Eu entro na delegacia e noto como tudo está agitado, Yasmim era, quer dizer, era não, é muito querida por todos. Quando eu chego perto do Alex, escuto um pedaço da conversa que está tendo com um homem.
– Umas palavras estranhas? – Alex perguntou.
– É, nunca vi nada parecido. Depois deixou a mochila no chão e saiu correndo, quando eu levantei e olhei pro beco, ela tinha desaparecido.
– Desaparecido? – Alex estava tão chocado quanto eu.
– Isso ai. Num segundo estava lá e no outro, não estava.
– Ele tá bêbado? – Alex perguntou, bom não sei pra quem porque ele não tinha me visto– Ou drogado? Ou algo tipo?
– Não, estou sóbrio. – O homem se explicou – Eu achei que estivesse ficando louco.
– Tudo bem obrigada.
Alex virou me viu e veio na minha direção.
– O beco não tinha uma porta ou algo parecido, que ela pudesse ter entrado?
– Não, investigamos. Nada de portas, janela ou escadas e o beco se estende por vários metros, nem a pessoa mais rápida do mundo poderia correr até o final no tempo que ele disse.
– Talvez ele tenha demorado um pouco mais do que disse para levantar. Não é tão surpreendente. Além do mais ele pode não estar bêbado agora, mas poderia estar ontem à noite.
– Tem razão.
– Eu sei. Tinham câmeras de segurança? Se sim eu quero todas no meu computador agora. E quero pessoas nas ruas, procure por todos os cantos dessa cidade. Não que as outras pessoas não fossem importantes, porque eram muito, mas agora ele mexeu com um de nós e terão consequências.
– É assim que se fala! E as duas coisas já foram feitas, as filmagens estão na sua área de trabalho, e temos pessoas nas ruas.
– Hum, que bom. Está aprendendo Alex. Parabéns.
– Obrigado. – Mesmo com o elogio ele não ficou muito feliz.
– Ei, vai ficar tudo bem! Vamos encontrá-la, viva!
– Assim espero.
As filmagens batiam com a descrição da cena que o mendigo nos tinha dito, ela deixo a mochila e saiu correndo, como se não bastasse o caso está ficando cada vez mais complexo, ai ai tenho que dar uma olhada na prova mais concreta que temos.
– Alex!– Grito pra ele que estava procurando por pistas– Onde tem elefantes por aqui?
– Só no zoológico senhor.
– Ótimo peque o carro e venha comigo. Vamos ao zoológico.
_________________________
Chegando lá Alex me faz uma pergunta, meio besta por sinal.
– Senhor? Nós não deveríamos focar as investigações em Yasmim?
– Não seja bobo Alex. Está na cara que todos os desaparecimentos estão interligados– Eu respondo com uma cara meio irônica.
–Todos que desapareceram deixaram algo para trás, conhecidencia? Eu acho que não.
– Sim, mas parecia que Yasmim estava sendo controlava, e se for assim ele pode estar controlando qualquer um de nós.
Alex tem razão. Eu conheço Yasmim muito bem, ela não era rígida como estava parecendo na filmagem. Era alegre e despojada e ... Ela é uma excelente pessoa. Caminhamos em direção à cela dos elefantes. Tem poucas pessoas no zoológico, o que é ótimo.
– Ei amigo. – Eu pergunto à um dos funcionários. – Você pode me dizer onde está a pessoa que cuida dos elefantes?
– Como?
– Preciso falar com a pessoa que cuida dos elefantes.
– Ah é o Aílton. Porque o que houve?
– Ainda não sei, mas estou aqui para descobrir.
Eu segui em direção à uma sala somente para funcionários, onde o homem disse ter visto Aílton pela ultima vez. Quando cheguei na porta ele estava sentando mexendo no celular.
– Aílton?
– Sou eu. O que precisa?
– Eu sou o agente Haward Albin, e preciso que me responda algumas perguntas.
– É claro, eu respondo. É sobre o meu irmão não é?
– Como? – Do que ele está falando?
– É, meu irmão. Raul. Que está desaparecido. Não é sobre isso?
– Na verdade não. É o mesmo caso, mas não exatamente.
Então ele é irmão de um dos desparecidos. O quão isso pode ser coincidência?
– Do que o senhor está falando?
– Só responda as perguntas. Quem além de você tem acesso à cela do elefante?
Eu podia perceber à confusão em seus olhos, mas ele me respondeu mesmo achando aquilo estranho. Eu entendo, até eu estou achando isso estranho.
– Somente eu. Ninguém mais tem autorização. Eu também cuido dos macacos e alguns pássaros.
– Onde o senhor estava ontem de manhã?
– De manhã? Acho que... Bom eu acho que acordei e vim direto para o serviço.
– Você acha? Se explique.
– É que eu estava um pouco abalado pelo sumiço do meu irmão. Somos muito próximos.
– Hum. Entendo. Viu algum tipo de movimento estranho aqui ontem ou antes de ontem?
– Deixe me ver. Não, as coisas estão normais aqui como sempre.
– Tudo bem, então. Obrigado pelo seu tempo.
Alex saiu da sala, e eu ia saindo também, mas me lembro de algo que eu não poderia esquecer.
– Mais uma coisa. Você sabe algo sobre um livro verde?
Vi em seus olhos algo se estalar como se estivesse se lembrando de algo. Isso, é essa expressão que eu quero ver.
– Um livro? É eu vi um com o meu irmão, desde quando ele apareceu com esse livro não largava por nada, e estav...
Ele parou de falar de repente, e pude perceber que algo em seus olhos estava mudando. Eles pareciam sem vida, frios. Eu olho pra trás pra ver se tem algo atrás de mim que pode o fazer estar daquele jeito. E então eu sinto duas mãos apertando meu pescoço com força. Dou um chute na lateral do corpo dele, mas ele não parece sentir dor. O oxigênio está se esgotando eu preciso fazer alguma coisa rápido, tento olhar em redor pra ver se há algo que eu possa usar, mas não vejo nada. Tateio à mesa à minha direita em busca de algo pesado para acetá-lo. Pego a coisa mais pesada que encontro e acerto com toda a força que me resta na cabeça dele, não foi tão forte por conta da falta de oxigênio, mas ele me solta e cambaleia um pouco para o lado, para o meu azar, na frente da porta, acabo caindo no chão e me arrasto para trás de uma outra mesa que está ali enquanto recupero o folego.

VOCÊ ESTÁ LENDO
O mistério do livro verde
Mystery / ThrillerQuatro pessoas, um ônibus comum, um dia estranho e um misterioso livro verde! Em um dia comum dentro de um ônibus coisas estranhas aconteceram, abrindo um novo caso para o Agente Haward Albin. A forma como as coisas aconteceram deixando um grande m...