QUANDO AS FOLHAS CAEM

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Capitulo 4

- Como você está? - pergunta Karen enquanto caminhamos para sala.
- É pra ser sincera? - pergunto.
- Sempre.
- Estou bem em relação a ontem, mas não tão bem em relação a tudo. Mas eu quero que me distraiam.
- O que vamos fazer depois da aula? Podíamos ir almoçar na Vovó Cindy - diz Rose.
- Pode ser - respondo tentando parecer animada.
- E depois vamos ao shopping, soube que abriu uma nova loja de roupa lá - diz Rose animada.
- Você nunca compra nada - digo.
- Eu sei, mas gosto de olhar o que não tenho coragem de vestir.
- Se torturar? É isso que você quer dizer?- pergunta Karen.
- Não, é mais um sentimento que estou fazendo a coisa certa, não sendo depravada.
- Nem todas as roupas de lá são depravada - diz Karen, ela só compra lá.
- Não, mas as que chama minha atenção são.
- Você quer chamar a atenção de quem? - pergunto
- De ninguém.
- Quem é? É o David? Safadinha, pegando um garoto mais novo - digo rindo dela.
- Não é o David.
- Então tem alguém.
- Richard - revela Rose.
- Richard? Quem é Richard? - pergunto
- O faxineiro.
- Você quer pegar o faxineiro?
- Eu não quero pegar o faxineiro.
- Você quer sim.
- Talvez.
- Talvez? Você está falando sobre comprar roupas depravadas, é claro que você quer pegar ele.
- Não fala assim, pegar, é estranho - Karen e eu rimos - vamos mudar de assunto. Ah, Mel eu estou procurando mais sobre o Jamie Smith, não achei nada, vou ter que fazer reconhecimento facial, mas não tenho nenhuma foto dele que der para ver direito.
- Eu não quero que você procure mais nada sobre ele, entendeu, você tinha razão ele é perigoso- digo assustada.
- Como sabe? - perguntou Karen - ele te fez alguma coisa?
- Não! - menti - aliás, ele não apareceu nem ontem e pelo jeito nem hoje no colégio, deve ter voltado pro buraco que saiu.
- Verdade, não o vi ontem e nem hoje, mas ele seria um caso curioso pra investigar.
- Bill perguntou sobre você ontem - disse Karen numa tentativa para mudar de assunto.
- E o que você falou?- pergunto.
- Que provavelmente está bem.
- Ótimo.
- O que vamos fazer depois de almoçar? - pergunta Rose.
- Acho que vou pra casa - respondo
- Por que? Vamos ao shopping comprar roupas depravadas pra Rose conquistar o faxineiro- diz Karen animada.
- Parem com isso - protestou Rose.
- Vou correr um pouco.
- Você sabe que não precisa se isolar - diz Karen
- Não estou me isolando, só quero correr um pouco, a noite podemos ir ao cinema, o que acham?
- Eu acho uma ótima ideia - diz Rose.
- Por mim está ótimo -concorda Karen.
~~♥~~
Visto minha roupa de correr, meu tênis, amarro meu cabelo em um rabo de cavalo alto, pego o meu celular e olho pela janela e vejo um carro da polícia e um outro carro preto estacionado em frente à casa, desço a escada correndo. Se policias estão na minha casa, com certeza algo de muito ruim aconteceu, ainda mais por não ser os da cidade, eram policiais de Montcity, cidade grande e ponto turístico, é a maior cidade da região, fica mais ou menos duas horas de Beckervill. Minha mãe está conversado com um dos policias quando desço as escadas correndo.
- O que está acontecendo - tento imaginar quem havia morrido para ter policiais na minha casa. Da última vez vieram pra dizer que a minha irmã tinha morrido e antes o meu pai, ter policiais na minha casa sempre foi um mal sinal.
- Melanie, suba para o seu quarto. - diz minha mãe calmamente, mas ela está nervosa.
- Não, eu quero saber o que está acontecendo - cruzo os braços em frente ao peito.
- Senhorita - diz um dos policiais, ele é alto e magro, cabelo preto e curto, rosto fino e estava usando terno sem gravada - eu sou o detetive Alexandre Cross de Montcity, estamos procurando Willian Belfort.
- Quem? - não conhecia, mas ele disse como se eu o conhecesse.
- Aqui ele usou o nome de Jamie Smith.
- O Jamie? - pergunto surpresa, ele é realmente perigoso?
- Você o conhece? - pergunta o detetive.
- Não exatamente, eu só o vi no colégio - não sabia se devia falar do que aconteceu na fogueira, por algum motivo desconhecido não falo.
- Estamos procurando ele, sabe onde ele possa estar?
- Eu sei que ele se registrou na pensão do Vale, mas não dormiu uma só noite lá, a última vez que o vi foi na segunda, então numa hora dessa ele deve estar bem longe de Beckervill - dou de ombros.
- Mesmo assim ainda vamos procurar por aqui.
- O que o Jamie... Willian fez? - quero saber.
- Ele se envolveu numa briga com um colega do antigo colégio Lauren de Montcity.
- Ele estudava na Lauren? - Lauren é o tipo de colégio que só estuda os riquinhos, que são todos certinho que usa cabelo de lado e roupa bem passada, bem metidos e arrogantes, já conheci alunos de lá, e o Jamie/ Willian não faz o estilo deles.
- Ele tinha bolsa de estudos- ele continuou como se compreendesse a minha duvida - Acontece que na briga o garoto morreu.
- Morreu? Como? - pergunto espantada, saber que ele é perigoso eu sabia, mas assassino, é diferente, ele poderia ter me matado, então por que não me matou?
- Willian o esfaqueou - sinto um calafrio, será que foi com a mesma faca que ele me ameaçou? - encontramos a arma do crime no apartamento dele - respondeu o detetive como se tivesse lido minha mente.
- Como ele veio parar aqui. Ele não foi preso?
- Nós o prendemos, mas logo depois um amigo dele se entregou dizendo que foi ele que matou o garoto, então Willian foi libertado, e no outro dia o amigo desmentiu tudo, disse que queria ajudar o Willian. Se ele não fosse de uma das famílias mais ricas e influentes da região, teria continuado preso, mas foi solto.
- Família influente?
- Ele é o filho único de Marcus Collin, dono das industrias automotivas Collin Gold - eu conhecia esse nome, meu pai tinha uma concessionária dos automóveis Gold. Lembro-me do meu pai sempre dizer que Marcus Gold era um bom homem, mas que nunca soube educar o filho.
- E ele foi solto? - digo pasma.
- Sim, mas precisamos encontrar o Willian, ele alega ser inocente, mas fica difícil provar a sua inocência quando ele está foragido. - o Detetive parecia ser um bom homem, calmo e responsável, me lembrou o meu pai.
- Acredita nele? - pergunto.
- Se ele for inocente nós vamos descobrir, mas primeiro ele precisa aparecer, ele nunca havia se medito em encrenca antes, era um bom menino.
Talvez ele realmente fosse inocente, mas não tira o fato dele ter me ameaçado com uma faca. Me viro para sair quando sou interrompida pela minha mãe que segura meu braço.
- Aonde você vai? - pergunta ela.
- A roupa não te diz nada? - volto a andar para a porta.
- Você não vai sair agora. - diz ela com o mesmo tom que usa com os alunos.
- O que? Por que? - a olho.
- Tem um fugitivo por ai. - diz como se fosse obvio e é.
- Que a essa altura está muito longe, eu acho que dois dias é tempo suficiente pra alguém conseguir fugir, ele deve ter levado muito menos tempo da primeira vez - aceno com a cabeça para os policias - com todo o respeito, Detetive.
- Sem problema- diz constrangido.
- Eu estou mandando você subir - o seu cabelo negro está solto e encaracolado, ela é bonito, sempre pensei por que nunca teve um relacionamento depois da morte do meu pai.
- Mandando? - rio na cara dela - Eu vou correr e volto em uma hora, quando esses policiais não estiverem na minha casa e nem na minha calçada.
- Não me faça... - começa a disser.
- O que vai fazer? Vai me bater? - abro os braços - eu não sou igual aos seus alunos, mamãe - digo irônica.
- Não, você é minha filha - a muito tempo não a ouço me chamar assim.
- Filha, claro. Eu vou correr, e quando voltar não quero os ver aqui, porque toda vez que aparecem é pra dizer que alguém morreu.
- Melanie Stancy, tem um assassino a solta.
- Assassino que você colocou dentro do seu precioso colégio e nem percebeu, se ele matar alguém vai ser sua culpa - saio correndo colocando os fone de ouvido e ligando a música no volume máximo, não quero ouvi ela me chamar.
Entro dentro na mata correndo, a árvores estão com as folhas caindo e secas, está fazendo muito frio, mas não sinto frio, não sinto nada, só uma vontade de correr e deixar tudo para trás e quando eu voltar que a minha vida seja diferente, isso não vai acontecer, eu sei, então simplesmente corro, sem ver para onde estou indo, seguindo sem destino.

Feche Os OlhosOnde histórias criam vida. Descubra agora