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  O suor escorria pelo seu corpo, traçando linhas úmidas e salgadas em sua testa, peito, costas. "Agora falta menos que antes" - seu pai disse. "Vai com calma.". A casa é um amontoado de cacos, folhas e galhos de vidro. Um esconderijo brilhando igual as duas árvores que o sustenta. Como um animal desconhecido. Com o tempo, as folhas morrem, os galhos quebram e os cacos cortam. Com o tempo tudo se apaga. Para de brilhar. Tudo precisa ser refeito. Em um momento ou outro. Toda vez. Porque a casa era o esconderijo. Uma mutação. "Pronto" - você disse quando o trabalho acabou pela última vez. A tarefa só foi divertida no começo. Rotina significa não querer mais e querer logo. Não querer repetir. Querer mudar-se para o diferente. "Pronto." A casa era uma adaptação para poder existir.


CONTINUA... 

Azul - A Cor do Último SonhoOnde histórias criam vida. Descubra agora