Mais um ano se passou, e a vila sob o Hostenoist foi cercada por duas gigantescas hordas demoníacas. A batalha ia mal. Öfinnel temia pelo pior. A cena da derrota que sofreram em Umm retornou à sua mente. Temia por todo seu povo. Temia por Devian e também por Eliarta. Ficaria segura no templo?
Ele havia sonhado com um novo ataque. O exército estava prevenido e foram estabelecidas fortes linhas de defesa. As esperanças já se esvaiam quando luzes e estrondos soaram no céu. Uma tropa alada de elfos chegou bem em tempo de salvá-los. Dentre estes, seu amigo Raastad e centenas de poderosos feiticeiros.
Por terra, também veio um exército com o contingente aproximado de dez mil elfos. Aquele foi chamado de Exército da Primeira Aliança. As hordas se acovardaram e se retiraram.
Öfinnel suspirou aliviado e foi cumprimentar seus salvadores. Izguaziir estava entre estes e quando Öfinnel o viu abraçar e beijar Eliarta, seu sangue ferveu. Não era hora de demonstrar maus sentimentos, no entanto. Ao mesmo tempo, se aproximou seu velho amigo, Raasatad.
- Rei Öfinnel, que prazer revê-lo!
Ele forçou os ciúmes para longe, fazendo-os evaporar. Então sorriu para Raastad. - Igualmente, meu caro!
Então foram comer e beber juntos, colocando assuntos em dia. Em dado momento, o holmös indagou - E quanto a Izguaziir?
- Acho que terá de agradecê-lo pessoalmente, majestade. Acredito que não estaríamos aqui não fosse pela insistência do rapaz. Ele o admira com fervor, foi sua fé constante que me fez levar adiante o assunto delicado junto aos imperadores.
- Acho realmente confuso o conceito do governo de vocês. Três imperadores? Um apenas não seria melhor?
- Em alguns momentos, penso que sim, mas muito poder nas mãos de apenas um indivíduo, pode ser perigoso, mesmo quando é bem intencionado.
- Ou mal, como Merrin.
- De certo.
- A política é bem complicada por causa disso. Pode ter certeza. Izguaziir teve muita coragem de erguer a voz e discordar dos imperadores numa audiência pública. Normalmente, tendemos a concordar, ou apenas sugerir, seguimos certo protocolo. Já percebi que se os confrontássemos mais, daríamos a eles mais elementos para refletir.
- Faz sentido.
- Nell Devarsh e Tell Mozeth foram contra a formação de uma aliança oficial com os humanos. Mas o voto à favor, do imperador Bzir Naldiir, foi suficiente para mobilizar tropas de meu reino, Falíssiria.
- Mas porque ser contra uma aliança? Em tempos tão difíceis...
- Concordo, meu amigo, mas ainda são muitos entre nós que guardam fortes ressentimentos em relação à guerra contra a humanidade.
- Humanidade que nada. A guerra foi contra os vetmös, você sabe disso.
- Ah sim, mas a grande maioria dos elfos não faz distinção entre os humanos: vetmös do norte ou os hölmos de Vellistrë, ou qualquer outra estirpe. São todos vistos como: egoístas, irresponsáveis e gananciosos.
- Isso é uma pena.
- Sim, especialmente por que o cerco contra nossos reinos é terrível. Os demônios estão atacando com mais força lá do que em suas terras.
- Ainda assim, conseguiram trazer tantos?
- Novas políticas estão suprindo a demanda por soldados. Quase toda população agora é forçada a alistar-se nos exércitos, até os bem jovens. Mas o pior foi a lei de natalidade.
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Öfinnel. Rei. Vidente. Guerreiro. Lenda.
FantasyÖfinnel foi o último rei de Vellistrë antes que fosse destruída pelas hordas de demônios invasores. Determinado, forte e imortal. Está vivo há incontáveis gerações e sua memória vai se perdendo aos poucos. Fortes ondas do destino impelem suas açõe...