltar, não quero ser usada mais uma vez para satisfazer seus caprichos. E você só lembra de vir atrás de mim quando as pessoas parecem gostar de mim. Você não me amas mamãe, então vai segues tua vida e me esqueça. Porque eu não passo de uma esquisita pra você, é eu só queria que me amasse como sua filha. E não que fingisse amor por obrigação.

- Não fale assim com sua mãe garota! Ela te ama não vês? Está até emocionada em te ver. - disse o guarda me repreendendo.

- Ela não me ama, isso é só teatro não vês? Não percebes? - gritei.

- Mesmo que não te amo, você precisa voltar para casa, antes que alguém da assistência perceba que você fugiu e eu perca o dinheiro que ganho pra te sustentar. - ela disse mostrando seus interesses reais.

- Não vou mamãe!
Viu só como ela não me amas? - perguntei olhando em direção ao guarda.

- E- ela é um monstro! - disse ele sem reação.
- Ei não fale de mim como se eu não estivesse aqui. - disse a mulher que eu chamava de mãe.

- Falamos sim! Pois você nunca esteve aqui, vai embora, vivas tua vida como sempre viveu. Quanto ao dinheiro ele é meu, meu pai deixou pra mim não pra você. - gritei indo em direção a portinha da casa para que ela descesse a escada e fosse embora. E a mesma me olhou assustada, pois era a primeira vez que eu a enfrentava.

- Oque aconteceu com você Joana? Porque estas a falar assim comigo? - perguntou ela com lágrimas nos olhos.

Que ridículo essa situação, ver a própria mãe chorar por causa de dinheiro. E não ligar para a filha que está se distanciando agora. - pensei.

- Oque aconteceu? Você aconteceu, você me estressa, me bate, xinga e me maltrata só de me olhar com seus olhares desprezíveis. Só me diga uma coisa antes de ir. - disse e puxei o ar que me faltava e eles foram de volta ao meu pulmão.

- Oque?? - ela então pergunta curiosa.

- Me digas, por que deixou de me amar?! Ou a senhora nunca me amou? - perguntei quase em lágrimas.

- Teu pai morreu tentando te salvar dos criminosos que nos assaltaram, você pegou suas moedinhas e ia dar a eles, um deles se estressou e iria te dar um tiro. Mas seu pai, meu marido entrou na frente tua para você viver... - disse ela chorando.

- E você acha que eu tenho culpa? Eu era uma criança pelo amor de Deus. Eu não pedi para ele me salvar, eu escolheria morrer se isso trouxesse a vida dele de volta. Mas o seu desamor por mim o daria desgosto, e o mataria do mesmo jeito.

- Filha eu, eu percebo agora o quanto eu fui burra. É que eu amo seu pai, e o amei primeiro que você, é eu sempre vou amá- lo e você era tão pequenina, não teve total culpa. Você me perdoa? Eu sei, eu não soube te amar, mas eu posso aprender não é?

- Não, não pode. Você não me amou quando eu era pequenina imagina agora? E eu não tenho o porquê te perdoar, eu não tenho raiva de você, nem mesmo magoa. Mas eu não volto para casa.

- Tudo bem, assunto resolvido? Vamos senhora sua filha precisa descansar. - disse o guarda a levando dali.

Voltei a sentar no colchão que ali havia, mas desta vez me encolhendo e puxando meu joelho em direção ao rosto para cobri- lo e então chorei, chorei até cair no sono.

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