Capítulo 11

212 13 3
                                    

Acordei e olhei ao redor, vi minha mãe cochilando no sofá e o relógio marcava seis horas da manhã. Tentei me levantar e a dor de cabeça me invadiu, olhei no espelho ao lado e pude perceber um corte na testa, olhei meu braço e vi que estava enfaixado, olhei o outro e havia uma agulha na minha veia, olhei pra cima e vi a bolsa de soro.

Voltei a me deitar e fiquei olhando pro nada.

Alguns minutos depois a minha mãe acordou.

- Filha, você está bem? - Perguntou me analisando.

- Estou mãe. - Falei tristonha. - Cade o Douglas?

- Mandei ele ir pra casa descansar, ele passou a noite toda aqui.

- Mas o que, exatamente, aconteceu?

- Você foi atropelada mas graças a Deus você só teve ferimentos leves.

- E meu pai? Não vem me buscar?

- Ele já está aí.

- E ele vai me levar hoje? - Perguntei querendo chorar.

- Sim, hoje a noite.

Virei pro lado e fiquei olhando pela janela. Minha mãe entendeu que eu queria ficar sozinha e se retirou.

Lembrei do primeiro beijo que o Douglas me deu, aquele beijo roubado que me deixou toda desconcentrada, sorri também ao lembrar da surpresa que ele me fez, do nosso primeiro "eu te amo".

Tava sorrindo e chorando ao mesmo tempo quando ouvi o ranger da porta abrindo, virei pro lado e só consegui ver um urso e um buquê de rosas vermelhas.

- Posso entrar? - Falou a voz máscula que me derretia.

- Pode. - Falei tentando me levantar.

Ele entrou e fechou a porta com o pé. Ele colocou o urso no sofá e me deu o buquê de rosas.

- Bê, me desculpa por ser um idiota. Cara, eu não sei o ...

- Xiu. - O interrompi. - To com saudades.

Ele me abraçou enchendo meu rosto de beijos.

- Eu te amo, eu te amo muito, muito mesmo. - Falou com os olhos marejados.

- Eu também te amo. - Falei em meio as lágrimas.

- Seu pai está aí, ele quer te ver. - Falou secando minhas lágrimas. - Eu vou deixá-lo entrar. - Falou indo em direção a porta.

Ele saiu e meu pai entrou.

- Minha filha. - Falou me abraçando. - O que você aprontou, menina? Quase infartei ao saber que você foi atropelada.

- Não foi nada demais pai. - Falei tentando acalmá-lo.

- Que bom que você vai pra Portugal comigo, lá é menos perigoso.

- Mas saiba que não vou ser feliz lá, vou ter que deixar o meu namorado. - Falei triste.

- Meu amor, uma coisa eu te digo, isso que vocês sentem é só uma paixãozinha adolescente. Depois passa.

- E se não passar?

- Ai você volta pro Brasil e casa com ele.

Eu e meu pai ficamos conversando por um bom tempo.

O médico me deu alta e eu fui pra casa, cheguei lá e minhas malas já estavam arrumadas. Tomei um banho e me arrumei pra ir pro aeroporto.

Ouvi uma buzina familiar e fui atender, era a mãe da Gi com ela. Elas desceram do carro e me abraçaram.

- Então é verdade, você vai pra Portugal mesmo? - A Gi perguntou me soltando do abraço.

- Vou sim, daqui a pouquinho. - Falei desanimada.

- Eu te desejo muita felicidade, espero que sua vida de tão certo lá quanto estava dando certo aqui.

Quando ela falou isso eu a abracei mais forte.

- Te Amo, amiga. - Ela falou.

- Também te amo, gatinha. - Falei me soltando do abraço.

Ela e a mãe dela foram embora.

Já eram 6 horas da tarde, meu pai chamou um táxi, colocamos as malas dentro do carro e eu não parava de me perguntar onde o Douglas estava.

Suspirei e entrei no táxi junto com meu pai.

Chegamos no aeroporto e o nosso vôo era o próximo.

Estávamos sentados quando o Douglas chegou me dando um beijo no alto da cabeça.

- E aí, Luiz. - Falou comprimentando meu pai com um aperto de mão.

- E aí. - Meu pai falou seco.

Não sei porquê o meu pai não gostou do Douglas.

O Douglas sentou do meu lado e eu deitei a cabeça em seu ombro.

O nosso voo foi anunciado e todos fomos para fila, o Douglas segurava a minha mão e quanto mais se aproximava da aeromoça, que recolhia as passagens, ele apertava a minha mão. Parecia estar tramando alguma coisa.

Cheguei na aeromoça e dei o último beijo no Douglas.

- Eu te amo. - Sussurrei.

- Então fica. - Falou apertando minha mão.

Eu segurei o choro e o beijei novamente.

- Aline, vamos. - Meu pai nos interrompeu.

O soltei e entreguei a passagem. Cheguei na entrada do avião mas antes de entrar eu olhei pra trás e vi o Douglas me olhando com as mãos no bolso, parecia tentar não chorar. Senti uma enorme vontade de correr e fugir dali com ele mas não podia, isso só iria piorar as coisas. Respirei fundo e entrei no avião.

___________________________

Não Tem Como Dar CertoOnde histórias criam vida. Descubra agora