Capítulo 5: Pistas

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 Eu me despedi da Yasmim, e fui em direção ao prédio com Alex. Ter um distintivo traz vantagens as vezes é só mostrá-lo que as pessoas fazem o que quisermos.

  – Preciso ir no terraço – Eu digo ao porteiro enquanto passo pela porta, mostrando o distintivo para evitar enrolações.  Ele nem liga pra mim e continua lendo seu jornal tranquilamente. 

 Caminho olhando os cantos pra ver se  encontro câmeras de segurança, mas não há nada.

 – Alex?

– Hum? – Ele responde distraído.

 – Sabe que tipo de prédio é esse? – Nem tinha me dado ao trabalho de analisar.

 – Acho que é residencial, mas não de classe alta.

 – Isso explica a falta de câmeras de segurança?

 – Acho que sim Haward.

 – Mas fique atento, se tiver alguma eu preciso saber.

Subimos de elevador até o terraço, vimos uma câmera, mas sinceramente não parecia estar funcionando. Acho que não demos sorte, ou essa pessoa é muito esperta e soube escolher o lugar certo.

 Depois de um tempo observando tudo encontro perto da beirada um pouco de fezes. 

  – Alex? 

 – Fala – Ele diz enquanto vem na minha direção.

– Me tire uma dúvida.

 – Sim? 

 – Isso é o que eu estou pensando?

 – Eu acho que sim. É cocô? Ah meu Deus. 

 – Recolha uma amostra, talvez revele alguma coisa.

 – Eu? Porque eu?

 – Porque eu sou o chefe. – Eu disse brincando. Mas ele teve que recolher mesmo assim. – Ah e chame um biólogo temos que saber de onde veio isso.

 – Da onde veio eu sei, a questão é saber de quem veio e como parou aqui. 

Até tenho vontade de dar uma gargalhada mas me contenho pois a situação não permite, então dei apenas um sorriso.
como não encontramos mais nada resolvo dar uma olhada no percurso que o ônibus fez, enquanto Alex tenta entrar em contato com um biólogo.
No percurso encontro apenas duas câmeras de segurança, uma que mostra o local onde todos pegaram o ônibus e outra no percurso onde o ônibus passou muito rapidamente.

Nenhuma com nada de relevante no caso em outras palavras nada de anormal.


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 Volto pra casa por volta das seis da tarde, meio frustrado na verdade. Depois encontrar apenas um poco de merda, literalmente, não achei mais nada. As câmeras de segurança, eram inuteis. Só me resta analisar os depoimentos das famílias e ver se encontro alguma ligação ou coisa assim.

   Estela Rodrigues 

Professora/ 43 anos/ divorciada/ dois filhos /Mora com a irmã.

 Uma pessoa boa, mas muito rígida com os alunos. Simpática, mas meio depressiva nos últimos dias.

 Indo para o trabalho.

 Talvez os alunos resolveram dar um sumiço nela. Tá não deveria fazer piada com isso. 

 Isso não me ajuda em nada. Depressiva nos últimos dias, ela resolveu se matar? Não acredito que tenha sido isso. Próximo.

  Raul Alves 

  Estudante de Química / 22 anos/ solteiro/ Mora com os pais.

Uma pessoa simpática e comunicativa, de bem com a vida e pelo que parecia a maior parte do tempo feliz. 

 Indo para a universidade.

 Simpático e comunicativo? Não parecia nas filmagens. Mas eu o entendo, afinal eu também não sou muito durante a manhã. 

 Rodolfo Gonçalves

  Aposentado/ Colecionador de coisas antigas/ 63 anos/ viúvo/ mora com a filha.

 Meio rabugento as vezes, mas um bom pai. Sempre preocupado com as antiguidades dele. 

 Indo para um leilão, importante pra ele. Estava atrasado. 

  Colecionador é? Atrasado para um leilão? Como existem pessoas que gostam de ir à leiloes?

 Raul Amaral. 

 Motorista/ 36 anos/ casado/ sem filhos.

 Muito trabalhador e preocupado com a família. Sempre tentando não deixar faltar nada.

Trabalhando no momento.

 Outro Raul ? Quem sabe o sequestrador é obcecado por esse nome e de quebra levou uma Estela e um Rodolfo. 

  A mulher dele estava muito emotiva, quando eu disse à ela as ultimas palavras de seu marido ela soltou as lágrimas que fazia força para segurar, parecia que ela o amava muito.

 Isso não me leva à nada, não tem ligação nenhuma entre uma vítima e outra, só que pegavam o mesmo ônibus, indo para o mesmo rumo, mas com distancias consideravelmente diferentes. Estou enrolado, como posso trabalhar assim?

 Ouço meu celular tocar e atendo.

  – Oi Alex, novidades?

 – Claro. Sabe o meu amigo biólogo?

  – Sei.

 –  Pois é, ele descobriu do que é o nosso montinho de merda.

 –  Nosso? Seu. E tão rápido? 

 –  Ele é muito bom, mas você não vai acreditar no resultado. 

 – Desembucha Alex.

 – De elefante! Isso mesmo, bosta de elefante em cima de um prédio. Achei muito surpreendente também.

 – Ta brincando comigo, não é?

   – Jamais faria isso. Tem alguma chance de um elefante subir em um prédio e tipo sabe fazer cocô lá? – Ele diz meio que se divertindo com a situação.

 – Isso está cada vez mais estranho. Nada tem ligação com nada. Liga pra Yasmim e vê o que ela descobriu.

 – Pode deixar.

 Depois de desligar o telefone foi tomar um banho e ver se esquecia um pouco tudo isso. Quanto mais descubro mais fico confuso. Melhor eu dormir e torcer para encontrar algo mais concreto amanhã.

_____

 Acordo com o barulho irritante do meu celular tocando.

 – Alô.

 – Haward à Yasmim sumiu.





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