Capítulo 22

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O tempo passou rápido. Depois daquela briga e da confusão na sala do reitor os meninos nem se encostaram. Não sei direito quem ganhou a briga, mas, se fosse chutar, Johnny com certeza. Ethan se distraiu quando chamei seu nome enquanto batia em Johnny e ele mal respirava, acabou levando um gancho de direita e ficou deitado no chão.

E amanhã será o dia. Dia em que todos partirão, Sophia, Loïc, Ethan...

Não sei como me sentir sobre isso, não sei se devo ficar triste ou se seria muito inconveniente ficar aliviada.

Cruzo com Ethan no corredor do prédio de dança, mas não sei o que faz aqui. Tento não pensar e ignorá-lo. A aula começa fico várias e várias horas ensaiando.

Estou nojenta, suada e cansada, além de meus pés estarem sangrando na ferida aberta pela sapatilha, nada grave. Sozinha no vestiário, encaro a tatuagem no tornozelo que fiz com Ethan quando escuto alguém atrás dos armários. O próprio aparece com um sorriso tímido e triste.

- A quanto tempo você está aqui?- pergunto me sentindo exposta por ter trocado de roupa com ele me observando.

- Tempo suficiente.- ele sorri maliciosamente.

- Não pode entrar no vestiário feminino.- cubro meu corpo timidamente com as mãos, mesmo estando perfeitamente vestida.

- Nada que eu já não tivesse visto, ruivinha. Escuta, não vim aqui pra brigar..- ele passa os dedos nas mechas de cabelo perfeitamente bagunçado.

Ele está com barba e seu cabelo cresceu muito desde a ultima vez que nos falamos. Ele está com uma calça jeans escura e uma camisa branca. Impecável.

- Parabéns, consegue controlar seu ego?- sorrio e começo a recolher minhas coisas.

- Por favor, não saia. Não quero ter que te prender aqui dentro.- ele franze as sobrancelhas.

- Vai me fazer de refém agora, Ethan?- começo a andar em direção a porta mas ele entra na minha frente.

- Não se você me der uma segunda chance...- seu corpo fica rígido e percebo que não sairei dali tão cedo. Meu estômago está se embrulhando e sinto a bile subir na garganta.

- Me deixe sozinha.- apesar de não ter comido nada, não conseguirei segurar, preciso que ele saia. Ele se aproxima.

- Está tudo bem?

Largo minhas coisas no chão e coloco a mão no abdômen.

- Ethan, saia.

- Não. Você precisa de mim agora, podia admitir logo.

- Eu vou vomitar em você...- ameaço com a voz mais ridícula que já ouvi. Ele ri.

- Você realmente acha que vou ligar?- o encaro com tanta raiva quanto amor que sinto por cada músculo seu se aproximando de mim.-Contanto que esteja do meu lado, faça o que quiser. Só não me peça pra te deixar aqui.

Corro para o banheiro e apoiada na privada sinto suas mãos quentes em meu pescoço. Ele segura meus cabelos. Que cena bizarra, rio.

- De que está rindo?- ele ri também.

- De que você está rindo?- retruco pois não quero responder que o acho fofo pra cacete e que talvez, lá no fundo, eu queira que ele não desista de mim.

- Acho que você precisa de um banho.- ele sorri maliciosamente. Soco de leve seu ombro.- De nada por segurar seu cabelo, também.

Rio mais ainda.

- Tem razão, preciso de um banho.

Ele ergue as sobrancelhas e indico com o dedo para ele me esperar no vestiário.

E assim ele faz. Penso em tudo o que aconteceu e tudo o que ele fez por mim. E já estou bem com Johnny, ele não liga mais para tudo isso, talvez eu pudesse concertar as coisas.

Escovo os dentes lentamente para o veredicto de nossa relação. Decido que sim. Eu o quero do meu lado, para sempre.

...
Ele me deixa na porta do apartamento de Claire e Ben. Nos encaramos depois da enorme conversa que tivemos.

Sinto falta dele. Tenho dificuldade em admitir isso. Não estou mais com raiva, preciso dele comigo. Ele me beija na bochecha e se vira para ir embora. Ele dá alguns passos e vira para mim novamente.

- Você não quer..ir pra casa?- ele estica a mão.

- É o certo a fazer? Amanhã você vai voltar para França e... Não vale a pena ficarmos..

-Shhh.- sou interrompida por seu dedo indicador que agora está apoiado em meus lábios.- Por favor, não fale uma merda dessas. Não vou me arrepender nunca quando se tratar de você.

- Mas, Ethan..

- Eu preciso de você, Anna. Vem comigo.- ele aponta para a porta em um gesto exagerado.

- O que?!- me afasto assustada.

- Vamos para a França. Eu, por favor.- ele ajoelha e seus olhos imploram.

- Se você me pedir pra casar contigo...- ameaço, rindo.

- Nem trouxe a aliança.- ele dá de ombros.

- Você comprou alguma?- arqueio as sobrancelhas.

- Claro.- ele sorri.

Rimos juntos e nos beijamos. Cada toquei de seus dedos em meu corpo é como uma descida na montanha russa. Sua língua acaricia a minha e ele me pega no colo.

- Senti falta disso.- ele sorri e nos beijamos até o andar de cima, onde ficava nosso dormitório.

Já era de imaginar o que ia acontecer... De manhã eu acordaria ou a pessoa mais feliz ou a mais triste do mundo.

Por que ele tinha que voltar pra casa?

Quem eu menos esperavaOnde histórias criam vida. Descubra agora