Capitulo 2
A fogueira é tradição de volta as aulas, onde só é permitido os alunos veteranos, a fogueira nada mais é do que um monte de gravetos e galhos pegando fogo no meio de bancos feitos de toras de madeira e de muita bebida, som alto e adolescente se agarrado. São poucas, quase impossíveis, a chance de ter festas em Beckervill, por isso aproveitamos as poucas horas que temos.
Dizem que a primeira fogueira foi acessa no dia que a família fundadora chegou a essas terras, Arnold Becker queimou um pedaço de papel com os escritos, prosperidade, paz e fertilidade como seus desejos para o seu novo lar, em pouco tempo mais famílias vieram e a cada ano os habitantes de Beckervill jogava seus desejos na fogueira para serem queimados e assim se realizarem.
Aos poucos essa tradição foi modificada até que fosse feita por adolescentes bêbados que não se importa com a origem dela, mas uma coisa ainda fica, os desejos escritos num pedaço de papel sendo queimados na fogueira.
- Você está magnifica- diz Rose ao me ver, como sempre faz um belo comentário, troquei a sapatinha, saia e o casaquinho por botas, calça jeans e jaqueta de couro preta para me aquecer, porque a noite está muito fria.
- E quando que eu não estou? - mas no fundo não me sinto magnifica ou especial, me sinto comum. - Cadê a Karen?
- Foi pegar as bebidas.
- Então, o que descobriu do cara novo, e que sejam novidades porque eu sei que ele mora na pensão do Vale e que é órfão.
-Bem, isso também descobri, então fui até a pensão e a senhora Nancy disse que ele pagou por dois mês, mas que não levou nada para lá e que não passou uma só noite.
- Estranho...
- Estranho mesmo é não ter nada sobre ele na internet e nem nos arquivos da polícia, é como se ele não existisse - eu já disse que Rose é filha do delegado da cidade e que sempre invade o sistema da polícia?
- Então eu acho que vou ter que perguntar pra ele pessoalmente- digo apontando para ele, logo na árvore da frente, olhando a fogueira, o único olhando para ela.
- O que? Mel ele pode ser perigoso.
- O que ele poderia fazer aqui? E você acha que se ele fosse algum tipo de assassino em série a minha mãe deixaria ele entrar no seu precioso colégio?
- Provavelmente não, mas nos arquivos da polícia...
- Você vai acabar sendo presa por invadir o servidor da polícia de Beckervill.
- Presa? Eles vão é me contratar, porque aquele sistema de segurança é um lixo, até um velhinho que não consegue mexer as mãos- ela balança as mãos na minha frente- consegue invadir com os olhos fechados.
- Você é bem exagerada.
-Um pouco, ás vezes, mas não estou exagerando quando digo que aquele cara é perigoso e que você tem que ficar longe dele, bem longe dele.
- Falou a garota que hoje cedo estava se derretendo por causa dele.
- Ele é um gato - ela suspira - bom demais pra ser real, mas perigo, exatamente porque é muito bonito.
- Ser bonito agora é crime?
- Ninguém é tão perfeito.
-Eu não vou ficar longe dele, ao contrário, vou fazer ele se apaixonar por mim.
- Pra quê? Pra depois descartar ele como sempre faz com todos? Você só está tão obcecada porque ele te rejeitou.
-O que disse, Rose? - falo furiosa.
- Mel, me desculpe eu só quero o seu bem.
- O que está acontecendo aqui? - pergunta Karen com três latas de refrigerante nas mãos.
- Nada - digo.
- Então, o que achou? Tem mais gente esse ano - disse animada - Hoje tem que ser a melhor fogueira de todas, porque é a última, ano que vem seremos universitárias e tudo será diferente.
- Então vamos aproveitar ao máximo - digo pegando uma das lata de refrigerante de Karen e tomo um gole, depois me viro para sair.
- Aonde você vai? - pergunta Karen
- Agora eu preciso fazer uma coisa - respondo.
- Mel? - diz Rose
- Eu vou aproveitar cada segundo- vejo Jamie encostado na mesma árvore ainda olhando para fogueira com uma lata de cerveja na mão.
Me aproximo sem fazer barulho para que ele não me veja e saia outra vez, mas ele não percebe nem quando paro ao seu lado e espero ele se virar, ele parece hipnotizado pelas chamas da fogueira que parecia dançar na sua frente, resolvo dar o primeiro passo e puxo um assunto, pra chamar a sua atenção.
- A festa da fogueira nem tem uma fogueira que preste, não é? - ele continua calado o que me deixa furiosa, não é possível que não esteja me ouvindo - O que importa é a bebida e a música, mas nem sempre foi assim, antes realmente tinha um significado e a fogueira era bem melhor - espero algum comentário, mas não teve nenhum, nem mesmo um suspiro ou um gesto de cabeça. - Me chamo Melanie Stancy, mas pode me chamar de Mel - espero um cumprimento o que é claro não acontece - Você é o Jamie, não é? Você veio de onde? - a pergunta pareceu ter algum efeito porque ele se vira para mim e olha nos meus olhos, parece que as chamas ainda estão lá o que não dava pra saber a cor dos seus olhos.
- Olha - ele pronunciou de forma lenta e ameaçadora - A última coisa que eu quero agora é ouvir uma garota mimada e fútil que se acha superior a todos aqui, sobre um assunto que não me interessa nem se fosse a última pessoa da terra. Se não ficou claro mais cedo, eu vou tentar deixar o mais claro possível para que você entenda, eu não quero falar com você, ficar perto de você e nem fazer parte dos seus joguinhos, e você também não deveria querem ficar perto de mim, então faça um favor a se mesma e fique longe - ele estende a lata de cerveja que está em sua mão e eu automaticamente a pego.
- Eu não bebo, obrigada - digo devolvendo a lata que ele não pega.
-Está vazia -responde e sai, a minha vontade é de ter jogado a lata na cara dele com toda força, mas tudo o que eu consigo fazer é ficar parada com a lata na mão.
Volto para onde está Karen e Rose e o resto dos alunos, a maioria se agarrando, como o meu ex namorado Bill que está com Mary em seu colo, que hoje mesmo havia me dito que ainda me amava e que agora parece querer engolir a garota, logo a Mary, a garota mais oferecida do colégio, como a fila anda rápido.
- Isso que é dor de cotovelo - dizia Karen quando me aproximei.
- Pelo jeito que eles estão se agarrando, não deve ser só o cotovelo que está doendo - disse Rose - É capaz de ter um outro Bill ou outra Mary no mundo daqui a nove meses.
- Não diga isso nem de brincadeira - fala Karen - Mel, como foi com o garoto mistério? - diz mudando de assunto.
- Você quer saber se eu desisti, eu não desisti, eu nunca desisto. Segura isso - entrego a lata de cerveja para Rose.
- Eu pensei que você não bebesse, por isso eu trouxe coca light para você - diz Karen que aponta para lata de coca ainda na minha mão.
- E não bebo - eu estava furiosa e me sentido desafiada.
- Agora o que vai fazer? - pergunta Karen.
- Vamos queimar os nossos desejos - digo.
O papel e a caneta já estavam por perto e em pouco tempo nossos desejos estavam escritos em um pequeno pedaço de papel rosa escrito com letras pretas, Karen começa a dizer os seus.
- Que essa ano seja inesquecível - em seguida joga o papel no fogo que queima rapidamente.
- Que possamos estar sempre juntas - Rose joga o dela.
-Que possamos aproveitar cada segundo - Jogo o meu e depois pego uma lata de cerveja de dentro da caixa de isopor com gelo no chão.
- O que você está fazendo? - pergunta Karen.
- Para que seja inesquecível precisamos aproveitar cada segundo, todas nós, juntas, afinal é nossa última fogueira - cada uma pega uma lata de dentro da caixa de isopor, tocamos as nossas latinhas de cerveja como se fossem taças de champanhe e tomamos um gole.
Algumas horas depois e várias latas de cerveja, estávamos bêbadas e dançando em frente ao carro de som juntas como o resto dos alunos, sempre achei que quem bebesse é um idiota que não tinha controle sobre si mesmo, que fazem as coisas sem pensar, mas hoje, só hoje, eu queria ser assim, não ter que fazer nada pensado, só aproveitar a festa, dançar, beber e me divertir com os meus amigos.
Com a minha cabeça girando não consigo andar direito sem tropeçar em tudo e em nada, parece que todo o meu corpo vibra e não tenho controle de mim mesma, Rose a certinha e sempre comportada dançando e sorrindo, Karen a responsável bebendo e se divertindo, todos estão tão alegres e depois de muito tempo eu também estou.
Sinto um braço envolvendo a minha cintura e um segundo depois eu estou beijando o ex namorado de Mary que sempre deu em cima de mim, um galinha, mas um gato, beijamos e dançamos no ritmo da música, se é que dava pra ter algum ritmo. Ele se afasta bruscamente e cai no chão o que me faz dar um passo pra trás e quase cair também, só que ele não caiu sozinho levou um soco e está tão bêbado que não consegue se levantar, Bill havia o acertado, ele segura o meu braço enquanto diz alguma coisa, não entendo por causa do som alto então me aproximo dele pra dizer que não entendi uma palavra que ele disse, mas em vez disso acabo o beijando, e ele retribui. O álcool realmente mexe com a cabeça da gente.
- Fica aqui! - grito para o Bill o mais alto possível - Eu já volto - ele sinaliza que entendeu, também está bêbado.
Afasto do carro e vou em direção a fogueira a procura de água mineral em meio as latas de cerveja na caixa de isopor, encontro uma garrafa no fundo e a pego, bebo toda água, me viro para voltar para o carro, mas vejo um vulto no meio das árvores, reconheço de imediato, pego uma lata de cerveja e abro e depois entro dentro da mata atrás de Jamie, quando se está bêbada você faz coisas estupidas como seguir um cara estranho, provavelmente perigoso, floresta a dentro no meio da noite.
Está escuro, devia ser quase meia noite, mas eu conheço bem esse lugar, cresci aqui, conheço cada pedra, árvore e buraco, sempre brincava nesse lugar quando era criança, porque é perto da minha casa e era meu lugar favorito para se esconder, bem, é até hoje. Eu estou bêbada, mas ainda consigo andar sem me entregar, quero ver para onde Jamie está indo, o som alto vindo do carro também abafa os meus passos, mas o som vai ficando cada vez mais longe até que se tornar só um zunido e posso ouvir as folhas das arvores balançarem lá de cima em sincronia perfeita.
Jamie se senta em um tronco caído no meio do caminho de costa para mim, me certifico que ele não está me ouvindo e continuo a me aproximar devagar e cautelosa, não sei o que fazer quando chegar, mas posso colocar a culpa no álcool. Chego e coloca a mão, que não estou segurando a lata de cerveja em seu ombro e um segundo depois estou sendo derrubada no chão com tanta força que faz com que minha cabeça bata no chão e volte, mas não consigo me levantar porque tem um braço atravessado em meu peito e uma faca em minha garganta que me impede de levantar, como se só a faca já não me impedisse de levantar ou de me mexer e ainda me deixa sem ar.
Seu olhar é de um predador que conseguiu pegar a sua presa e agora iria tortura-la e depois que se cansasse a mataria sem dó, ele mantem os dentes cerrados e uma energia furiosa parece sair de dentro dele. Fecho os olhos esperando que ele terminasse o que começou, ao contrário, ele continua imóvel e parece tremer sob a faca. Imagino como seria para minha mãe encontrar o meu corpo na floresta ou ter que reconhecer no necrotério, como já fez antes, se caso ele deixasse o meu corpo como prova do crime.
- Eu te avisei para ficar longe de mim, garota estupida, qual é o seu problema? Não consegue viver com o fato de que ninguém é obrigado a gosta de você - Jamie grita, não furioso, parece mais frustrado. - as pessoas dessa cidade devem te venerar por ter um rostinho bonito - ele aperta o meu rosto com a mão livre e a faca ainda na minha garganta, o que diminui o aperto sobre mim, mas ainda não consigo soltar a respiração que tinha prendido quando caí, tenho medo de respirar e ele cortar a minha garganta.
Olho ao redor tentando ver alguém ou alguma forma de pedir ajuda, mas estou longe e ninguém poderia me ajudar, ninguém sabe onde eu estou, tentar gritar é inútil e ainda mais perigoso, tentar correr seria impossível não conseguiria nem me levantar.
- Eu não queria que tivesse chegado a esse ponto, não sabia que você era tão insistente, você com certeza não devia ter vindo atrás de mim no meio da noite na floresta escura - ele agora falava lentamente como se fosse pra me dar mais medo, o que realmente estava dando certo, ele olha ao redor e depois volta a falar, sua pulsação esta acelerada isso dava pra notar pela forma em que seu abdome sobe e desce rapidamente - Pode ter animais selvagens aqui.
- Aqui não tem animais selvagens - digo com a voz tremula.
- Eu não me referia aos de quatro patas - ele dá um sorriso que faria qualquer garota se apaixonar, mas naquela situação era ameaçador, e encantador ao mesmo tempo e seria a última coisa que eu veria.
Fecho os olhos outra vez imaginando como as pessoas sentiriam a minha falta, se chorariam ou não, Karen e Rose achariam uma nova melhor amiga, seria a Mary? E a minha mãe, aguentaria mais uma perda? Minha vida passou diante dos meus olhos e eu não gostava do que via, quando penso que chegou a hora, sinto a faca deixar o meu pescoço, abro os olhos e Jamie está em pé, me olhando como um animal pronto pra atacar, mas não faz nada, continua me encarando.
- Fique longe de mim, eu não quero te machucar, mas se for necessário eu farei, e acho melhor você não beber mais - aponta para a lata de cerveja que milagrosamente ainda está na minha mão e sai correndo, não me atrevo a ver pra onde ele vai, só permaneço deitada.
Toco onde antes estava a lâmina da faca e sinto o sangue e uma leve ardência, ele já havia me machucado não apenas fisicamente, levanto e tiro a terra da minha roupa, o que faz uma dor atravessar todo o meu corpo me fazendo gemer involuntariamente. Tenho medo que ele volte para terminar o que começou então jogo a lata de cerveja o mais longe possível e saio correndo em direção a fogueira, não sabia o que faria quando chegasse lá, ele não havia mandado ficar de boca fechado, mas com certeza eu deveria ficar, afinal, eu que fui atrás dele, me esgueirando nas sombras, ele poderia alegar que se defendeu, não sei o que fazer, não sei se poderia ficar pior, mas não iria querer descobrir.
Quando volto tudo parece normal, ninguém percebeu minha ausência, talvez eu não tenha ficado tanto tempo fora como havia pensado, todos estavam se divertindo, bêbados o suficiente para não ver o que aconteceu. De repente me sinto sóbria e ainda mais apavorada, como se todos os meus sentidos estivessem ligados e disparados e me sinto uma grande idiota, nesse momento eu poderia estar morta.
Encontro Karen no meio de algumas pessoas, apesar dela sempre ter estado com uma lata de cerveja na mão, não parece estar bêbada, só feliz.
- Eu já vou embora - digo, tentando parecer o mais normal possível, mas não deve ter sido o suficiente, porque Karen pergunta desconfiada.
- Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
-Está tudo ótimo - respondo cobrindo com a mão o ferimento no meu pescoço discretamente - Só estou cansada e já está tarde. Cheguei de viagem ontem e ainda nem desfiz as malas. E confesso que bebi um pouco a mais.
- Você quer que eu te leve em casa? - diz tocando o meu braço, ela ainda está desconfiada.
- Não precisa, consigo ir, mas acho que você vai ter que levar outra pessoa para casa - aceno para Rose dançando com os braços erguidos e balançando a cabeça, ainda bem que ela veio com uma roupa decente - e acho melhor que seja para a sua.
- Os pais dela vão ficar furiosos.
- Sorte a dela, até a amanhã no colégio, o que comprova ser uma péssima ideia a festa da fogueira ser no meio da semana, amanhã vão estar todos de ressaca.
- Isso nunca te incomodou. - diz ela
- Eu nunca tinha bebido na fogueira antes.
Antes de sair vejo Rose nos braços de David, um garoto do colégio, um ano mais novo que ela, se beijando. O caminho até o carro é longo e assustador, a cada ruído dou um passo para trás. Chego em casa em menos de cinco minutos, pelo caminho tentei não pensar no que aconteceu, antes de descer os olhos pelo espelho retrovisor, uma linha vermelha clara está ali pra me lembrar do que aconteceu e que não foi alucinação por causa da bebida.
É impossível não lembrar quando todo o seu corpo doí a cada passa que dá, por ter sido jogada no chão e ter sido ameaçada com uma faca. Em casa entro sem fazer barulho, já se passa da meia noite e minha mãe normalmente trabalha até tarde, ainda mais no início do ano letivo, ela está tão concentrada que nada a distrae.
- Oi, mãe, cheguei! - a proposito cheguei de viagem também. Ela responde do escritório com um "HUM" enquanto foliava alguns papeis de cima na mesa - Eu estava com os meus amigos na festa da fogueira.
- Aham - responde sem olhar pra mim.
- Eu vim mais cedo porque tinha que desfazer as malas porque cheguei de viagem ontem e não tive tempo, quando eu cheguei você estava no colégio e fui dormir- ela agora digitava em seu notebook- mas estava bem divertido, cerveja, música alta, adolescentes se agarrando, um psicopata tentando me matar com uma faca.
- Desculpe querida, o que disse? - ela havia tirado o óculos e me olhava, respiro fundo e respondo.
- Nada de importante, eu vou subir para desfazer as malas e depois dormir.
- Boa noite, querida.
- Boa noite, mamãe.
Três semanas é o tempo que não falo com minha mãe e é essa a atenção que recebo, talvez se eu tivesse morrido e ela fosse chamada pra reconhecer o corpo, ela provavelmente teria dito "Não é a Melanie, porque ela está viajando" então eu seria uma indigente. É, Jamie Smith, você está errado, nem todos dessa cidade me venera, para alguns eu sou invisível.
Tiro a roupa suja de terra e a coloco pra lavar depois que tomo um banho quente, o que parece relaxar um pouco meus músculos , pego no sono rapidamente e em pouco tempo sou levada de um sonho para outro, no início estou no colégio, mas ele está vazio, ando por ele procurando por alguém, mas não encontro ninguém, então sento em uma das cadeiras e começo a escrever, não consigo ler o que escrevo, depois me vejo em casa ainda sentada nas cadeiras do colégio, a casa também está vazia e escura, não havia janelas, onde antes elas estavam agora é só tijolo, mas um vento entra pela casa arrastando terra e folhas secas das árvores para dentro até que tampasse o meu campo de visão e quando finalmente consigo ver, estou na floresta e começo a correr até cair e ser arrastada pelos pés.
Acordo ofegante, ainda são seis da manhã, tinha ainda duas horas antes de estar no colégio, aproveito para tomar um banho quente para ver se meus músculos para de doer e porque eu ainda sinto cheiro de cerveja em mim. Passo maquiagem para esconder o pequeno corte no pescoço e por via das dúvidas envolvo um cachecol, ainda bem que está frio.
Na frente do espelho sorrio, isso vai passar, penso, um dia vai ser só uma lembrança ruim de um dia em que você estava bêbada e fez uma estupidez, talvez várias, mas parece mentira, eu sei que não será só uma vaga lembrança. Se eu não consigo nem enganar a mim mesma, como vou enganar as minha amigas dizendo que está tudo bem, como será quando eu encontrar com Jamie, porque com certeza nós nos encontraremos pelos corredores, alguém vai perceber, quando finalmente penso que a minha vida finalmente vai estar no lugar certo isso acontece e desmorona tudo, não importa o esforço que eu faça para evitar a tempestade ela sempre aparece e se mostra superior, e cada vez leva um pedaço de mim até que chegue o dia que não sobrará mais nada.
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Feche Os Olhos
RomanceTudo o que Melanie Stancy queria era terminar o ensino médio e sair daquela cidade que só trouxe tristeza e começar uma nova vida bem longe dali. Porém, o último ano que parecia estar sob o seu total controle vira de cabeça para baixo, quando um gar...