Já era noite. Clarice, estava toda vestida de preto. Com um moletom de capuz. Um tênis surrado, as roupas eram velhas, pois era muito provável que elas fossem se sujar. Havia saido de casa silenciosamente. Nas costas. Levava uma mochila. A Típica adolescente em fuga. Não mandou mensagem para ninguém naquela noite. Estava se isolando de propósito. Talvez nunca mais pudesse ser vista... Seu cenário já não é mais sua casa. Agora, são dois portões de ferro enormes. Verdes. Os muros altos, brancos. O Cemitério. Voltamos. Os Portões, protegidos por uma corrente vagabunda e um cadeado. Era só empurrar um deles um pouquinho, que uma brecha bem pequena se formaria, o suficiente para esta garota magrela, que até buylling já sofreu por isso, poder passar. Força um portão para frente, e o outro para trás, deixa escapar um suspiro de ar com a força que faz, mas foi mais fácil do que pensou que seria. Colocou a cabeça, em seguida, como uma enguia, se ajeitava a entrar. Passou... Ao fundo, um feixo de luz, era a lanterna do vigia, provavelmente. Ela tinha que ficar fora do seu alcance. Se abaixou, e em passos rápidos se encaminhava a lápide desejada. Do bolso, tira o celular. Com a luz, voltada para baixo, para que não fosse notada, ela via seu caminho a diante. Correndo um pouquinho, logo alcançou. No celular apontavam 2:30 da manhã. Bem, meia hora talvez fosse tempo o suficiente para que ela caísse no sono, Apesar da adrenalina do momento. Ela já não dormia a 24hrs. Tudo para que não ficasse sem sono quando o momento chegasse. É Agora. Rapidamente, pode ver o túmulo rachado. As flores que ela havia posto mais cedo, estavam todas espalhadas. Suspirou nervosa
-Não adianta.. Nada do que você fizer vai me fazer mudar de ideia (Sussurou Clarice) -Leonard, eu estou indo meu amor, aguente firme!
Tirava a mochila das costas, sentava com as pernas cruzadas, tirava um cobertor, no qual se enrolava, e um travesseiro surrado todo rasgado. Havia terra por todo lado mesmo. Sujar não importava. Deitou discretamente, e tremendo um pouco de frio. Via a luz da lanterna do vigia se dissipar ao longe. Barulhos de grilos... Silêncio.. Respiração ofegante... somente a tela do celular para não ficar na completa escuridão. Por que não há medo? Essa é uma pergunta que só ela pode responder. Determinação, sua teimosia estava enfim fazendo efeito. Olhos fechando... Suspiros mais longos... pequenos movimentos de ajustes.... Inspira... expira... inspira... expira... inspira...
Um som agudo, tinindo em seu ouvido. Insuportável. Como se agulhas lhe perfurassem o ouvido. O rosto se contorce em expressão de agonia. Olhos fechados, ainda. Gemidos baixinhos.. dor. Coração acelerado. Tirava do bolso uma foto de Leonard, sem olhar, apertava-a... Respiração forte, mais forte, frio, frenético, Um Grito! Quem foi?! Abre os olhos!.....
Levantava rapidamente. Olhava em volta. Estava tudo acinzentado. Uma névoa encobria tudo. Olhos arregalados. Clarice conseguiu. Estava lá. Estendia a mão para frente, e não conseguia vê-la, por causa da densidade da névoa. Medo? Um pouco.. Satisfação? Totalmente. O cobertor, e seus pertences não estão lá. Apenas ela. O Mato antes verde, parecia morto, seco. E tudo mais ao redor, apesar da visão limitada. Virou para trás, viu os portões. Aquela era a entrada do cemitério.
-Como vim parar no começo?...
Ela soube, esse era o objetivo. Achar seu caminho de volta. Foi dando passos vagarosos. Ouvia choro, sussurros, vozes inaudíveis.. Mas ainda não via ninguém. Mais passos, mais passos, mais passos, a névo diminui. Tremia...Pode-se ver, várias sombras. Caminhando lentamente entre as lápides. Todas sem vida. Cabisbaixas. Assustador. Que frio. Parecia escuro. Mas por que Clarice via claramente? Ao olhar para si mesma, viu que de seu corpo emergia uma luz. Uma luminosidade que a denunciava no meio daqueles outros seres.
-Droga... Eu tenho que ser rápida!
Corre, mais rápido Clarice! Mais rápido! Eles vão te alcançar! Mãos saiam das névoas, eles sabem o que aquele brilho significava. Vida. Uma saída daquele purgatório. Desviava de todos. Consegue ver o túmulo de Leonard. Uma figura sombria estava sentada nele. Ela chegou perto, mas nem tanto. Não havia mais deles por perto. Ela conseguiu despistá-los? Bem, tinha que ter certeza se era Leonard.
-Leonard, querido... é você?...
A figura levanta a cabeça, e numa voz rouca, entrega as palavras
-Clarice?...
Sem hesitar, ela violentamente pega sua mão. E pode vê-lo mais claramente. Era ele! Sua mão estava tão fria. Como gelo. Doía ter que tocá-la. Mas as regras dizem para não soltar, não importa a dor.
-Vamos!- Disse Clarice, puxando-o.
Corriam ferozmente, repassando o caminho naquele pesadelo. Os outros seres também queriam saída. Gritos e mais gritos! Desesperados. Medo. Clarice parecia estar segurando um cubo de gelo de tão fria que estava a mão de Leonard. Mas continuava correndo. Se ela o soltasse por um segundo, não haveria segunda chance, estaria tudo perdido. Mãos ameaçavam tirá-lo dela, ela o puxava mais e mais.. mais um pouco, estão chegando ao portão, mais um pouco... Suas pernas cansadas, o cabelo balançando.. Ela nunca foi tão rápida... Para sua surpresa, um dos seres se impôs em sua frente tentando lhe impedir a passagem, Escuro, alto, medonho. Clarice respondeu com um golpe certeiro que o tirou do caminho, seu grito ecoou pelo lugar, e no segundo seguinte... Chegou ao portão, estendeu a mão para alcançá-lo... Foi quando...
Tudo ficou claro. Era de manhã. Estava de votla ao cemitério como antes. Normal. Toda ofegante. A mão de Leonard estava agora quente. Ele, suado, olhando espantado para ela. A Lápide dele. Não estava mais lá. Havia um buraco, como se alguém ainda fosse ser enterrado ali. Tudo mudou. O que ela fez, interferiu com a ordem natural das coisas. Vai ser como se ele nunca tivesse morrido. Todos nem se lembrarão de sua ausência. A Morte decidiu que era hora dele, mas Clarice avisou. Que "Ela" não iria vencer...
CONTINUA...
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Contos Para Não dormir
HorrorOi gente,se vocês são amantes de um bom terror esse livro é para vocês,aqui vou reunir os melhores contos de terror e suspense que já li,desde já agradeço por lerem!