Lizandra, a Discordia

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Dona Maria tinha 3 filhos machos, um de 18, o Julhio, um de 07, o Patrique, e um de 10, o Marcinho.
Certo dia, seu José, seu marido, um homem calmo e sereno estava acompanhando dona Maria para um passeio pela favela do sapo, no qual ela morou desde a infância, Dona Maria estava estranha como se quisesse contar algo, e algo muito grave. Seu Zé, vendo aquilo perguntou rapidamente:
-Maria, pru que que cê ta assim, eu já larguei do trampo e vim rapidinho te buscar, cê devia ta era agradicida.
-né isso não Zezinho, é que.... Hum, como eu digo....- respondeu Dona Maria parecendo querer falar algo.
-o que cê tem pra me falar, abre essa boca muie.
-Eu to gravida Zé, do nosso 4º filho.
Ambos ficaram calados por uns minutos, até ouvirem um som muito forte, pareciam tiros.
-Zé, meu Deus, o que é isso Zé.
Os dois se abaixaram e se agarraram por traz de um carro para se proteger dos tiros. Isso já era de costume na favela do Sapo, aliás, isso já era de costume em todo Rio De Janeiro.
Quando tudo se acalmou os dois correram para casa.
-Zé, não posso mai fica assim, to gravida pela 4 vez, isso ta ficano cada vez mais difícil.- Disse Maria assustada.
-Eu sei mais eu num posso Mariazinha, a bufunfa já ta quase no fim, depois vem as divida, e os parça do meu trampo também não ajuda.
Os dois se abraçaram e acalmaram uns Aos outros.
11 meses se passaram e eles ainda não haviam se decidido em qual nome dar a filha, pensaram em tantos nomes, Rosicleia, Janete, Ketylen, até que então, depois de tantas sugestões, seu pai disse:
-Maria, Nois bem que podia faze uma homenage a Mainha q morreu de Tuberculose ano passado né? -disse seu Zé com convicção.
-Lizandra? -disse Maria desanimada-É um nome sem classe zé, temos q da um nome mais rochedo pra menina.
Dona Maria percebeu a tristeza na cara feia e suja de Zé, então aceitou contra sua vontade que o Nome da pequena Fosse Lizandra.
As exatas 09:57 da manhã, O horário da discórdia, nasceu a Pequena Lizandra, uma criança miúda e magricela, com cara de joelho e bucho de lombriga, Nem parecia que ao crescer viraria um ser tão desnecessária, a discórdia em pessoa, pelo menos para Dona Maria era isso o que ela era, um nada, uma insignificante. Dona Maria nunca gostara de Lizandra, ninguém gostara alias, mas o fato dela ter o nome da sua sogra odiavel, no qual tentou matar 5 vezes, só aumentou ainda mais o seu despeito com Lizandra.
Lizandra, agora com 7 anos, derrubou mingau na mesa, Dona Maria com muita raiva, fez-a lamber a mesa inteira com o mingau quente.
Sempre fora mais excluída de tudo, agora com 7 irmãos as coisas pioraram.
-Moaci, meu queridinho, mainha vai comprar umas coisinha,volto em 37 minutos. -Falou Maria bando um beijo babado na testa de Moaci.
Moaci era o filho mais novo de dona Maria, recebia muitos mimos, e sempre fazia pirraça mas dona Maria nunca reclamava.
Talvez o fato de ter lizandra no nome teria feito sua vida um inferno.
Lizandra não duvidava nada, até crescer, e perceber que seu nome não tinha nada haver com a desgraça que sua infância foi, até perceber que o que o mundo tinha pra oferecer era melhor.

Bandidagem Dos BecosOnde histórias criam vida. Descubra agora