Capítulo Dois - Um anjo

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Augusto

Eu realmente tenho que dormir, depois de ter fechado meu turno na corporação, tudo que eu queria era dormir. Mas a vida não era simples eu tinha um pequeno pestinha que me fez prometer encontrá-lo no encontro da comunidade que minha mãe freqüentava.

Minha mãe praticamente obriga Jonas a ir a estas confraternizações, o coitado esta passando férias em nossa casa (minha casa, melhor dizendo), melhor dizendo comigo. Acho que ela tem esperança que ele seja um Arthur da vida, mal ela sabe que meu irmão somente gosta destes encontros para ter suas "princesas" é assim que ele a chama.

Todo o esforço e cansaço valem à pena, amo minha profissão, sou bombeiro, sempre quis trabalhar no mesmo ofício de meu pai, o Tenente Fiori tinha uma reputação e tanto e sua morte trágica só o fez mais famoso e respeitado que ele já era. E eu aos 24 anos, me formei com louvor na academia e me dedico cada dia mais, quero manter a tradição da nossa família, sou a terceira geração de bombeiro da família e eu simplesmente amo isto como se eu já tivesse nascido para enfrentar o fogo e todos os perigos pela frente.

Quem odeia esta minha opção de vida é minha mãe, ela simplesmente não aceita que eu sigo os caminhos de meu pai, lembro de todo o empecilho que ela colocou em minha vida para eu não me formar, ela só não me expulsou de casa, pois a casa era minha, meu pai me deixou uma casa linda em um bairro mais perto do centro e a tem a outra casa mais afastada do centro em um bairro nobre, eu herdei esta ultima casa de meu avô. Minha mãe ocupou a casa de meu avô assim que ele morreu, era uma casa ampla e toda conservada e o que ela mais amava perto, a igreja dela. Ela se vangloriava de ter a residência mais linda do bairro, fazia questão das reuniões da igreja serem em casa. Eu por outro lado queria que ela parasse de colocar aquele povo todo em minha casa, mas por mais que eu e minha mãe não fossemos próximos, eu não gostava de enfrentá-la e assim ela se sentiu no direito de fazer o que queria com a casa, até quando ela resolveu que iria usar a garagem para fazer um salão para igreja eu me impus e falei que na casa ela não mexia e que se não estivesse satisfeita podia ir embora. Pensa que ela se ofendeu? Nada, ela simplesmente disse que eu estava com o demônio no corpo.

Minha mãe se casou 6 meses depois que meu pai morreu eu era jovem tinha apenas dois anos e graças a Deus Lorenço (o novo esposo de minha mãe), me respeitava e tínhamos uma excelente convivência, não que eu o chamasse de pai, mas eu via como minha mãe o tratava e sentia uma certa compaixão pelo homem. Meu irmão Arthur chegou um ano depois do segundo casamento de minha mãe, nunca vou me esquecer sua felicidade e como ela nitidamente tinha preferência pelo Arthur. Não adianta falarem que é ciúmes de irmão mais velho por que não é, fato este que até hoje o meu irmão não parou mais de seis meses em qualquer emprego, sempre era mandado embora e por coincidência nunca era culpa dele. Minha mãe acatava tudo que Arthur dizia, porém Lorenço não, ele tentava colocar algum juízo no filho, mas minha mãe sempre revertia à situação para que Arthur não fosse penalizado ou sofresse qualquer repreensão de Lorenço.

Pela criação que minha mãe deu a Arthur, nós não éramos muito próximos, sim eu o amava, eu sempre o defendia, afinal ele era meu irmão mais novo, mas fomos ficando distantes com o tempo e as coisas pioraram quando Lorenço passou a demonstrar nitidamente que tinha mais admiração por mim do que pelo próprio filho. Desde crianças até a adolescência as brigas entre eu e Arthur eram violentas, eu evitava ao máximo nossos confrontos, por que eu sempre o deixava muito machucado e é claro que minha mãe me deixava muito mais machucado depois, sempre com seus castigos violentos e direcionados unicamente para mim, uma vez ela chegou a dizer para eu não tocar no filho dela, fiquei arrasado, pois não entendia o que eu podia ter feito para que ela não me amasse.

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